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Novo século para a mulher brasileira
O brasileiro já evoluiu muito no seu famoso machismo.
Acabou a figura legal de o homem ser o cabeça do casal, a
justiça não acata mais pedidos de separação
por causa de virgindade alegada (embora ainda conste do Código
Penal Brasileiro, de 1946), a divorciada não tem mais o conceito
ruim que a sociedade lhe infligia há bem pouco tempo.
Mas a questão
é que algumas coisas permanecem dolorosas para o homem brasileiro.
Uma delas é o fato de que muitas mulheres dirigem automóveis
muito melhor do que os homens, e outra é o avanço
das mulheres no mercado de trabalho.
Remuneração
menor - Embora nossas pesquisas constatem que mulheres brasileiras
em postos executivos recebam, em média, 16,2% menos que homens
em postos idênticos, não há qualquer indício
de que a legislação trabalhista avançará
no sentido de impedir esse desvio.
Na Escócia,
existe um grupo governamental (The Equal Opportunities Commission
- Comissão de Igualdade de Oportunidades) dedicado a identificar
e a evitar abusos dessa natureza. Na Irlanda do Norte, a Comissão
de Igualdade para a Irlanda do Norte (Equality Commission for Northern
Ireland) tem a mesma função.
Nos Estados
Unidos, o Ato do Pagamento Igual, de 1965 (e emendado em 1984),
garante à mulher o direito de ganhar a mesma quantia que
um homem em posição similar ou parecida.
Mas todas essas
iniciativas não parecem ter provido absoluta proteção
ao sexo chamado frágil. Uma pesquisa publicada na capa do
jornal The New York Times, no início do mês de novembro
de 2000, dava conta de que os homens, no cômputo geral, ganham
cerca de 20% mais do que as mulheres americanas.
As mulheres
no mundo - A revista Dinheiro de junho de 2000 trouxe um levantamento
da situação da massa salarial das mulheres em vários
países. Segundo a reportagem, em todo o mundo, salários
femininos são, na média, 59,3% do total alcançado
pelos homens:
Alemanha - pesquisa
de 1991 mostrou que mulheres ganham, em média, 73,6% do salário
de um homem
Coréia
- as mulheres recebem, em média, 51% dos salários
pagos aos homens
EUA - em 1991,
mulheres tinham defasagem salarial de 28% em relação
aos homens
França
- mulheres ganham em média 80,8% do salário recebido
por um homem na mesma função
Grã-Bretanha
- a renda das mulheres representava 69,5% dos salários masculinos
dos anos 80
Hong Kong -
salários de mulheres chegam a 70% da remuneração
dos homens
Japão
- um recorde negativo: salário feminino representa 43% de
uma remuneração masculina
Singapura -
a mão-de-obra feminina recebe 56% do que é pago à
masculina.
A questão
não é só dinheiro - Nem nos Estados Unidos,
que apresenta esse progresso da legislação, o homem
é menos inseguro do que no Brasil, quando se trata de ganhar
menos que a mulher.
Basta verificar
por exemplo as mensagens femininas postadas em sites como o www.iVillage.co.uk
, lançado em Londres no início de novembro de 2000
e que teve um investimento de US$ 66 milhões. São
muitas as mensagens de mulheres preocupadas com o futuro do relacionamento
conjugal porque recebem remuneração maior que as dos
maridos.
Sofram mais
ou menos os homens e as próprias mulheres, o avanço
dessas no mercado é visível. Na Inglaterra, espera-se
que, em 2005, 60% do mercado consumidor seja formado por mulheres.
No Brasil, a participação da mulher em funções
de liderança no mercado de trabalho está crescendo
rapidamente, e o cadastro do Grupo Catho testemunha este crescimento.
Dos 283.995 executivos atualizados nos 12 meses anteriores a setembro
de 2000, as mulheres representavam 27,6% - eram apenas 23,9% um
ano e meio antes.
Na função
de presidente, executivo principal, gerente geral ou equivalente,
as mulheres representavam 8,1% do universo em 1995, passam a ser
10,3% em 1997, 12% em 1999, e já são 13% em 2000.
Ou seja, nos últimos cinco anos, houve um aumento percentual
de 60,5% na participação de mulheres em posições
de cúpula.
Áreas
de atuação preferidas pelas mulheres - As mulheres
têm tido participação aumentada em todas as
áreas de atuação, mas continuam evitando a
área industrial e de engenharia, histórica e culturalmente
de domínio masculino. A tabela seguinte mostra a participação
de mulheres por área funcional:
| |
Área
de atuação |
%
de executivos do Sexo feminino |
|
| |
Presidencial |
16,3 |
|
| |
Administrativa-financeira |
26,8 |
|
| |
Comercial |
19,8 |
|
| |
Processamento
de dados |
20,8 |
|
| |
Relações
Públicas |
44,6 |
|
| |
Suprimentos/compras |
16,6 |
|
| |
Jurídica |
29,7 |
|
| |
Industrial/engenharia |
10,5 |
|
| |
Recursos
humanos |
45,1 |
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A mulher
no mercado de trabalho - A mulher executiva é mais estressada
do que o homem: 53% delas (contra 43% dos homens) admitem que sofrem
muito estresse com freqüência ou intenso estresse continuamente.
Não há dúvida de que a maternidade, e a conseqüente
jornada dupla da mulher executiva, é um fator de aumento
desse estresse.
Ao mesmo tempo, a mulher executiva é mais otimista e mais
positiva em relação ao futuro que o homem. Em relação
ao clima organizacional da empresa, 58,3% das mulheres que responderam
a nossas pesquisas consideram o clima bom, contra 54,4% dos homens.
Até no otimismo as mulheres estão ganhando.
(Joaquim Maria
Botelho e Thomas A. Case)
* As informações
apresentadas neste artigo constam do capítulo "Ser mulher
no mercado executivo", do livro Gerenciamento da carreira do
executivo brasileiro: uma ciência exata, de autoria de Thomas
A. Case e Joaquim Maria Botelho.
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BIOGRAFIA
Joaquim Maria Botelho é jornalista, especializado
em Jornalismo Internacional e Fotojornalismo pela Universidade
de Wisconsin, nos Estados Unidos. Atualmente é
Gerente de Comunicação do Grupo Catho.
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Brasil, país de empreendedores
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