Cada vez mais um risco

Ari Marques

É hábito desta coluna escrever aos profissionais pensando neles como um dos pólos da relação “empresa x empregado”. Desta vez, ainda que o alvo seja o mesmo, os profissionais, escreverei pensando neles como prepostos das empresas. Como representantes das empresas na relação cotidiana com a equipe de trabalho. Assim, vem à tona com ênfase o comportamento pessoal de cada um na empresa, hoje um fator preponderante e diferencial.

Antes de prosseguir, vai um histórico pessoal. Iniciei minha carreira de consultor na finada, e de forte memória para quem por ela passou, Arthur Andersen em 1978. Faz, portanto, 27 anos que freqüento empresas e ambientes corporativos sem delas fazer parte diretamente. Muito já vi e por inúmeras vezes me desgostei. Freqüentei ambientes fabris em suas linhas de produção, assépticos ambientes de instituições financeiras, algumas que depois se mostraram não tão asseadas, grandes corporações comerciais, imensos grupos ligados à construção civil e ágeis prestadoras de serviços.

Acumulei, portanto, uma bagagem de análises e de vivência nas relações pessoais que me fazem hoje estar cada vez mais preocupado. É bem possível que, até por herança paterna, eu tenha esta preocupação. É presente em minha mente a atuação de meu pai como facilitador em workshops – claro que à época com outro nome menos pomposo – de relações humanas. Houve época em que ele se especializou em um programa de origem canadense – DELFT era a sigla ao que me lembro – e usava-o em suas atividades como colaborador do SESI ao longo de seus mais de 20 anos naquela instituição.

Sim, este é o foco deste texto: está havendo uma perda de qualidade na relações e interações pessoais.

Algumas exasperações entre superiores e seus colaboradores beiram a absurdos. Dia desses conversava com uma consultora às voltas com um executivo a quem a matriz dera três meses para que corrigisse as atitudes de vez que era excelente técnico. A todo momento profissionais ligados a RH nos lembram que hoje somos “contratados pela competência e desligados por comportamento”. Mas isso parece não repercutir na mente e postura de certos profissionais.

Diversas vezes presencio o quebrar de limites da boa educação corporativa. Ser duro, incisivo, contundente é necessário em dadas situações. Mas, deselegante, deseducado ou grosseiro não cabe nunca.

Até mesmo por força da atuação como Ombudsman em contato com outros colegas da associação, ouço reportes de situações descabidas que são levadas a eles. Espero que este alerta os sensibilize e provoque os leitores a um exame de consciência de como estejam agindo.

Façam-no e façam-no rapidamente, pois além das inquestionáveis razões humanas aqueles que excedem limites podem ser alvos de processos judiciais.
Sim, processos judiciais!! O que antes era, para nós tupiniquins, algo de que ouvíamos falar em relação aos nossos irmãos da América do Norte, o tal “Assédio Moral ou Dano Moral” é uma realidade cada vez mais presente no Judiciário. Especialmente depois de recente decisão que reconheceu ser a Justiça Trabalhista o fórum adequado para tais querelas.

Por força de uma colaboração que dia destes emprestei a empresários amigos, tomei ciência da existência de um escritório de advocacia cuja estrutura em nada deixa a dever aos que atendem às grandes corporações e que se especializou no atendimento exclusivo ao chamado “pólo reclamante” – empregados – e cuja atuação se está focando nesses casos de assédio. Viram nele um imenso filão de polpudas indenizações para seus clientes e dos correspondentes elevados honorários.

A relação de subordinação é lídima. A de subserviência, execrável!

   
BIOGRAFIA
Ari Marques é consultor em gestão empresarial e ombudsman da Right Saad-Fellipelli Outplacement.
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