Lá como cá, problemas há

Estamos diante de impasse em que parece haver uma divisão entre o bom senso e a ausência dele. Escrevendo isto me refiro ao momento crucial da opção americana pela guerra contra Saddam.

Alguns dos que me lêem devem estar questionando: "Mas até aqui vamos falar dessa guerra?".

Pois é, mas há um link com o mercado que farei mais adiante após circunscrever todo o tema.

Haveria uma divisão dos líderes políticos de expressão mundial tendo, de um lado, Tony Blair e George Bush que consideram ser a guerra a única solução possível para o necessário desarmamento de Saddam. Claro deverá haver alguns líderes inconfessos que comungam dessa idéia. De outro lado, temos o restante do mundo e a imensa maioria de líderes mundiais que é diametralmente contra a idéia da guerra. Se a mesma questão, posição quanto à necessidade de guerra, for posta em relação à população mundial, a mesma resposta de rejeição maciça será ouvida.

Espocam em todo o mundo passeatas e manifestações contrárias a solução belicosa. Aliás, lembro que dia destes em uma cobertura televisiva que eu assistia havia uma faixa estendida que dizia algo que me marcou por vir ao exato encontro de minha posição e que estava expressa em tão poucas palavras: "Se a resposta é a guerra, a pergunta está errada".

Na raiz da motivação dessa postura belicosa de Mr. Presidente Bush estaria, segundo muitos, o interesse pelo petróleo, pois segundo especialistas os Estados Unidos teriam reservas para apenas quatro anos. De antemão desconfio desse dado pois é estratégico ao extremo para um país e daí não sei se haveria essa informação no mercado. Outros entendem que a motivação estaria na necessidade de a indústria bélica reaver investimentos feitos na mais recente campanha presidencial americana.

A discussão que corre em paralelo, corolária desta, tenta dar conta de adivinhar, não há outro termo que melhor expresse, qual seria o tempo de duração dessa guerra para daí poder avaliar a extensão do efeito que terá na economia mundial.

Importante nessa linha de análise verificar em que quadro econômico americano esta guerra se insere? Ou, por outra, qual a atual situação econômica americana?

Sabemos todos, ou deveríamos saber, que as ações oriundas da "caixa de mágicas" de Mr. Greespan parecem não surtir o efeito necessário na revitalização econômica daquele país. Há uma inflação que começa a preocupar e, o que vai ao encontro de nossos temas, a busca pelo seguro social bate recordes históricos.

O desemprego é uma preocupação que ronda cada vez mais as cabeças norte-americanas. Que efeitos funestos para a economia americana advirão dessa guerra é a pergunta por ser respondida.

Mudando de América, da do Norte para a do Sul, precisamos pensar em como esse embate militar poderá, se vier a ocorrer, afetar nossa combalida economia?

Lembrar que os Estados Unidos são um parceiro importantíssimo e isso afetará, seguramente, nossas exportações parece desnecessário. Pensar que o envolvimento militar deles possa desfocar o país de suas exportações e assim abrir flancos em mercados que poderemos aproveitar, também é verdadeiro. Pensar em uma possível crise de abastecimento de petróleo que afete o Brasil também é importante ainda que sejamos auto-suficientes em 80% de nosso consumo.

Toda esta análise leva em consideração que o campo de batalha esteja restrito ao território iraquiano. Se ampliar fica difícil de prever implicações.

O substrato de toda esta análise é tentar antever como ficaria nosso mercado de trabalho com a confirmação desta guerra.

Como tudo nesta vida a resposta do experiente consultor é: depende.
Depende da duração. Ser for curta (até um mês) poderá não haver reflexos. De média duração, menos de seis meses, certamente sentiremos efeitos negativos. Acima disso será mais um forte baque.

Temos que lembrar que grande parte do suporte financeiro de nossa economia vem de recursos especulativos externos. E é de se supor que, em tempos de guerra, eles se retraiam a investir em países ditos emergentes.

Assim, cabe mesmo uma vela a mais em nosso oratório (físico ou virtual) para que alguém preencha de juízo a cabeça "bushiana".

   
BIOGRAFIA
Ari Marques é consultor em gestão empresarial e ombudsman da Right Saad-Fellipelli Outplacement.
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