Reputação

Ari Marques

Dia destes conversava com um consultor/professor que me sondava sobre a possibilidade de apresentar uma palestra para universitários da área de Ciências Contábeis.

Saindo do almoço comecei a esboçar a palestra em minha mente. Revirei os tradicionais temas focados em contabilidade e a responsabilidade dos contadores. Caminhei por aí até que começaram a espocar na mente flashes de informações essenciais no dia-a-dia corporativo e dos profissionais.

Entendi então que a melhor forma de apresentar-me aos jovens futuros contadores seria não tratá-los como “futuros contadores” mas como profissionais integrantes da estrutura corporativa das empresas.

Portanto, o que tenho a dizer aplica-se a todos os profissionais que neste momento estejam dentro ou fora do mercado de trabalho, independentemente da área, porte da empresa ou segmento de atuação. Vale inclusive aos pré-profissionais que como estagiários, trainees ou aprendizes dão seus primeiros passos no mercado.

O mundo corporativo está mudando. Geração a geração ele se vem transformando. Não, não falo da óbvia atualização tecnológica presente em todos os setores de forma a transformar em commodities a imensa maioria dos produtos e serviços de nossa economia globalizada. Trato aqui de dois fatores que diferenciam as empresas atuais e que são: o profissional e a cultura corporativa que impregna cada empresa.

O que há de mais importante e atual na vida das empresas é a percepção de que o mercado deixará cada vez mais de valorizar aspectos tangíveis. As novas gerações, nossos filhos, cada dia mais punirão empresas e profissionais que não apresentarem uma forte preocupação sócio-ambiental.

Um dos consultores a quem mais respeito, Ludwig Waldez, costuma chamar a atenção daqueles que participam de suas palestras para este fato. Caricaturiza esta tendência com o exemplo de que para nossos filhos “O mais importante da Petrobras não é a tecnologia de ponta para extração de petróleo em águas profundas, mas o fato de ela cuidar das tartaruguinhas do projeto TAMAR”.

Na mesma linha, mas quilômetros de distância, o que dá a exata noção da globalização do tema, na Suécia os autores Kjell Nordström e Jonas Riodesträle em seu Funky Business Talento Movimenta Capitais nos ensinam em uma única frase que sintetiza todo este conceito “O que conta nas empresas é o que não se conta”.

Enfim o conceito de responsabilidade social que há algum tempo está presente nas avaliações de empresas norte-americanas e européias passa a fazer parte da vida brasileira. O maior exemplo disso é a existência no mercado financeiro de fundos de investimentos calcados apenas em ações de empresas socialmente responsáveis. A própria Bovespa caminha por aí ao criar índice específico.

Profissionais, aprendizes, estagiários ou trainees: percebam que a cada ação de gestão que realizem estarão construindo uma estrutura profissional que será sua marca. E pela somatória dessas ações individuais dos profissionais é que se constrói e consolida a cultura da empresa. Isto é a reputação, individual ou da empresa.

Como bem nos alerta Rogéria Taragano, sócia-consultora da Gecko, há um imenso vale que separa imagem de reputação. Imagem, como afirma a consultora, se faz com criatividade, capital e adequadas ações de marketing. “Imagem é a forma como gostaríamos de ser vistos pelo mercado. Reputação é a forma como efetivamente somos vistos pelas partes interessadas –stakeholders”.

Então, meus caros, estamos em um mundo em que as diferenças competitivas não pesam mais que os sonhos de uma borboleta, e efetivamente o diferencial somos nós.

Preparemo-nos; atualizemo-nos; mas, acima de tudo, conscientizemo-nos de nossa responsabilidade com as sociedades, a atual e todas as futuras.

   
BIOGRAFIA
Ari Marques é consultor em gestão empresarial e ombudsman da Right Saad-Fellipelli Outplacement.
Sugira o próximo assunto a ser comentado por Ari Marques.
A tal MP 232
Cravos e Ferraduras
Estão mesmo havendo mudanças?
O estágio no Brasil
O APRENDIZ é diferente
Onde estão os prometidos 10 milhões de empregos?
Eternamente Jovem
Ari Marques dá recado aos aprendizes
Responsabilidade, temos?
O chefe tem sempre a última palavra
Devaneios econômicos
O melhor segundo semestre da vida de todos nós
É direta a relação entre taxa de Juros e mercado de trabalho?
Ninguém discute o trabalho?
Falando sobre equipes
Lá como cá, problemas há
Por que alguns insistem em não aproveitar?
O recurso que não se "comoditizou"
E lá se foi 2002
A complementação de estudos de executivos
Reestruturação
As entrevistas de seleção, uma nova visão
A retomada do pleno emprego
A globalização da fraude
O emprego tal qual conhecíamos
O Quarto Setor e o Executivo
Mudou o perfil ideal de profissional. Mudou?
O que dizem, realmente, as estatísticas?
Refletindo melhor
 Brasil, sua economia e o processo de "mulherização" do mercado
Mais uma febre que se foi?
Empregabilidade e evolução
E aonde isso nos pega?
Pós-graduação, em que momento fazê-la?
A hora de trocar de emprego