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Como sobreviver a um mau chefe
Todo mundo já
teve pelo menos um mau chefe na vida. Só quem sobreviveu
foi que passou pelo teste corporativo mais cruel, e pode seguir
carreira com mais confiança e segurança. Mas, acredite,
a experiência deixa marcas, não apenas nos empregados,
mas na própria empresa.
Consultamos
Jill A. Searing e Anne B. Lovett, para verificar o que os especialistas
em Recursos Humanos recomendam para as pessoas que estejam enfrentando
chefes ruins.
Antes de mais
nada, é preciso verificar algumas condições.
Na empresa vale mais o relacionamento ou o conhecimento?
Constatação - Se a empresa dá mais valor às
habilidades de relacionamento do que à capacidade profissional
para promover alguém a um cargo de chefia, o que possivelmente
acontece é que o seu chefe tem excelente trânsito junto
à alta direção, conhece as pessoas certas,
e, apesar de ser péssimo líder, tem bom conceito na
empresa.
Alternativa – Se o chefe tem o apoio da direção da
empresa, não há saída, a não ser procurar
um novo emprego ou suportar a situação.
Atitudes recomendadas:
* Mantenha a sua rede de contatos funcionando para uma possível
rota de fuga
* Mantenha-se discreto – não se amotine
* Seja tão competente que não seja possível
encontrar motivos para perseguir você
* Pense em como está aprendendo sobre tudo o que não
deve ser feito
* Faça o chefe pensar que ele é tão bom que
merece ser promovido ou que deve aceitar um convite de fora da empresa
– quem sabe acontece isso mesmo?
Vantagens – Pode não parecer, mas existe um lado bom em ter
um chefe ruim: você pode observar o que ele faz de errado
e aprender a fazer o certo. Além disso, se sobreviver, passará
a ser considerado um funcionário que lida bem com situações
difíceis.
O chefe é seu amigo?
Constatação - Você e um amigo começaram
a trabalhar na empresa. Ele apresentou características mais
interessantes para a gerência e foi promovido a uma função
de chefia. Você passou a ser subordinado dele, mas percebeu
que ele se tornou um péssimo chefe.
Alternativa – Você pode falar com ele abertamente e mostrar
que está insatisfeito. O risco, aqui, é que a chefia
tenha se tornado tão importante para ele que esteja disposto
a sacrificar até mesmo a amizade para mantê-la. Nesse
caso, a sua queixa não será ouvida ou, pior, você
ainda poderá sofrer retaliação.
Atitudes recomendadas:
* Só abra o seu coração se perceber que será
ouvido da maneira que espera
* A fase da tirania possivelmente passará - espere
* Muita gente vai estar observando para ver como você se sai
da situação, já que é amigo do chefe
– faça o que fizer, pense em deixar as pessoas orgulhosas
de você
* Pense em como está aprendendo sobre tudo o que não
deve ser feito
Vantagens – A situação é ruim mas você
pode evitar que ela fique pior. Se você não for ouvido,
o problema, em última análise, não é
seu. Siga a sua vida e aproveite para aprender com a experiência.
O chefe não lidera?
Uma leitora do jornal Carreira & Sucesso de Belém do
Pará enviou o seguinte relato:
"Trabalho
na parte de informática de uma grande empresa, faço
a parte de controles, mas para isso preciso ficar cobrando todos
sempre. Se não cobro, tudo se desorganiza. Às vezes
penso em não me envolver tanto, justificar que não
me foi passado, mas me sinto na responsabilidade de ter as informações
certas. Isso faz com eu me torne chata para muitos dos meus colegas.
Fico muito indecisa, pois não quero prejudicar ninguém,
mas também não quero passar para os diretores informações
incertas. Como deveria agir? É certo como faço?
Temos reuniões diárias nas quais, infelizmente, tenho
que ficar sempre tomando a iniciativa. Se não faço
isso, todos ficam quietos e a reunião não sai. Devo
continuar liderando, mesmo sem ser minha função?"
Constatação – A leitora está sendo premida
moralmente a entregar o trabalho, mas sente que a maneira de agir
está errada, tanto que teme se tornar desagradável
para com os colegas. Sem a função de chefia mas obrigada
a buscar informações dos colegas, a leitora está
correndo o risco de assumir tarefas e compromissos que não
são dela.
