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Maneiras de lidar com o chefe
A maior parte
das pessoas passa oito horas no trabalho. Portanto, as condições
em que deve se desenvolver o trabalho são tão importantes
quanto as condições da própria casa da pessoa.
Por exemplo, as condições físicas: o carpete
não deve dar alergia, o calor não deve ser intenso
nem o frio cruel, a luz suficiente, os ruídos suportáveis
e a ventilação adequada.
Mas as condições
de trabalho, que podem implicar desgaste emocional, talvez sejam
até mais importantes. Cheque você mesmo as condições
em que você atua no seu ambiente profissional:
Quais são
minhas tarefas diárias?
Eu trabalho sobre pressão do tempo?
Sou responsável pelo trabalho dos outros?
O meu cargo e o meu título são importantes para mim?
Quanto tempo quero permanecer neste cargo ou na empresa?
Quais são meus objetivos de curto, médio e longo prazo?
Que quero: mais dinheiro ou mais realização?
Se você
tem respostas conscientes para essas perguntas, tem metade do caminho
percorrido para enfrentar e superar problemas de relacionamento
dentro da empresa, especialmente com seus superiores.
Emoção
e racionalidade nas relações profissionais
A inspiração
para este artigo vem do trabalho do psicólogo norte-americano
William Lareau, ex-gerente de marketing da ITT e atualmente trabalhando
como consultor de planejamento de carreira em Glenside, Califórnia
(EUA).
No seu livro
"As regras não-escritas para uma carreira de sucesso",
o autor faz uma abordagem muito franca das atitudes esperadas de
um executivo dentro de uma empresa. No capítulo que trata
do relacionamento com os chefes, ele faz algumas considerações
sobre o que considera ser o segredo para se sair bem numa empresa.
Segundo ele, a pior coisa que pode acontecer para a carreira de
alguém é um chefe predisposto, mal intencionado ou
que apresente resistência contra você. "Aí
você não tem escolha", diz William Lareau, "a
não ser interagir com ele todos os dias, e quem sabe todas
as horas."
Às vezes,
nada do que você faz dá certo, e o chefe está
sempre contra. Pense bem, porque o problema pode ser você,
seu trabalho ou seu comportamento. Se não for, você
tem um chefe ruim - e não é difícil que um
funcionário inepto, mal preparado, mal educado, grosseiro
e incompetente acabe virando chefe por força de política
empresarial. São dois desastres de origens diferentes, mas
de resultados igualmente maléficos.
Nas duas situações,
Lareau recomenda algumas regras, sabendo que na relação
chefe-funcionário há sempre o risco de uma grande
dose de tirania e subserviência de um lado e de outro - e
nesse caso, seguir as emoções é uma forma garantida
de entrar em conflito. Mas assegura que, se as regras forem seguidas
à risca, certamente a sua carreira é que sairá
ganhando:
Faça
o mínimo contato possível com seu (sua) chefe.
Não ceda ao que todos fazem, que é tentar ser notado
pelo chefe. Faça o seu trabalho bem feito mas fique tão
longe dele quanto puder. Se ele se dirigir a você, tente não
mostrar reações intensas, como embaraços e
surpresas; não levante problemas e não interrompa
quando ele falar. Se você vai à sala do chefe desnecessariamente,
procurando afagos, pode sobrar para você serviços e
indagações que você pode não estar pronto
nem para fazer nem para responder.
Mostre-se impressionado
com a carga de trabalho do seu chefe.
Chefes são como outros trabalhadores: muitos deles são
limitados. E como muitos trabalhadores, às vezes nem têm
muito o que fazer, embora sempre pensem que estão sobrecarregados
de trabalho. Sutilmente, diga de vez em quando que você não
entende como ele consegue fazer tudo o que faz. Chefes desse tipo
sempre dão sinais de que querem reconhecimento. Falam da
mesa que não pára limpa de papéis, referem-se
casualmente à quantidade de trabalho que o diretor ou o presidente
lhe mandam todos os dias. Mas cuidado, porque alguns deles morrem
de culpa do pouco que fazem, e podem entender o seu comentário
como ironia.
Não estreite
relacionamentos pessoais de amizade com o chefe.
Você já é dependente do seu chefe para muitas
coisas, como delegação de competência, bom desempenho,
aumentos salariais. Não aumente a esta lista o que Freud
chamava de "formação de reação"
- que funciona mais ou menos assim: meu chefe é duro comigo,
mas se eu for agradável para com ele, ele melhora. O resultado
pode ser funesto, porque se ele se aproxima de você fora do
trabalho, pode avaliar todas as suas atitudes extra-empresa com
relação ao seu desempenho profissional, e isso não
é bom.
Alguns chefes
procuram arrancar informações pessoais dos subordinados,
até para ter como dizer que têm os mesmos problemas
que eles. Esses são os mais perigosos. Enxergue seu chefe
como um fulano estranho, perigoso e imprevisível. Se você
perder essa perspectiva, vai ter problemas.
Dê sempre
a impressão ao seu chefe de que o departamento que ele comanda
é o mais importante da empresa.
As pessoas, normalmente, se identificam mais com o seu grupo mais
imediato do que com a organização como um todo. Essa
perspectiva os faz defender e perpetuar normas e regras do grupo
com um fervor que jamais demonstram pela empresa. Respeite isso.
Regularmente
agradeça o (a) chefe pela liderança e apoio.
Chefes geralmente se sentem mal se julgam que não dão
ao funcionário o apoio que deveriam, mesmo que o façam.
Chefes ruins, por sua vez, sempre acham que sua presença
ocasional é bom para incentivar as tropas.
