Quem não gosta de mim, não presta!

Quem não gosta de mim, não presta! De onde fui buscar essa afirmação, vocês devem estar pensando. “Posso esclarecer? Esclarecerei” como dizia o antigo personagem de Agildo Ribeiro, comediante importante dos anos 80 e ainda visto aqui e ali. Essa é uma expressão que eu e meus irmãos atribuíamos à minha mãe que, tal qual General De Gaulle, nunca a disse, mas nós a marcamos com ela.

Agora, o que isso tem a ver com os motes de meus artigos? Afinal, gestão e, em especial, pessoas são minha matéria de ocupação literária. Acontece que a cada dia percebo nas relações com meus clientes, nas discussões em sala de aula, nas conversas em almoços e nas indagações que me são feitas que a relação “empresa x profissional” vem sendo afetada por essa frase.

Em geral tenho percebido sua presença em muitas relações. Porém, de forma especial está sempre presente nas relações empresariais que estejam ambicionando um patamar acima do seu e que, para tal, estão passando por um profundo processo de transformação.

Geralmente, nessas situações, em que essa frase se enquadra, costuma ser compulsório que se mudem processos, sistemas e perfis, aflorando necessidade de competências que, até então, eram desnecessárias e agora passam a ser cruciais.

É fácil perceber a tensão nas relações que estará presente ao longo de todo esse percurso. Percurso que, aliás, não costuma ser curto. Alguns meses se passam nesse clima. Gestores e geridos ficam com a adrenalina em ebulição. Toda essa tensão, ainda que extremamente indesejada, é absolutamente normal e natural.

Dirão alguns teóricos que se está deixando a zona de conforto; outros que a zona de desenvolvimento proximal está por ser trabalhada. De qualquer forma, abandona-se a situação em que se sabe das necessidades e dos caminhos para cobri-las.

Impossível dar as costas para uma realidade sempre presente quando temos questionamentos tais como: Vai dar certo? Conseguiremos? Quanto tempo levaremos para voltar a ter o domínio completo da situação?

Essas questões por certo serão uma constante nas cabeças das duas partes –gestores e geridos – ao longo de todo esse processo. Uma outra verdade, que não podemos deixar de encarar é que, alguns profissionais poderão não se adaptar às novas realidades. Falo aqui inclusive dos gestores.

Entretanto, ressalto o verbo que usei: PODERÃO! Poder, segundo o dicionário Houaiss, implica ter a faculdade ou a possibilidade. Não implica que necessariamente venha a ocorrer. Vejo processos em que parece ocorrer o que também na psicologia é tratada por profecia auto-realizadora.

Assim parece que já se conta com baixas e quando profissionais encontram novos ares quase se pode ouvir a frase título. Um ou outro caso, é possível considerar-se normal. Muitos? Há que se fazer um exame de consciência como nos ensinavam os catecismos do passado.

Mesmo que estejamos vivendo um momento em que o “pobre Plutão” tenha sido rebaixado e que o atual papa tenha acabado com o limbo – ele mandou o limbo para o limbo - , algumas verdades prevalecerão para sempre. As corporativas inclusive.

Turnover alto é como febre...... por si só é apenas indicativo, mas desprezá-la pode levar a morte. Lembro o título de um artigo que escrevi e que me parece muito atual: Mais razão e menos emoção!! O que proponho para auxiliar à quem esteja neste turbilhão? Café, água, ar e caminhada!!

Este é o melhor ansiolítico corporativo. Ou seja, na emoção não decida nem se perca. Pare ..café...água..tome ar..caminhe....retome....serenidade!! Acima de tudo, se aprofunde nas questões e nas razões que possam estar por trás da rotatividade.

   
BIOGRAFIA
Ari Marques é consultor em gestão empresarial e ombudsman da Right Saad-Fellipelli Outplacement.
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