Alternativa – Claro que a leitora deve expor aos diretores o que
está sentindo, e logo, antes que o problema cresça
e tome proporções insustentáveis, tanto para
ela quanto para o grupo. O problema deve ser exposto com calma,
sem angústia, sem choro, sem raiva. Ela deve tentar expô-lo
naturalmente e lembrar os diretores de que quer melhorar o sistema
em prol do grupo, e não de si mesma.
Vantagens – A situação aparentemente ruim pode ser
muito proveitosa se a leitora souber se colocar numa posição
de liderança natural e implantar um sistema inteligente de
levantamento de informação que agrade a todos. Talvez
seja a sua chance de brilhar.
E o que pensa o chefe?
Vamos enumerar algumas atitudes que incomodam qualquer chefe, seja
ele bom ou mau, competente ou não. Talvez esse entendimento
auxilie você a se posicionar em relação ao comportamento
dele.
Atitudes que nenhum chefe aprova
Freqüentemente é difícil entender o que o chefe
quer que seja feito, ou porque ele não é do tipo que
fala muito, ou porque ele tem dificuldade de passar ordens claras,
ou porque nunca tem tempo. Mas algumas coisas não se deve
nunca fazer, seja quem for o chefe:
* Não contar para ele problemas que você sabia existirem
há algum tempo
* Não manter confidenciais as informações confidenciais
* Atrasar-se para as reuniões
* Desrespeitar prazos e não avisar que vai se atrasar com
o trabalho
* Tomar meia-hora do tempo dele cada vez que pedir um minuto
* Quebrar promessas
* Culpar outras pessoas pelos seus fracassos
* Mudar uma coisa combinada com ele sem conversar antes
* Queixar-se dele para todo mundo, menos para ele mesmo
Funcionários que, em geral, o chefe despreza
Há muitos casos em que o funcionário está errado,
não consegue enxergar isto, e vive botando a culpa no chefe.
Faça uma análise do seu próprio desempenho
e do seu próprio comportamento. Talvez as coisas melhorem
muito se você mudar um pouquinho, não para agradar
o chefe, mas para melhorar a sua vida profissional. Veja quem o
chefe, normalmente, censura:
* Aquele que só faz o que mandam
* Aquele que não se relaciona com os colegas
* Aquele que só faz o seu trabalho
* Aquele que não gosta de novidades
* Aquele que só convive com a própria "panelinha"
* Aquele que acha que tudo é politicagem
* Aquele que não se arrisca
* Aquele que prefere ficar invisível
* Aquele extremamente assíduo, mas que não inova
* Aquele que jamais se oferece para ajudar na hora do almoço
ou depois do trabalho
* Aquele que não vibra com coisa alguma
Construir alianças
Qualquer que seja a situação que você enfrente,
o mais importante é que você não interrompa
jamais os seus contatos. Relacione-se. Encontre pessoas. Divulgue
o seu talento e a sua competência. Não tenha vergonha
– você não vai a reuniões sociais ou a encontros
onde estão as pessoas importantes com o objetivo de procurar
emprego, mas de deixar que as pessoas saibam que você existe,
que você é bom profissional e que está querendo
evoluir. Essas pessoas certamente se lembrarão de você
se identificarem no futuro possibilidades de trabalho para alguém
do seu perfil. Nossas pesquisas mostram que 25,5% das contratações
de executivos são originadas de indicações.
Talvez o mau
chefe deixe você desestimulado, desanimado, mas não
permita que uma situação com certeza temporária
prejudique toda a sua carreira. E, mais importante ainda, aprenda
com os erros dos outros – não repita os defeitos que você
censura em seu chefe. Não se esqueça de que o bom
relacionamento é a quarta característica mais importante
na análise do perfil do candidato ideal, segundo as empresas
(em primeiro está a experiência técnica, em
segundo os resultados alcançados no emprego anterior e em
terceiro a experiência em supervisionar pessoas).
Os contatos
que você fizer nessa rede de alianças poderão
perdurar para o resto de sua carreira. Depende de como você
alimenta esses contatos e não os deixa enfraquecer. E quem
sabe o seu próprio chefe – que um dia você considerou
chato e desagradável – não se revelará um perfeito
aliado para o futuro?
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BIOGRAFIA
Joaquim Maria Botelho é jornalista, especializado
em Jornalismo Internacional e Fotojornalismo pela Universidade
de Wisconsin, nos Estados Unidos. Atualmente é
Gerente de Comunicação do Grupo Catho.
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