Para crescer, é preciso compreender

Embora as modernas tendências de recursos humanos, em todo o mundo, indiquem que o profissional ideal é aquele que domina as técnicas da comunicação, não há ainda um contingente muito grande de pessoas com essa habilidade.

Lidar com pessoas é uma tarefa enriquecedora, mas difícil. Requer vontade, disposição, humildade, habilidade para ouvir e habilidade para comunicar. Por esta razão, muita gente prefere trabalhar sozinha, para não ter que sofrer o que considera o desgaste da interação. Uma enquete realizada pelo jornal "Carreira & Sucesso", com mais de 2.000 leitores, mostrou que: 62,42% das pessoas que responderam preferem trabalhar sozinhas, enquanto que apenas 37,52% preferem trabalhar em grupo.

Antes de pensarmos em egoísmo das pessoas, vamos imaginar o conjunto de circunstâncias ambientais que influenciam no trabalho de uma pessoa. Qualquer empregado tem que obedecer a políticas internas estruturadas, precisa se adequar a uma cultura empresarial particular de cada empresa, deve se relacionar com pessoas que têm diferentes posturas e comportamentos, sente-se na obrigação de ser bem-vindo no grupo e precisa de reconhecimento. Para muita gente, esse conjunto de exigências é até doloroso, às vezes, por causa de suas peculiaridades individuais ou por causa do momento emocional que atravessam.

Neste artigo, buscamos lembrar alguns passos que a pessoa pode seguir para obter sucesso trabalhando em equipe, mesmo quando o seu trabalho individual tenha caráter de isolamento, como é o caso de programadores, contadores e outros profissionais.

Implementar a carreira não é trabalho de um dia, mas é um trabalho diário. As atividades e decisões são cumulativas e muitas levam um certo tempo para surtirem efeito. O importante, em primeiro lugar, é compreender o ambiente profissional em que se está atuando e traçar uma estratégia para se destacar. E quem está rotineiramente no ambiente profissional - próximo ou distante - de uma pessoa? Os superiores, os colegas, os subordinados, os clientes, os fornecedores, os concorrentes.

Cada uma dessas pessoas deve ser compreendida como elemento de um todo, de um universo que é a empresa. Todas elas trabalham em uma direção, que é o sucesso da empresa, para o bem da própria empresa e consequentemente para o bem de quem para ela trabalha. Se a empresa vai bem, provavelmente os funcionários estarão bem.

Mas cada pessoa também trabalha para si mesmo, ou seja, está sempre pensando em fazer o trabalho corretamente para realização pessoal, em trabalhar adequadamente para obter reconhecimento da empresa, dos superiores, dos colegas e dos subordinados, para obter destaque no mercado de trabalho e para evoluir. As pessoas trabalham para a empresa, mas também trabalham para si mesmas. É natural.

Em busca de reconhecimento profissional, algumas pessoas correm o risco de cometer erros porque privilegiam a rapidez e não a qualidade. Por isso, é fundamental rever o trabalho antes de entregar, para que não haja risco de imperfeições. Todo chefe, descontadas evidentemente as exceções patológicas, gosta do funcionário que faz depressa e faz direito. Mas, se for preciso escolher é preferível fazer corretamente, ainda que leve um pouco mais de tempo.

Se não entendeu direito, é melhor perguntar. Um mal-entendido pode arruinar o resultado do seu trabalho. O ideal é estabelecer um prazo adequado para entregar. Se puder entregar antes do combinado, melhor, mas é necessário certificar-se de que o trabalho não tem falhas. Não se pode esquecer que o retrabalho custa mais caro do que fazer direito num tempo mais dilatado. Essas recomendações se aplicam ao trabalho diário, mas também se aplica à carreira e à sua vida pessoal. Não basta fazer. E também não basta fazer depressa. É preciso fazer bem-feito.

Já vimos que é importante traçar uma estratégia e que é importante cuidar para que não haja falhas. Mas há uma terceira atitude de planejamento: priorizar as atividades. Cada execução precisa responder a algumas questões: Isto é o mais necessário? Isto é o mais justo? Isto é o mais adequado? Isto é o mais indicado? Isto é o que vai trazer melhores resultados?

Estudar e aprender. Se a pessoa quer se tornar um gerente, tem que se destacar em sua área técnica, mas também tem que se especializar em liderança, planejamento e controle. Se restringir os seus conhecimentos e as suas habilidades somente aos quesitos técnicos, não terá muitas chances de chegar ao que se idealizou. É preciso pensar sempre: "O que eu quero e o que eu tenho que fazer para chegar lá?".

Na questão do planejamento, estabelecer metas é fundamental. Mas é recomendável que estabelecer metas sempre e sempre maiores. Se o que se quer são 500.000, é preciso pensar em milhão - se alcançar 800.000, estará mais de 50% acima da meta. A ambição, quando revestida da louvável tendência de crescer e se destacar pelo trabalho e pela competência, é uma qualidade.

O oposto da ambição é a acomodação, e ninguém gosta dos acomodados. O ambicioso dedica 120% do seu tempo ao trabalho e ao crescimento profissional. E capacidade de trabalho é um componente sempre pesado pelo empresário que quer promover um funcionário. É preciso exigir de você mesmo. Compreender a necessidade de ser ambicioso no planejamento, dedicado na execução e crítico com seus próprios resultados.

Humildade, porém, é essencial. Se não se sabe, é preciso reconhecer que não sabe e vá aprender. Se não se pode fazer, é preciso reconhecer que não se pode e tomar uma decisão: é preciso habilitar-se para poder fazer ou admitir que o trabalho está fora do alcance e refazer seus planos. Quem não compreende o valor da humildade acaba fazendo a mais execrável das burrices: mente para si mesmo.

Há pessoas que adoram títulos. Aceitam precipitadamente presidir comitês, conselhos e associações, muitas vezes fora do seu perfil profissional, apenas pelo título. Algumas pessoas até pagam para receber comendas muitas vezes de origem duvidosa. Em geral, os títulos são vazios. Com exceção, evidentemente, de títulos acadêmicos obtidos com estudo e trabalho, prefira destacar-se no trabalho pela sua qualidade profissional do que pelos títulos que receber.

Na avaliação para um promoção ou para uma nova proposta de trabalho, títulos não são sequer observados. É preciso compreender: o que vale é o trabalho bem feito, e não a coleção de medalhas e diplomas.

Compreender não é simplesmente uma imagem retórica. É receber uma informação e deixar que ela altere, se necessário, a maneira de enxergar e sentir as coisas. Para isto, não se pode apresentar resistência às novidades e ao aprendizado.

 
   
BIOGRAFIA
Joaquim Maria Botelho é jornalista, especializado em Jornalismo Internacional e Fotojornalismo pela Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos. Atualmente é Gerente de Comunicação do Grupo Catho.

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