|
|
As entrevistas de seleção, uma nova visão
"Se
eu dispusesse de nove horas para cortar uma árvore, passaria
seis horas afiando o meu machado".
Abraham
Lincoln
Ao momento em
que inicio este texto me vem a mente a idéia de que não
deve haver quem se dedique a orientar profissionais em suas carreiras
que não tenha se atido a escrever sobre este tema.
De meus pais
vem a lembrança do sábio conselho: Irás chover
no molhado.Cabe então a mim evitar incorrer neste erro. Daí
adveio o título: uma nova visão.Sigo então
neste objetivo de colocar a minha visão sobre este tema ressalvando
que este texto terá a pretensão de poder contribuir
não só nas entrevistas de seleção mas
também no dia-a-dia da vida corporativa. Proponho então,
para que encaremos esta entrevista como sendo uma negociação,
como de fato o é, apesar de muitos dos que entrevistam não
a encararem assim, entendendo que ao entrevistado cabe apenas se
expor.
Se assim é,
uma negociação, por que não nos prepararmos
para cada uma das entrevistas, tendo essa idéia em mente.
Daí a importância do ensinamento citado de Lincoln.Sendo
assim, buscamos no saber experiente de quem é especialista
em negociação suas orientações. Com
este objetivo capto e passo para este texto os ensinamentos de especialistas
como Danny Erthel e Francisco Sanchez. São deles alguns pontos
sobre os quais devemos meditar antes e a cada nova negociação,
entrevista em nosso caso, principalmente quanto mais avançamos
no processo de seleção:
- Alternativas:
devemos conhecer a fundo as alternativas de que dispomos e saber,
até onde seja possível, as alternativas disponíveis
à outra parte;
- Interesses:
o resultado da negociação deve ter como produto o
atendimento da maior quantidade possível e, não necessariamente,
da totalidade, de interesses das partes, indo dos principais aos
secundários;
- Opções:
são os caminhos que terão as partes para atender aos
interesses de que dispomos para chegar a um acordo. Este ponto é
importantíssimo para não sermos barrados em impasses
evitáveis;
- Compromissos:
pontos que hoje sejam de difícil acordo podem ser compromissados
para um futuro;
- Relacionamento:
é possível que haja negociações que
partam de uma base anterior de relacionamento. Isto poderá
ser um facilitador importante da negociação pois parte
de uma base já está firmada. Há pois um caminho
já aplainado e com isso há economia de tempo. Por
outro lado, claro, rusgas passadas podem ser um complicador.
Para não
ficar apenas na teoria, dou um conselho pessoal: não crie
uma personagem, pois será facilmente perceptível.
Seja você em tudo, do vestir ao falar. E principalmente, não
minta e nem mesmo omita nada de sua vida e carreira profissional.
Ainda esta semana soube de um executivo que foi posto de lado em
uma grande oportunidade por ter omitido sua atividade atual em um
trabalho temporário de consultoria sobre o qual o entrevistador
já tinha ciência. Não haveria, na visão
da empresa porque omitir. Logo, ascendeu-se o holofote vermelho.
E, finalizando, aí vai o mais sábio dos conselhos
que recebi nos últimos anos e que bem se aplica a uma entrevista:
"Só
fale se o que tens a dizer vier a enriquecer teu silêncio",
dizJúlio Mendes, RH da Aracruz.
|
|
BIOGRAFIA
Ari Marques é consultor em gestão empresarial
e ombudsman da Right Saad-Fellipelli Outplacement.
|
|
|
Sugira o próximo
assunto a ser comentado por Ari Marques.
|
|
|
Mudou o perfil ideal de profissional.
Mudou? |
|
|
O que dizem, realmente, as
estatísticas? |
|
|
Brasil, sua economia
e o processo de "mulherização" do mercado |
|
|
Novos tempos em 2001. Estamos
preparados ? |
|
|