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Você pode estar cometendo erros na sua busca por emprego
Qualquer pessoa
pode cometer erros durante o período em que estiver buscando
emprego, considerando ofertas de trabalho ou negociando propostas.
Especialmente a pessoa que está desempregada, porque possivelmente
ela estará com a auto-estima prejudicada, a autoconfiança
abalada e, sujeita a pressões pela falta de dinheiro, pela
cobrança do grupo social ou pela própria percepção
de si mesma.
Alguns erros
também não passam de enganos. Por exemplo, mandar
um currículo de mais de duas páginas pode ser um erro
para a maioria das profissões, mas se se é candidato
a uma vaga de professor universitário, pesquisador científico,
advogado ou a um cargo de alta gerência, certamente é
mais indicado enviar o seu currículo com o conteúdo
mais detalhado possível, incluindo relação
de artigos publicados, teses defendidas, causas importantes ou projetos
que tenha comandado e implementado.
Erro, pois,
é relativo. Mas algumas atitudes podem prejudicar a procura
de emprego. Por exemplo: responder a todos os anúncios que
aparecerem. Apenas uma em cada dez vagas de emprego é anunciada
- nove são preenchidas por indicação, recrutamento
interno ou remanejamento de pessoal. Ao mesmo tempo, apenas um percentual
das vagas anunciadas prestam, porque muitos anúncios se referem
à pesquisa de salários, empregos temporários,
vendas à base de comissão, aventureiros.
Uma sugestão
é fazer um filtro muito sério de todos os anúncios
que se vê, por exemplo, nos jornais de domingo. Selecionar
as 10 vagas consideras as melhores e concentrar nelas. Pode-se até
mandar currículos para as outras vagas, mas a essas dez é
preciso dar especial atenção e cuidado.
Ligar para a
empresa (se não for anúncio fechado ou confidencial,
sem identificação do empregador) e procurar descobrir
com a área de recursos humanos ou assessoria de imprensa
qual o negócio da empresa; a vantagem competitiva diferenciada
que a empresa oferece em relação ao mercado de trabalho;
os dois maiores problemas ou desafios que a empresa enfrenta no
momento; o que a alta gerência procura quando seleciona pessoas
para trabalhar; informações técnicas sobre
a empresa.
Se o anúncio
for fechado e não se souber quem é o empregador, melhor
não mandar currículo. Em vez disso, mandar uma carta,
mostrando que preenche todas as exigências do anúncio.
Deixar claro, no final da carta, que o currículo será
levado para a entrevista. Se quiser, mandar uma carta parecida dois
ou três dias depois, avisando que é um segundo envio.
Um grande erro
é centrar os objetivos em si mesmo. Imagine que esteja buscando
uma vaga de gerente comercial e encaminhando um currículo
para uma empresa. É bom observar a diferença entre
essas duas abordagens no currículo: obter posição
gerencial que permita crescimento profissional, com responsabilidade
pela área de Venda. O objetivo de outro colocado de outro
jeito: duplicar ou triplicar as vendas de bens manufaturados, com
base em estratégia clara e progressista de negócios.
Um outro exemplo,
para comparação: posição administrativa
em que se possa maximizar lucros e minimizar duplicação
de esforços, liderando equipe de moral elevado e com produtividade
ou executar um trabalho administrativo corretamente e no prazo previsto
da primeira vez, de maneira solicitada pelo cliente. O correto,
no entanto, seria colocar em destaque no currículo a vantagem
mais poderosa que se pode trazer para a empresa para a qual está
se candidatando. Mostrar o que se pode fazer por ela, e não
o que quer que ela faça por você. O restante do currículo
só deve comprovar o que foi colocado como objetivo.
É um
erro procurar somente vagas em aberto. Chamam-se vagas em aberto
posições dentro de uma empresa que ficam vagas quando
alguém morre, se aposenta, se demite ou é demitido,
e para as quais ninguém dentro da companhia se interessa.
Muitas pessoas que estão procurando empregos se concentram
em descobrir estas vagas que são abertas para imediatamente
se candidatarem.
Nossas pesquisas
revelam que as melhores oportunidades de emprego surgem de vagas
novas, posições que não existiam antes na empresa.
Junta-se a isso a informação de que apenas dez em
cada 100 ofertas de emprego são anunciadas. A chave do sucesso
está em conhecer a si mesmo e saber claramente o que se quer
da sua carreira. Isso deve estar tão claro que ao conversar
com as pessoas da sua rede de contatos pessoais, fale com segurança
em si mesmo e em seu trabalho. Assim, o potencial empregador pensará:
"Puxa, que vaga poderei abrir para poder ter essa pessoa trabalhando
comigo?"
