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Mudou o chefe! E agora?
Chefe é uma função que tende a desaparecer
- as pessoas costumam dizer que quem tem chefe é índio.
A nova função, ou se quiserem a nomenclatura, é
de líder. Vejamos a diferença.
Chefes têm
subordinados. E vamos acompanhar a definição de subordinado:
segundo o dicionário Novo Dicionário da Língua
Portuguesa, de Aurélio Buarque de Hollanda, "dependente,
inferior, subalterno; aquele que, em conexão com outra pessoa
ou com alguém, ocupa posição inferior ou secundária;
que não se apresenta de forma independente; que está
sob as ordens de outro."
Pessoas como
essas, subordinadas, não lutam por promoções.
E só se consegue promoção com esforço.
Competência e bom relacionamento profissional comandam as
promoções hoje em dia, porque os instrumentos utilizados
pelas empresas (como gestão por competência, avaliação
360 graus, remuneração por competência) eliminaram
os puxa-sacos, os parentes, os amigos ou os protegidos.
O líder
está sempre à procura de insubordinados. Esses são
os profissionais que não se acomodam, não aceitam
qualquer determinação sem entenderem o sentido e a
lógica, querem crescer, querem evoluir.
Mudou o líder.
E a equipe, como fica?
Equipes podem
ficar desestabilizadas quando muda o líder. Para evitar isto,
as empresas precisam estar muito atentas para saber quais são
as expectativas das pessoas em relação a quem chega,
as circunstâncias que afetariam negativamente as reações
da equipe à mudança, e métodos para administrar
as reações negativas.
Qualquer novo
líder vai ocasionar uma nova dinâmica de funcionamento
da equipe - que tem que se recalibrar (ou ser recalibrada) para
funcionar de acordo com esta nova dinâmica. Se o líder
demora para assimilar a cultura do grupo e se adaptar, o atraso
pode ser crítico e resultar em perda de produtividade, insatisfação
e atrito. Vai caber ao líder prolongar ou encurtar esse processo
que, de resto, é inevitável. Até porque ele
vem com outra história, suas próprias normas e necessidades.
Primeiro,
demonstrar competência
Não há
outra forma de conquistar uma equipe a não ser mostrando
competência. E competência quer dizer repartir conhecimentos
técnicos com habilidade de relacionamento. Se a equipe percebe
que o novo líder sabe o que fala, tem segurança profissional,
e consegue mostrar com clareza as diretrizes que considera adequadas,
vai respeitá-lo, voltar a ter produtividade, comprometer-se
com o projeto e se sentir mais satisfeita.
Motivar e
satisfazer
Um grande número
de circunstâncias organizacionais contribui definitivamente
para a desmotivação de uma equipe: downsizing, falta
de reconhecimento, objetivos obscuros ou estratégias hesitantes
para atingir metas. Ao chegar, um novo líder somará
suas próprias circunstâncias pessoais às já
existentes. Para começar, a equipe normalmente já
está com moral baixa, temem tomar qualquer iniciativa, e
se sentem inseguros com relação ao trabalho e ao grupo.
Sabem que o recém-chegado vai fazer mudanças e não
sabem se serão mudanças positivas.
Mudança
na liderança sempre influenciam as atitudes e o desempenho
da equipe que fica, porque os profissionais querem ter uma história
institucional, ver frutificar seus esforços em vez de enfrentar
idéias que não chegam a vingar porque o líder
não ficou tempo suficiente para concretizá-las. Se
isto ocorreu, a equipe vai perder fé na eficácia da
liderança, perderá fé na continuidade do trabalho,
e possivelmente ficará insatisfeita.
O líder
que chega deve saber que mudanças não serão
efetivas se a equipe não estiver motivada. Portanto, precisa
ser claro e seguro ao comunicar perspectivas de futuro e explicar
em que as mudanças serão importantes para a empresa
e para a equipe. O líder competente é mais competente
se souber motivar e satisfazer a equipe.
