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Você é do tipo que tem várias habilidades?
A maioria das
pessoas tem uma vocação única, mas apresenta
habilidade para várias ocupações. A compreensão
dessas habilidades define a melhor escolha possível da carreira
profissional.
Quando dizemos
habilidades, queremos dizer competências - natas ou desenvolvidas
- para executar determinados trabalhos, ou mesmo nas atividades
de lazer, sejam tarefas rotineiras ou projetos complexos. Muitas
competências podem ser aprendidas, algumas mais facilmente
que outras, em razão de configurações genéticas,
mas também por causa da educação. O ideal,
em qualquer carreira, é que o indivíduo busque se
especializar naquela habilidade para a qual apresenta maior vocação,
mas que não deixe de aperfeiçoar todas as outras para
as quais tiver tendência.
Os especialistas
David Borchard, John J. Kelly e Nancy-Pat Weaver dividem essas habilidades
em três categorias: funcionais, de autogerenciamento e de
conhecimento especial.
Habilidades
funcionais
Habilidades
funcionais são aquelas hereditárias, aperfeiçoadas
pela experiência e pelo aprendizado. Incluem-se nestas categorias
atividades como empreender negócios, negociar contratos,
criar serviços novos, diagnosticar problemas interpessoais,
consertar máquinas, calcular impostos, treinar atletas, tomar
decisões, analisar amostras e anunciar para clientes. Portanto,
o indivíduo que tem o potencial latente e se aplica em desenvolvê-lo
consegue efetivamente a habilidade funcional.
O exemplo pode
ser visto apenas observando crianças: muito cedo elas já
mostram para quais atividades apresentam tendências - algumas
preferem construir brinquedos, outras se dedicam mais aos computadores,
outras ao desenho, outras aos números e aos cálculos,
outras ainda à música. Cabe aos pais incentivar o
desenvolvimento das habilidades indicando as escolas mais adequadas,
orientando nas brincadeiras que possam auxiliar e oferecer material
de leitura que suporte o interesse.
O problema se
apresenta quando a pessoa decide erradamente: de um lado pode investir
no desenvolvimento de uma habilidade que pensa que tem mas não
tem, ou de outro lado não desenvolve uma habilidade porque
não sabe que tem potencial para ela. Em ambos os casos, a
frustração ocorre.
Essas habilidades
funcionais, inerentes à personalidade do indivíduo,
melhoram à medida que o tempo passa, desde que seja aplicada
uma dose de esforço para desenvolvê-las.
No mercado de
hoje, cada vez mais se buscam funcionários especializados.
Existem testes psicológicos para identificação
de vocações e de habilidades. E não é
raro haver pessoas que descobrem, nesses testes, mais de 200 habilidades
que desconheciam em si mesmas.
Uma das forma
de identificar essas habilidades é o simples questionamento.
Pense e responda esta pergunta: Em que situações você
se sente mais animado e cheio de energia? (Decorando uma casa? Instalando
uma prateleira? Consertando o seu carro? Calculando o imposto de
renda?) Uma outra pergunta: Em que situações você
se sente mais confiante e capaz? (Quando escreve um memorando? Quando
faz uma palestra? Quando elabora um projeto?)
Habilidades
de autogerenciamento
Habilidades
de autogerenciamento são, na verdade, características
individuais que podem ser desenvolvidas e que fazem da pessoa o
indivíduo único que ele é: enérgico,
determinado, rápido, independente, ético, entusiasta,
responsável, metódico, cuidadoso.
O especialista
John Crystal diz que as habilidades funcionais são aquelas
que fazem com que o empregador nos contrate e as habilidades de
autogerenciamento são aquelas que fazem com que o empregador
nos demita. Isto é verdade, é claro, somente quando
as nossas habilidades não preenchem as expectativas do empregador
numa determinada atividade. Por exemplo, o artista criativo (funcional)
pode ser minucioso demais (autogerenciamento) e incomodar o dono
da agência. Ou o gerente de custos hábil em cálculos
(funcional) se mostra muito agitado (autogerenciamento) num ambiente
de muita calma, e o empregador fica desapontado.
As características
de autogerenciamento não qualificam ninguém para uma
determinada função, mas atuam complementarmente para
fazê-lo ter sucesso. Observe-se que, na maioria dos anúncios
de emprego, o empregador pede, além das qualificações
técnicas, também algumas qualidades pessoais, como
iniciativa, habilidade de relacionamento, extroversão, pontualidade,
ambição, otimismo, etc.
Algumas dessas
habilidades são universalmente aceitas mas, mesmo assim,
podem não ser adequadas ao tipo de trabalho que se objetiva.
Uma pessoa alegre, cheia de energia, deve ser excelente para muitos
ambientes de trabalho, mas não se daria bem para atendimento
ao público em uma funerária, por exemplo.
Por isso, é
necessário haver combinações razoáveis
para o prenúncio de sucesso de uma carreira: o vendedor deve
ser assertivo, corajoso, ambicioso, entusiasta e dinâmico;
o engenheiro deve ser astuto, curioso, determinado, preciso e capaz
de concentração. O jornalista deve ser crítico,
ético, criativo, despojado e justo.
Habilidades
de conhecimento especial
Você com
certeza conhece pessoas que não sabem dirigir (funcional)
mas entendem tudo de mecânica (conhecimentos especiais)? Ou
o fulano que não joga tênis (funcional) mas que tem
todas as informações sobre o esporte, conhece regras,
acompanha os jogos, sabe o ranking, preços de raquetes (conhecimentos
especiais)?
Esses conhecimentos
especiais podem ser importantíssimos num momento em que você
decida mudar de emprego. Não seria excelente para este indivíduo
do exemplo acima trabalhar como redator em uma revista especializada
em tênis? Ou para o sujeito do exemplo anterior usar as suas
economias para comprar uma oficina mecânica?
Em resumo, todo
mundo tem habilidades. Basta aprender a reconhecer as suas, aquelas
características únicas que o distinguem do resto do
mundo. Isto permitirá planejar a sua vida profissional e
o ajudará a entender porque às vezes as pessoas têm
problemas no trabalho e porque às vezes conseguem o sucesso.
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BIOGRAFIA
Joaquim Maria Botelho é jornalista, especializado
em Jornalismo Internacional e Fotojornalismo pela Universidade
de Wisconsin, nos Estados Unidos. Atualmente é
Gerente de Comunicação do Grupo Catho.
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