E lá se foi 2002

Este artigo, sendo o último de 2002, se prestaria para uma avaliação do que foi este ano que está por se findar sob a nossa ótica habitual que é o mercado de trabalho de executivos.

Se enveredássemos por esse caminho, por certo não haveria grandes feitos a comemorar ou fatos a enaltecer. Aliás é bem possível antever, não tendo feito o exercício da revisão, que muito haveria a lamentar.

Assim, busco outra opção para o uso deste espaço.

Para a maioria de nós, o ano já está em ritmo de fim de atividades, preparo para festas e férias para alguns. Ou seja, já estamos "voltando as poltronas para a posição vertical e verificando se as mesinhas estão fechadas e travadas". Aguardamos apenas o speech final da aeromoça indicando que "durante o pouso da aeronave serão reduzidas as luzes da cabine".

Há porém um outro grupo de pessoas que, ao contrário, pensa em apertar os cintos e começa a se preparar para taxiar na pista. Claro, ainda estão em fase prévia, aquela em que se define a escala da equipe de vôo, o pessoal de limpeza finaliza a colocação de protetores de cabeça nos bancos e a equipe de catering entrega os últimos carrinhos com refeições.

Este grupo é formado pela nova equipe de governo que terá por comandante mor nosso presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.

Pensando nele e no que podemos esperar de seu primeiro ano de governo é que proponho está digressão.

Numa apressada análise poderíamos antever um foco muito forte nas ações do novo governo em programas que ativem o mercado de trabalho. Esta antevisão, de afogadilho, teria base nas origens tanto do partido que chega ao governo central, afinal é o Partido dos Trabalhadores, quanto do presidente, um atuante e combativo líder sindical que pautou sua vida e ações na garantia de emprego.

Porém, já vimos que o mote principal do novo governo não será exatamente este pois já anunciou a concentração de baterias no programa FOME ZERO. Claro que subsidiariamente podemos crer, já que não foram dados a conhecer maiores detalhes, que medidas contra fome tenham reflexo na ampliação da oferta de postos. Mais gente trabalhando, mais renda e menos fome.

O que poderíamos então pedir? Que ações fortes e determinadas poderíamos esperar fossem adotadas pelo novo governo em favor da ampliação do mercado?

De minha parte confesso ter um sonho antigo e até já citei aqui uma conversa que tive com um antigo secretário de emprego do Ministério do Trabalho, Hélio Zilberstein na gestão do João Melão à frente do Ministério. Meu sonho era ver um governo menos intervencionista, menos regulador.

A experiência nos mostrou que, o arcabouço jurídico que envolve a relação de trabalho (em suas diversas formas) todo ele concebido na tentativa de preservar as vagas, acabou por criar uma camisa de força e um custo tal que inviabilizou muitas contratações. Que o digam os trabalhadores do ABC paulista que, na tentativa ferrenha da preservação, radicalizaram tanto que acabaram provocando a mudança de inúmeras empresas para outras regiões.

Temos que reconhecer que ainda nem sequer sabemos quem será o futuro ministro do Trabalho. Alguns sugerem que seria o deputado gaúcho Paulo Paim, que na sua longa atuação na oposição teve parte de responsabilidade por este estado de coisas.

Este é meu desejo então: a relação está por demais regulamentada. Afrouxem um pouco as amarras, deixem fluir as cooperativas, entendam a relação de consultoria sem vínculo empregatício que pode haver entre empresas e profissionais. E, acima de tudo, propiciem a reforma da Previdência de forma a desonerar seus cofres e assim poder diminuir a avidez famélica por novas receitas que sempre oneram as empresas e inibem contratações.

Tomara o presidente eleito, travestido de Papai Noel, olhe por nós e sejamos todos atendidos nesse nosso desejo.

Por fim, aos que me acompanham expresso meu desejo de um santo Natal e uma passagem de ano que tenha por tônica o otimismo embasado de um ano melhor.

Sejamos felizes, sempre!

   
BIOGRAFIA
Ari Marques é consultor em gestão empresarial e ombudsman da Right Saad-Fellipelli Outplacement.
Sugira o próximo assunto a ser comentado por Ari Marques.
A complementação de estudos de executivos
Reestruturação
As entrevistas de seleção, uma nova visão
A retomada do pleno emprego
A globalização da fraude
O emprego tal qual conhecíamos
O Quarto Setor e o Executivo
Mudou o perfil ideal de profissional. Mudou?
O que dizem, realmente, as estatísticas?
Refletindo melhor
 Brasil, sua economia e o processo de "mulherização" do mercado
Mais uma febre que se foi?
Empregabilidade e evolução
E aonde isso nos pega?
Pós-graduação, em que momento fazê-la?
A hora de trocar de emprego
Ser autônomo ou registrado?
Trabalhar com equipe fixa ou não
O dilema entre o "O" e o "Um"
Remuneração, o que mudou?
Novos tempos em 2001. Estamos preparados ?