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O recurso que não se "comoditizou"
O avanço
tecnológico em todas as áreas de atuação
humana teve como resultado a banalização dos recursos.
Nas indústrias, comércio e até mesmo em serviços
a máquinas e equipamentos, além dos softwares, estão
acessíveis a preços e condições que
permitem o acesso de todas as empresas. Em uma palavra os recursos
em geral passaram a ser commodity na medida em que estejam disponíveis
em igual forma para todos.
Dessa forma a concorrência acirra-se dia a dia. Há
porém um "recurso" que não sofreu este processo
de vulgarização. E é a partir dele que as empresas,
já de algum tempo perceberam, podem obter o tão perseguido
diferencial competitivo.
Falamos do recurso humano e de como as empresas preparam-se na busca
da identificação, desenvolvimento e retenção
de seus talentos.
Historiando este processo, remetemo-nos a meados do século
passado, em que as indústrias proliferavam e a concentração
da mão-de-obra se dava na produção com a operação
de máquinas. Àquela época, em nosso país,
não havia a preocupação do desenvolvimento
acadêmico. Havia os tais cursos técnicos tais como,
desenhistas, projetistas etc.
O grande centro fomentador de qualificação era o Senai
com seus cursos profissionalizantes. Em paralelo corria o Sesi com
o que hoje consideramos incipientes programas (avançados
para a época) de relacionamento humano. Não havia
a chamada "permeabilidade" nos postos. O turn over era
baixíssimo e mínima a possibilidade de crescimento.
Alguém que se inciava ferramenteiro da indústria metalúrgica
provavelmente se aposentaria na mesma função. O mesmo
ocorria como os torneiros mecânicos.
Este processo manteve-se até há duas décadas,
quando passou a sofrer uma evolução lenta, mas firme.
Hoje a realidade é totalmente outra e podemos até
usar como exemplo emblemático a chegada de um torneiro mecânico
à Presidência da república de nosso Brasil.
Entraram em cena as tais "competências individuais"
que passam a compor o capital intelectual.
Do ponto de vista do executivo e da gestão de sua carreira,
muito se evoluiu. A frase que pode indicar o rumo a ser seguido
é: quem não se planeja é "planejado".
Há que assumir a rédea e trabalhar fortemente na obtenção
de seu próprio desenvolvimento.
As empresas voltadas a treinamento têm uma série de
ferramentas que permitem fazer um inventário, em conjunto
com as empresas, das competências. Em seguida, faz-se a avaliação
dos executivos vis-a-vis essas competências necessárias.
Avaliações 360 são usadas para que se tenha
a percepção de como subordinados, pares e superiores
avaliam nosso estágio face às necessidades de competências
previamente elencadas.
Complementando esse arcabouço, de uns tempos a esta parte
tem-se a figura do coach e seu processo de coaching individual.
Este profissional, normalmente um consultor preparado e formado
para tal, avalia com o assessorado o estágio em que se encontra
e prepara um programa de trabalho que vise à melhora individual
do executivo.
Enfim estamos na era em que o profissional e, pela soma deles, a
equipe que compõe a empresa é que farão a diferença
no futuro.
Talento é uma vantagem competitiva. Desenvolvam-no.
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BIOGRAFIA
Ari Marques é consultor em gestão empresarial
e ombudsman da Right Saad-Fellipelli Outplacement.
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