Outro grande
erro é manter contatos ineficazes. É errado achar
que estabelecer uma rede de contatos é simplesmente se aproximar
de pessoas para perguntar: "Hei, você sabe de alguma
vaga dentro da empresa em que você trabalha?"
Fazer parte
de uma rede de contatos é estabelecer uma aproximação
produtiva com pessoas a quem se possa contar a respeito das suas
qualidades profissionais, discutir eventuais imperfeições
da sua carreira a fim de melhorar e divulgar o fato que está
em busca de uma nova colocação.
Encontrar pessoas
é uma coisa; causar a impressão correta é outra.
Participar de grupos não significa, necessariamente, chegar
mais perto de uma vaga de emprego. Mas se as pessoas encontradas
ficam bem impressionadas, percebem um diferencial profissional importante
e sabem da sua competência, aí sim estará construindo
pontes que poderão levá-lo a algum lugar, no futuro.
De novo: jamais pode-se conseguir uma segunda chance de causar uma
primeira boa impressão.
É um
erro estar aberto para qualquer emprego. Deve se perguntar porque
restringir a sua busca a uma ou duas funções se há
centenas que se poderia ocupar? Pode ser que funcione para encontrar
apenas um emprego, mas não funcionará para encontrar
a vaga certa.
O ideal é
concentrar-se em encontrar um grande emprego, e não apenas
um emprego. Hoje em dia, a procura de emprego é personalizada,
especializada. Se o que se quer é encontrar uma colocação
duradoura, em uma empresa saudável, será preciso fazer
uma pesquisa muito séria e, mais que isso, tomar decisões
importantes. Como, por exemplo, se atualizar e estudar assuntos
que são importantes para as empresas hoje e que serão
importantes para as empresas no futuro.
Não se
encontra os melhores empregos aceitando qualquer emprego; encontra-se
os melhores empregos atendendo aos desejos do coração,
definindo metas e lutando por elas intensamente.
É errado
não se organizar, não se planejar. Não se engane,
porque planejar a procura de uma colocação ou recolocação
é tão importante quanto planejar as férias
ou as finanças do mês. Para quem está empregado,
procurando uma recolocação, o planejamento é
essencial, ou não será possível dar conta do
seu trabalho rotineiro e ainda procurar emprego.
Os desempregados,
por seu lado, acham que têm todo o tempo do mundo para procurar
emprego, e correm o risco de acabar se envolvendo em atividades
como arrumar a casa, ver televisão, fazer pequenos serviços,
e acabam dedicando pouco tempo à busca da colocação,
o que é um erro, porque a prioridade é encontrar emprego.
Para organizar
o tempo adequadamente, é preciso: cumprir a sua tarefa de
procurar emprego com método, planejamento e pesquisa; dedicação
diária, incansável e planejada, para que não
se perca tempo; pesquisar seriamente por telefone, escrevendo, mandando
fax; contabilizar: perder tempo e procurar sem eficiência
faz com que se perca dinheiro, um dinheiro que fará falta
se houver demora para se recolocar .
Com planejamento,
é possível evitar apostar tudo numa única entrevista,
achando que pode ser a salvação. Pode não ser
verdade, portanto, é preciso continuar procurando enquanto
o resultado da entrevista não sai. Com planejamento, é
possível continuará bem, mesmo que seja rejeitado
na primeira ou nas primeiras entrevistas. Ou, quem sabe, transformar
rejeição inicial em boa oferta final...
Outro grande
erro é fazer tudo sozinho. Podemos pensar que somos auto-suficientes
para fazer o que quisermos. De maneira geral, somos mesmo, exceto
quando enfrentamos uma situação de desequilíbrio
emocional, como o desemprego ou a insatisfação com
o emprego atual. Isto nos deixa fragilizados, suscetíveis
a tomar as decisões sem serenidade.
Na nossa vida diária, precisamos de ajuda para resolver problemas
para os quais a nossa habilidade ou a nossa vocação
não estão direcionadas: o mecânico conserta
o carro, o encanador arruma os encanamentos, o médico trata
da saúde, o contador calcula nossos impostos, o professor
nos ensina a dançar, a pesquisar e a calcular.
Sabe quanto
custa a decisão errada? Se um currículo não
é bem feito, pode custar várias entrevistas perdidas.
Se uma negociação salarial não for corretamente
conduzida, pode custar milhares de reais que vai deixar de ganhar.
Se o processo de recolocação não for bem escolhido,
pode custar mais tempo de desemprego ou de insatisfação.
Em certos domínios
do conhecimento, só um especialista pode nos ajudar. Por
que não aceitar ajuda de quem entende do mercado de oferta
e procura de emprego? Basta escolher pessoas experientes, que conheçam
como funciona o mercado, que realmente ouça as suas necessidades
e lidem de maneira personalizada com a sua situação.
