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O chefe tem sempre a última palavra
A frase título
é parte de uma teoria expressa por uma publicitária
moradora da cidade de Colônia na Alemanha chamada Judith Mair
no livro Schluss mit Lustig, algo parecido com De volta ao trabalho
..fim da Diversão.
Li sua entrevista
para a revista “Business World” em uma edição
de julho passado e confesso que fiquei bastante impressionado com
a teoria da moça publicitária, pois sou daqueles que
entendem que um dos males das últimas décadas é
o fato de o trabalho ter assumido parcela absurda do tempo de nossas
vidas.
“É
um sistema totalitário se meu chefe na empresa determina
a organização de minha vida, marcando ginástica
em meus almoços. Eu quero ser meu próprio chefe em
meu tempo livre.”
Ler a frase
acima e discordar é uma atitude insensata. Assim, já
sou favorável à teoria da moça só por
essa frase. Mas sua teoria, por óbvio, não se restringe
a essa frase. Ela vai mais longe.
“É
um absurdo exaltar o trabalho como substituto do lar ou como símbolo
de status, que promete auto-realização e diversão.
Trabalho é somente trabalho. E isto é exatamente o
que precisamos que volte a ser.”
Soam maravilhosamente
bem a meus ouvidos estas palavras e assim sigo sendo seduzido pelas
idéias da Srta. Judith.
Eu disse seduzido?
Mais que isso, decidi engajar-me como ferrenho defensor dela ao
saber sua opinião sobre horário de trabalho:
“O
escritório inicia pontualmente às 9hs e termina nunca
após as 18hs. E o trabalho aos finais de semana é
proibido.”
A frase seguinte
foi o ápice da concordância com minhas convicções
pessoais
“É
perigoso se trabalho e tempo livre começam a se misturar.”
Façamos
um parênteses neste desfiar de frases antes que eu me disponha
a mandar um curriculum pleiteando vaga na agência de Colônia.
Desde há muito tempo consegui me desvincular
dessa rotina corrosiva e nefasta. Confesso que não foi nada
fácil, pois veio a partir da constatação clínica
de estado de estresse grave que me levava a consumir quatro aspirinas
ao dia, escondido, na tentativa de aplacar uma indefectível
companheira de meus dias: uma enxaqueca.
Passei a dar prioridade ao relacionamento diversificado.
Claro que parece uma frase saída de um treinamento em Networking.
Mas é a pura realidade, pois vi e ainda vejo diversos casamentos
desfeitos, amizades profundas murcharem e reuniões periódicas
de colegas de faculdade acabarem por falta de quórum. Todos
estavam absolutamente mergulhados em suas rotinas profissionais
certos de se estarem realizando.
Volto ao texto
e pinço nova frase da alemã Judith:
“Diversão
no trabalho está acabada. Volta a disciplina.
Acabaram-se as sessões de Team Build em Hotéis nas
Montanhas.
O escritório não é um parque de diversões!”
Bom....veja
bem....claro, isso só pode ser fruto de alguém que
se tenha embevecido das próprias idéias e no torpor
do êxtase cometeu essa impropriedade, esse exagero. Afinal,
nada contra ambientes de trabalho em que reine a real, não
a falsa, harmonia.
Bom, foi pequeno deslize e por certo há mais de bons conceitos
para sorver. Vamos lá.
“Empregados
usam escuros uniformes. Os colegas de Mair tratam-se formalmente
pelo sobrenome, e claramente a hierarquia é que reina no
escritório. É permitido falar de assuntos particulares
apenas durante os intervalos.”
Como? Uniformes?
Escuros? Só conversem nos intervalos?
Comentei o texto
com Anúbis Rezende, consultor com larga experiência
e este devolveu:
“As pessoas
precisam se relacionar e se comunicar para melhor realizarem suas
tarefas e harmonizarem-se em seus dias. É da cultura humana,
e em especial da sul-americana”
“Não
quero fazer o escritório rústico ou confortável,
afinal aquilo não é minha casa”.
Mas, planeja
uma exceção no rígido interior do escritório.
“Nós
estamos planejando ter nosso próprio “Hall of Fame”
no banheiro, com artigos de jornais sobre nossa empresa decorando
as paredes.”
Ah...... D. Judith, que pena, foste longe demais
com seu quebrar de regras e paradigmas que as áreas de Recursos
Humanos nos vem incutindo. Chegaste às sandices.
Outro comentário,
este do também experiente consultor, Miguel Vizioli, com
quem partilhei meu interesse pelo texto, expressa a verdade de tantos
anos: Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.
E por aqui fico.
Frustrado por ver por terra algo que parecia promissor. Mas antes
de encerrar transcrevo novamente uma frase da moça de Colônia
que merece nossa reflexão.
“É
um absurdo exaltar o trabalho como substituto do lar ou como símbolo
de status, que promete auto-realização e diversão.
Trabalho é somente trabalho. E isto é exatamente o
que precisamos que volte a ser”.
Do trabalho
obtemos parte de nossa realização e não sua
totalidade como pensam muitos. Cuidemos dessa distinção.
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