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Um head hunter ligou. O que se deve fazer?
Várias
são as razões pelas quais um executivo decide se esta
pode ser a hora de mudar de emprego. Mas, onde quer que esse executivo
esteja trabalhando, saiba que o almoço nunca é de
graça. Há que trabalhar duramente e enfrentar as desvantagens
periféricas do sucesso - e não pense que o maior trabalho
é assinar autógrafos.
Em primeiro
lugar, o executivo sofre pressões de toda ordem. Nossos dados
dão conta de que 43% dos homens executivos e 53% das mulheres
executivas têm muito ou intenso estresse. Pelas pesquisas,
as principais razões de pressões no trabalho de um
executivo são estas: planejar a longo prazo mas mostrar resultados
imediatos; inovar, mas perder eficiência; pensar globalmente,
sem desprezar problemas locais; colaborar, competindo; fazer os
negócios crescerem, aumentando desempenho; trabalhar em equipe,
embora cobrados individualmente; seguir normas, sendo flexíveis.
Se o executivo
não tem boa estrutura emocional ou não está
em um momento equilibrado, essas pressões podem resultar
em estresse que acaba sendo levado para a vida doméstica:
17,4% dos executivos consideram que o trabalho influencia negativamente
na vida conjugal.
Contribui para
o desgaste de muitos casamentos o tempo que o executivo dedica ao
trabalho: 54,0 horas semanais, em número médio, para
os executivos em geral. Pela tabela pode-se ver que, quanto mais
alto o nível hierárquico, mais horas o executivo trabalha.
Se não se pode considerar que esta seja uma bela recompensa
do sucesso, pelo menos evidencia uma empolgação com
o trabalho, que se transforma num delicioso vício à
medida que a idade avança.
Mas gostar de
trabalhar é uma coisa e, gostar do clima e da cultura da
empresa onde se está trabalhando é outra. Imagine
que, num momento em que o executivo avaliou bem o seu nível
de satisfação, cai do céu um telefonema de
um head hunter. Como deve se comportar? Mostrando atitude positiva
e segurança - consegue-se isto tendo, no dia-a-dia, um planejamento
de carreira muito claro, sabendo o que seria importante obter em
uma eventual mudança de emprego.
Outro conselho:
Ouvir com atenção o que for dito. Estar aberto às
propostas, mas sem se precipitar. Cuidado e canja de galinha não
fazem mal a ninguém. Ter cuidado implica, primeiro, determinar
a legitimidade do recrutador. Não se deve sentir constrangido
de pedir informações - afinal, pode-se estar depositando
o futuro profissional nas mãos dessa pessoa. Pergunte (e
cheque depois) o endereço e comprovações profissionais.
Indague do estilo de trabalho: saiba se o recrutador atua sob contingência
(recebe remuneração somente se o candidato que indica
for contratado) ou empreitada. Confirme, mais tarde, os contatos,
para estabelecer a credibilidade e a reputação dessa
pessoa.
É fundamental
ter sempre à mão um currículo atualizado, pronto
para ser enviado. Se a conversa não interessar, descartar
logo a oferta e encerrar o contato. Se quiser, ofereça-se
para indicar outra pessoa para o cargo. Se se sentiu atraído
pela oferta, procure identificar qual é a empresa que contratou
o head hunter. Pesquise com atenção as características
da empresa, a partir de informações que o próprio
recrutador deve fornecer, como balanço, notícias de
jornais e revistas etc. Se a empresa tiver um web site, faça
uma visita. Se conhecer alguém que trabalhe na empresa, procure
saber o que pensa sobre o clima e a cultura da empresa.
Não é
bom bancar o difícil. Aceite encontros, retorne chamadas
telefônicas. Coopere. Não minta. Nunca. Sobre nada.
É necessário falar claramente e verdadeiramente sobre
a experiência profissional, educação ou remuneração.
É bom dar nomes e telefones de suas referências. Isto
mostrará que não se tem nada a esconder. É
importante não se queimar nem com o head hunter nem com o
empregador atual.
Por isso, é
preciso tomar precauções no ambiente de trabalho:
a despeito de todos os cuidados e confidencialidade, pode se distrair
e escorregar. É bom contar aos superiores que têm recebido
ligações de head hunters, mas que isso não
significa que esteja procurando emprego. Pode-se até usar
uma oferta para conseguir aumento no emprego em que está.
Só é preciso tomar cuidado: essas estratégias
podem ser tiro saindo pela culatra. O atual empregador pode aproveitar
para aceitar o que ele considera um pedido de demissão.
É um
bom negócio deixar que o head hunter interfira em seu nome
na negociação de remuneração e benefícios.
Já que ele é remunerado pela empresa contratante,
quanto mais ele conseguir, mais terá para si próprio.
Portanto, considere-o como uma espécie de advogado de defesa,
no processo. Não deu certo? Tenha em mente que, de cada 200
pessoas consultadas para uma vaga por um head hunter, talvez 20%,
ou 50 candidatos, passem pelo primeiro crivo, que cinco serão
finalistas e, que apenas um terá o emprego. Não encare
uma rejeição como uma questão pessoal: o processo
de busca objetiva um profissional perfeito para aquele cargo, e
se não for escolhido, certamente foi bom ter acontecido,
porque a vaga não era mesmo feita para você.
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BIOGRAFIA
Joaquim Maria Botelho é jornalista, especializado
em Jornalismo Internacional e Fotojornalismo pela Universidade
de Wisconsin, nos Estados Unidos. Atualmente é
Gerente de Comunicação do Grupo Catho.
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