É um
erro não se preparar bem para as entrevistas. A gente não
é chamado para entrevistas a todo momento. Ao contrário,
são raras as oportunidades. Por isto mesmo elas precisam
ser consideradas únicas, e não podem ser desperdiçadas.
Prepare-se para elas. O entrevistador quer saber:
Se é
o candidato mais adequado para aquela vaga.
Treine em casa para mostrar ao entrevistador a sua capacidade de
resolver problemas e de conseguir negócios.
Se é
um candidato que vai fazer um bom trabalho durante um longo tempo.
Pesquise para que, assim, conheça a empresa e tenha segurança
ao fazer qualquer afirmação de compromisso.
Se é
tão bom, por que está desempregado ou procurando emprego?
Inteligentemente, você pode transformar erros em lições,
defeitos em virtudes.
Se custa caro.
Por isso vai perguntar o quanto você quer ganhar. Espere a
pergunta. Quando a iniciativa é sua, fica em desvantagem
para negociar.
Se está
disponível, porque se estiver, eles não terão
pressa de chamar você.
Não espere que eles telefonem. Mande cartas para lembrá-los
que é um candidato bom e que, numa segunda entrevista, pode
mostrar outras qualidades que não pôde mostrar na primeira
vez.
Outro grande
erro é abdicar da condução do seu destino.
Um amigo se ofereceu para entregar alguns currículos. Claro
que aceitou, e já entregou uma dúzia para ele distribuir
por aí. E descansou. Neste momento, está-se abdicando
da sua obrigação de cuidar da sua carreira e do seu
destino. Quando se deixa que outras pessoas assumam a sua função,
está se esquecendo que: eles só podem mostrar o seu
currículo e a sua experiência funcional; talento, charme
pessoal e personalidade só pode apresentar pessoalmente,
durante a entrevista.
Dois, eles,
possivelmente, só saberão de vagas em aberto que,
como já vimos, é a pior parte do mercado de trabalho.
Eles podem receber um não para o seu currículo, e
daí não será possível intervir pessoalmente
para reverter a situação. O candidato e, portanto,
só quem sabe realmente o que quer, como quer e quanto isso
vai custar.
Falar de dinheiro
cedo demais é um erro. Quando um empregador chama alguém
para um entrevista, já tem na cabeça o montante que
dispõe para remunerar este profissional. Ao perguntar o quanto
se quer ganhar, na verdade, só está sondando para
saber o quanto acha que vale. E aí existem duas opções:
se mencionar um salário muito acima daquele que ele tem na
cabeça, já estará descartado; se mencionar
um salário abaixo, terá perdido a chance de obter
o que o próprio empregador considera justo para a vaga.
O único
momento correto de falar de dinheiro é quando se recebe uma
oferta. Deixe que o empregador faça a sua proposta. Possivelmente,
ele vai mencionar o valor de mercado e, por isto mesmo, deve-se
estar atualizado em relação ao mercado de trabalho
para a sua faixa salarial.
É um
erro não buscar motivação. O empregador está
buscando, para trabalhar com ele, uma pessoa positiva, cheia de
vida, alegre, cheia de auto-estima e confiante, que contribua com
a empresa e com o negócio da empresa. Se se está com
pena de si mesmo, não vai se encaixar nunca neste perfil.
Fuja da mentalidade
mendiga ("Pelo amor de Deus, alguém me dê um emprego!")
e fique atento às oportunidades. Não há regras
para estar bem, mas uma coisa é certa: é preciso de
gente do seu lado. Procure os amigos. Acredite no amor, em sua mulher
ou marido, em sua namorada ou namorado. Ouça o que as pessoas
têm a dizer. Motive-se, renove suas esperanças lendo,
praticando esportes, fazendo regime, visitando lugares interessantes.
Acredite: a
vida é boa. E vai ficar melhor ainda quando se conseguir
o que falta para impulsionar a sua carreira...
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BIOGRAFIA
Joaquim Maria Botelho é jornalista, especializado
em Jornalismo Internacional e Fotojornalismo pela Universidade
de Wisconsin, nos Estados Unidos. Atualmente é
Gerente de Comunicação do Grupo Catho.
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A
influência de hábitos e atitudes no
processo de tomada de decisões |
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Para
crescer, é preciso compreender |
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Quem tem medo de falar em
público? |
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Profissões que vão surgir
e profissões que vão desaparecer |
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Como sobreviver a um mau
chefe |
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Como negociar uma proposta
de trabalho com habilidade |
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Novo século para a mulher
brasileira |
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Brasil, país de empreendedores
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