Passos para
o sucesso do novo líder
Diane Downey,
presidente da Downey Associates International, de Nova York, no
livro "Assimilating New Leaders: the Key to Executive Retention"
(Assimilando novos líderes: a chave para reter executivos),
que escreveu em parceria com Tom March, define cinco etapas que
considera fundamentais para o processo de assimilação
da mudança de liderança: planejamento, chegada, construção,
aprofundamento e fortificação. Vamos acompanhar o
raciocínio dos autores.
1. Planejamento
- Esta parte do processo fica a cargo da gerência responsável
pela contratação do novo líder. Geralmente
ocorre um período em que a equipe fica à deriva, que
é aquele intervalo entre a saída do antigo e a chegada
do novo. Os profissionais não começam projetos novos
nem dão andamento aos já iniciados, porque não
sabem o que mudará. Além do mais, nesse período
costumam surgir líderes informais que causam uma tal dinâmica
que dificulta a adaptação do novo líder, quando
chega. Os gerentes não podem perder de vista aquela equipe,
tomando o cuidado de informar o mais possível a respeito
do andamento da contratação do novo líder e
o que a empresa espera dele.
2. Chegada -
A chegada do novo líder cria tanta instabilidade na equipe
quanto a saída do antigo líder. Em geral sabem um
pouco do histórico profissional dele, mas não sabem
como se comunicar nem se atenderão as expectativas com as
quais ele virá. A mudança é certa, mas em que
extensão é um mistério. O líder tem
que estar focado nessas questões se quiser que o tempo da
adaptação seja curto. Em organizações
de cultura insular e onde falta compartilhamento de informações,
será mais trabalhoso e mais difícil para o líder
e para a equipe promoverem a adaptação. Esta fase,
portanto, é tarefa tanto do líder que chega quanto
da equipe que o recebe - orientada certamente pelos gerentes, que
se preocuparão em não formar uma imagem exagerada
do líder nem criar uma aura de infalibilidade ao seu redor.
A palavra-chave, neste momento, é cooperação.
3. Construção
- Muitos líderes se perdem ao tentar mostrar muita coisa
de uma vez só, antes que a equipe e ele mesmo estejam totalmente
preparados. A questão é que em geral o líder
está cheio de idéias e de entusiasmo, enquanto a equipe
está cautelosa e reticente. E, quase sempre, há um
sentimento de lealdade para com o líder que saiu que é
uma barreira a mais para o compromisso da equipe para com o novo
líder. Também, especialmente em empresas grandes,
em que a possibilidade de promoções internas é
maior, a contratação de um profissional de fora causa
o efeito conhecido como "anticorpo", em que as reações
contra o "invasor" são intensas. Dentro deste ambiente,
o afã do líder em tentar mostrar muita coisa de uma
só vez pode ser entendido como falta de compreensão
e causar perda de fé em suas habilidades.
4 e 5. Aprofundamento
e fortificação - No final da fase de construção,
os líderes desenvolveram competência com relação
aos papéis que se espera que cumpra, a equipe se sente mais
confiante nas habilidades do líder, e estão prontos
para progredir juntos, compartilhando. Para novos líderes,
estas duas etapas, de aprofundamento e fortificação,
se referem à aplicação das lições
aprendidas durante a assimilação, não só
em relação ao processo de desenvolvimento organizacional
mas em características de liderança e relações
com o grupo.
À medida
que as organizações se tornam mais globais, devem
construir equipes que realmente reflitam e respeitem a diversidade
das perspectivas culturais dos seus clientes. E como equipes diversificadas
e internacionais estão tornando normais, é crucial
que organizações contratem novos líderes que
rapidamente se adaptem em ambientes de aspectos culturais variados.
Para dar a esses líderes e a essas equipes mais chances de
sucesso, as organizações devem investir na preparação
deles para o trabalho, estabelecendo atmosfera de diálogo
e cooperação que começa no processo de recrutamento
do novo líder.
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BIOGRAFIA
Joaquim Maria Botelho é jornalista, especializado
em Jornalismo Internacional e Fotojornalismo pela Universidade
de Wisconsin, nos Estados Unidos. Atualmente é
Gerente de Comunicação do Grupo Catho.
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