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Reestruturação
A tradição
deste espaço é a de temas voltados ao mercado de trabalho
ou de continuidade de carreira como usualmente passou a ser tratado.
E, não será diferente neste caso. Entretanto vou abordar
o assunto com base em um caso real em que se está reestruturando
um importantíssimo grupo nacional, de ponta a ponta.
Iniciando pela
holding do grupo, está aberto processo de seleção
para a contratação do principal executivo que comandará
a diretoria executiva. A responsabilidade do cargo é imensa,
pois, além do dia-a-dia da gestão, esse executivo
será também responsável, como é natural,
pela representação externa do grupo. As exigências
são, dentre inúmeras outras, que tenha disponibilidade
imediata para viagens constantes, inclusive internacionais. O domínio
de idiomas é desejável, mas não imprescindível,
na medida em que, dadas as responsabilidades dos contatos internacionais,
o diretor estará sempre acompanhado de tradutores de absoluta
fluência nos idiomas locais.
A partir de
sua contratação e sob sua condução direta,
será iniciado um processo de substituição dos
executivos, cerca de 20, responsáveis pelas principais diretorias
da holding. Considerando a importância e o volume de recursos
envolvidos, haverá mudança também no board
de assessoria com notáveis para apoio e supervisão
direta das ações da diretoria executiva.
No mesmo momento
será modificada a composição do conselho de
administração deste grupo. Este, como de hábito,
será indicado pelos acionistas. É certo que deverá
ocorrer a manutenção de alguns de seus membros, porém
é provável que haja uma sensível renovação.
Dos conselheiros se espera definição rápida
de uma série de alterações no plano estratégico,
incluindo o próprio orçamento anual, assim como uma
diligente atuação na supervisão dos atos da
diretoria executiva.
Dado o grau
de responsabilidade que o cargo de conselheiro exige, será
oferecida a possibilidade a cada um dos membros que monte sua própria
assessoria. Deverão acercar-se de pessoas de sua absoluta
e irrestrita confiança. Essa equipe de assessores deverá
ser de ilibada reputação para que não macule
o projeto todo do grupo. Este colégio de assessores poderá,
em alguns casos, chegar a um total de 25 membros. Por ser um grupo
de atuação nacional, a reestruturação
se estenderá a cada uma das controladas ou subsidiárias.
Assim como em
cima, será em baixo. O executivo de cada uma destas controladas
terá autonomia para montar sua própria equipe de executivos,
podendo chegar a substituir todos os atuais ocupantes dos cargos.
Em cada uma das unidades, assim como será feito na holding,
haverá reformulação do conselho de administração.
Aqui também é esperada uma reformulação
importante no corpo de conselheiros, pois as sondagens feitas por
empresas de consultoria com os acionistas assim o indicam. Por definição
que já vigora há algum tempo a estrutura da holding
é repetida nas unidades e assim será facultada aos
conselheiros a composição de um quadro de assessores
que os apóiem nas decisões manifestadas por seus votos
nas reuniões do conselho.
Anualmente o
conselho de administração, tanto da holding quanto
das controladas, será responsável pela aprovação,
ou modificação, do orçamento que será
preparado e encaminhado pela diretoria executiva. Claro que como
de hábito será responsável ainda pela supervisão
da correta implementação dos orçamentos aprovados.
A esta altura
aqueles de vocês que se deram ao trabalho de acompanhar-me
até aqui, devem estar se perguntado o que isso tem a ver
com você. E eu respondo que não tem só a ver
com vocês, mas com todos nós, pois somos nós
os acionistas desse "grupo" chamado Brasil.
A holding é
o Poder Executivo, sendo a diretoria formada pelo presidente da
República e seu grupo de ministros; as controladas são
os Estados e os governadores e seus secretários são
os executivos; os conselhos de administração são
a Câmara Federal e as Assembléias estaduais; o board
é o Senado. Por fim esta reestruturação que
aqui reporto ocorrerá a partir do próximo dia 06 de
outubro pelo nosso voto.
Num mundo capitalista
proponho que pensemos como acionistas que não querem correr
risco com seu investimento e escolhamos com o mais absoluto rigor
esse conjunto de pessoas que será responsável pela
gestão deste nosso Brasil.
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BIOGRAFIA
Ari Marques é consultor em gestão empresarial
e ombudsman da Right Saad-Fellipelli Outplacement.
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