|
Não compactue com a fofoca
O fascínio do boato é irrefutável.
As pessoas adoram falar sobre coisas que outras pessoas estão
fazendo, adoram contar histórias sobre outras pessoas. O
problema é que esse falatório pode levar a prejuízos
pessoais, profissionais ou, no mínimo, mágoas. É
sempre melhor evitar se envolver em boatos.
Falar é
próprio do ser humano. Se não houvesse conversas entre
as pessoas que trabalham juntas, o ambiente seria de um silêncio
de túmulo, incômodo e inconveniente. Comentar incidentes
interessantes ou engraçados sobre colegas não precisa
ser necessariamente tabu. Um certo controle, no entanto, precisa
ser feito sobre itens de conversação que podem causar
dano ou ferir alguém, não importa se o dano ou mágoa
são pequenos.
Para medir o
distanciamento do mau hábito da fofoca é preciso conseguir
responder sim às seguintes perguntas: Você se pergunta
se a informação é útil, necessária
e justa, antes de repassá-la? Ao receber involuntariamente
uma informação que não precisa ter a respeito
de um colega ou alguém do escritório, você guarda
a informação para si mesmo? Você evita divulgar
informações se não tem certeza de que tenham
fundamento? Se a informação ajuda na sua carreira,
você a usa, desde que não prejudique outra pessoa?
A inutilidade
do boato
O mais típico
dos boatos raramente contém informações aproveitáveis.
Além de acabarem oferecendo material para discussões
ainda mais inaproveitáveis. Um exemplo: numa empresa sem
fins lucrativos vazou a informação de que o chefe
estará saindo em um mês para assumir função
em outra empresa. Aí, todo mundo da empresa que se julga
apto a ocupar o cargo começa a discutir as razões
pelas quais se considera qualificado para assumir.
Não é
essa discussão que vai definir, ou mesmo ajudar a definir,
quem será o substituto. A rede de conversas que se estabelece
não serve para nada - a não ser para criar falsas
expectativas, gerar ansiedades, angústias e estremecer relações
entre as pessoas.
Imagine, dentro
da mesma situação, que você é uma dessas
pessoas com potencial para a nova função e é
chamado pelos dirigentes da empresa para conversar. Você deixa
escapar que está disponível para assumir a função,
confessando assim que a sua disposição se baseia em
boatos, visto que a saída do chefe não está
oficialmente declarada. Isto pode levar você a não
ser considerado qualificado para a posição. Ninguém
gosta de chefe fofoqueiro.
A melhor saída
para, nesse caso, seria contar com o apoio de alguém de fora
da empresa, com acesso aos dirigentes, para sugerir o seu nome.
Assim você não se comprometeria. Por outro lado, se
não checasse a veracidade da informação, ainda
estaria baseando suas atitudes em suposições.
Os aproveitadores
Tem gente que,
por causa do coração mole e do caráter gentil,
está sempre pronto para oferecer ombro e atenção
aos colegas em situações difíceis. E, quem
está passando por um momento difícil quase nunca se
previne. Acaba falando abertamente sobre seus problemas a um ouvinte
simpático, mesmo que essa pessoa não seja usualmente
do seu convívio.
Pessoas de índole
distorcida podem usar as informações que obtiveram
em momentos como esses para conseguir, lícita ou ilicitamente,
vantagens dentro da empresa. Com essas pessoas é preciso
cuidado, mas raramente é possível identificar em tempo
quem tem bom caráter.
Para não
ter surpresas, a recomendação é ser muito cuidadoso
com as confidências feitas a colegas de trabalho, especialmente
se estiver enfrentando um período de estresse ou de problemas.
Nunca se sabe qual colega pode ser um aproveitador.
Escolha os amigos
para as confidências. Escolha pessoas em quem haja efetivamente
razões para confiar quando quiser abrir o coração.
Colegas de trabalho que não são ou não atingiram
ainda nível de amizade não devem ser procurados para
este fim.
Ética
Há muitas
coisas, no mundo dos negócios, que são perfeitamente
aceitáveis dentro do ambiente de trabalho, mas que ninguém
aplicaria na vida pessoal. Por exemplo: a tolerância que é
preciso ter com pessoas incompetentes, intratáveis ou grosseiras.
Há muitas
coisas que são perfeitamente aceitáveis tanto no ambiente
de trabalho quanto na vida pessoal. Um exemplo é a seleção
de fornecedores de maneira estrita e rigorosa, em que se deixa a
amizade de lado para privilegiar a competência, a qualidade
do serviço e do atendimento.
E há
coisas que ninguém aceita, nem no trabalho nem em casa. Gente
que se aproveita de boatos para obter benefícios para si
próprio, por exemplo, não é bem vista em lugar
algum.
Se se é
um profissional valioso, não precisa se apoiar em boatos
para ser reconhecido e crescer no ambiente de trabalho, terá
mais tempo para se dedicar ao que verdadeiramente é importante
para a empresa. E é assim se destacará e terá
sucesso em sua carreira.
|