Quando você
agradece o bom chefe, reduz a sua culpa e a percepção
é positiva. Quando você agradece um chefe ruim por
um apoio que não existiu, você mantém a culpa
dele num nível aceitável, e ao mesmo tempo pensará
em você como um sujeito esperto, porque perceberá por
trás do seu elogio alguma coisa que ele não saberá
identificar direito. O comentário, porém, tem que
ser sutil para que você não pareça um puxa-saco
comum.
Jamais discuta
com o seu (sua) chefe sobre qualquer coisa.
Você não vai ganhar nunca, porque uma vez que ele firmou
pé em uma decisão, não voltará atrás.
Sua insistência só o fará vê-lo como uma
pessoa negativa e desagradável. Ao primeiro sinal de reação
negativa, encerre a sua argumentação o mais diplomaticamente
possível. Não será bom ser lembrado como aquele
funcionário que sempre discorda do chefe.
Nunca tente
se defender quando o chefe o estiver admoestando.
Deixe que o chefe termine seu discurso e depois, humildemente, admita
o erro, garantindo que não se repetirá. Boa parte
da raiva dos chefes, nesse momento, se deve ao temor de que você
reagirá e criará uma cena. Por isso tentam ser ásperos
de modo a evitar revide.
Se você
não reage mal, ele ficará aliviado e terá uma
percepção positiva de você. E que aumentará
quando descobrir que o erro não foi seu. Isso lhe trará
culpa por ter sido injusto e da próxima vez mais tratar de
ser mais cuidadoso antes de acusar alguém.
Nunca diga nada
negativo sobre qualquer coisa ao seu chefe.
Palavras negativas criam conflitos, sempre. Primeiro porque fazem
com que as pessoas se sintam desconfortáveis. Segundo porque
os chefes sempre acham que eles são os responsáveis
por tudo que acontece na empresa, e portanto se sentirão
direta ou indiretamente atacados.
Termine primeiro
o que o chefe pediu, e depois volte à sua rotina.
Manter o seu chefe imediato contente é uma das melhores maneiras
de vencer os desafios em uma organização. Faça-o
ver que ele é a sua mais alta prioridade, assim ele se sentirá
aliviado e relaxará com relação a você.
Nunca apresente
ao seu chefe uma oportunidade inequívoca de dizer sim ou
não.
Não dê ultimatos, porque os chefes costumam ter uma
relação quase religiosa com o sim e com o não.
E tendem mais pelo não, porque isto mostra, na visão
dele, o quanto é firme, bravo e poderoso.
Faça
diferente. Diga que preparou o projeto segundo todas as orientações
dele e que está deixando o material apenas para que ele reveja
e assine. (Se está do jeito que ele mandou fazer, como vai
dizer não?)
Quando o chefe
elogiar o seu trabalho, não se esqueça de dividir
com ele a glória.
Ah! Obrigado, mas sem a sua orientação teria sido
muito mais difícil fazer o projeto.
Não se
abra nunca, nem seja ingênuo com o seu chefe.
O chefe pode te pedir: "Olhe, gostaria que você dissesse
sinceramente o que acha da maneira que estou gerenciando o grupo".
Mesmo que você tenha motivos para criticar, se obedecer e
for sincero vai cair em perigo mortal. Todas as possibilidades indicam
para a direção de que o chefe não gostará
de ouvir a verdade. Ou, mesmo que goste, você correrá
risco, porque jamais poderá ter certeza. Uma boa resposta
pode ser a seguinte: "Ah! Acho que o senhor está fazendo
o melhor que pode com os recursos que tem..."
Não reclame
nunca dos seus subordinados para o seu chefe.
O que as pessoas fazem ou deixam de fazer são reflexos maiores
ou menores de sua autoridade ou de sua competência para liderar.
Portanto, cuidado. Criticar os seus subordinados para o seu chefe
pode fazer com que ele duvide de você.
Não dê
palpites. Espere que a sua opinião seja solicitada.
Muitas vezes, só ficar longe do chefe não resolve.
Você deve também limitar o volume de informações
não solicitadas para ele. Entregue o que ele pedir, bem feito
e depressa, mas não mais do que isso.
Não
fique na chuva
Alguns chefes,
em decorrência da pressão que sofrem, de desequilíbrio
de ordem familiar ou outras razões, ficam perturbados. Para
essas pessoas, não será possível separar o
bom do ruim. Por outro lado, é tão difícil
para um funcionário perceber que o chefe está perturbado
quanto é para um criança reconhecer que o pai ou a
mãe esteja errando. Um outro pesquisador, o médico
Stephen Cohen, recomenda que a atitude, por via das dúvidas,
seja a da neutralidade.
Se você
quer manter seu emprego, aja como se estivesse tentando ficar fora
do alcance de uma tempestade. Concentre-se no seu trabalho - o que
não fará de você um alienado. Fale só
de trabalho, e permaneça indiferente aos rompantes do chefe.
Se não o fizer, pode estar assimilando estresse e decepção
- isto sim fará mal até à sua saúde.
Examine a sua
situação. Se entender que vale a pena engolir um pouco
de desconforto para manter o emprego, lembre-se de que você
trabalha 40 horas por semana, mas fica fora dele 128.
Os comentários
do psicólogo William Lareau e do médico Stephen Cohen
podem parecer corolários da subserviência, mas em verdade
são sugestões de atitudes verdadeiramente ponderadas
e racionais. A pessoa que conseguir lidar com as emoções
a ponto de seguir a regras que ele sugere em seu livro, certamente
será capaz de ter sucesso na carreira.
Cabe ao leitor
avaliar e decidir se vale a pena tentar.
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