Estado é atraente no início e no fim da vida profissional

Para as pessoas que buscam estabilidade profissional no início ou no fim da vida profissional, uma das soluções pode ser candidatar-se aos concursos públicos.

Leia mais:
- Estado é atraente no início e no fim da vida profissional
- "Carreiras típicas" têm privilégios
- Mais da metade dos federais têm entre 41 e 50 anos
- Desemprego incentiva concursos
- Governo planeja abrir 38 mil vagas ainda neste ano
- Para candidato, ser aprovado não garante nomeação
- Cargos regionais são atraentes
- Agências vão abrir primeiras seleções públicas neste ano
- Regimes trabalhistas se misturam
- Preparação tem início seis meses antes das provas
- Língua portuguesa é a que mais reprova nos testes escritos
- Pensar é preciso
- Após a aprovação, escolas de governo cobram resultados
- Confira alguns dos concursos aprovados pelo planejamento em 2004.

   

 

 

 

 

 

 

 

Estado é atraente no início e no fim da vida profissional

Os empregos públicos se tornaram especialmente atraentes para profissionais que se enquadram em dois extremos opostos: de um lado, recém-formados são seduzidos por salários iniciais muito mais altos do que os que encontrariam no mercado privado; do outro, quem já passa dos 40 anos acha nos concursos oportunidades inexistentes nas empresas.

Apesar de os servidores federais ganharem em média 16% mais do que seus colegas do setor privado, a carreira pública não é indicada para quem é inquieto e ambicioso: a ascensão é lenta, e o teto salarial, menor. Na AGU (Advocacia Geral da União), por exemplo, que paga salário inicial de R$ 4.406, o profissional chega ao fim da carreira ganhando R$ 7.600. Um advogado bem-sucedido pode ganhar o dobro disso.

Outro exemplo: os cargos de delegado e de perito da Polícia Federal têm piso de R$ 7.965,97 e teto de R$ 9.434,44. Embora sem paralelo na iniciativa privada, o que se nota é uma grande proximidade entre os valores inicial e final.


Além disso, as chances de crescimento no setor privado são maiores: não há limite de renda para os mais competentes.

A estabilidade no emprego, por outro lado, é hoje artigo em extinção entre os registrados pela CLT. Na carreira pública, ainda é uma realidade. Quem prefere segurança a grandes salários, portanto, é bom candidato a servidor público. Mas há mais uma série de diferenças a avaliar.

O casal Rosana e Carlos da Costa, ambos engenheiros civis de Campo Grande (MT), largaram tudo para ir a Brasília. "A iniciativa privada já não paga tão bem. Meu trabalho hoje analista de controle externo do Tribunal de Contas da União é mais bem pago, estável, e tenho todos os benefícios trabalhistas garantidos pela lei", pondera Carlos, 41.

Rosana, 41, que trabalhava como oficial de Justiça, pediu exoneração. "Fiquei dois anos só estudando, até que passei na prova para analista de planejamento."


A professora Eniraci Michele Fabre, 50, prestou seu primeiro concurso público em 1973 e até hoje trabalha para o município. Paralelamente, ela atuou em escolas particulares por 25 anos até se aposentar. Mas continua na ativa trabalhando para o município.

Ela diz que, em sua área, a política salarial no setor público é mais "justa". "As boas escolas privadas pagam mais que as públicas. Mas, nas municipais, há plano de carreira e o salário não estaciona."

(Folha de S. Paulo – 02/05/04)

   

"Carreiras típicas" têm privilégios

Algumas carreiras públicas não têm paralelo na iniciativa privada. São as chamadas "carreiras típicas de Estado", que incluem as ligadas à auditoria e à gestão de recursos públicos, as carreiras jurídicas (juiz, promotor e procurador da República), a diplomacia e os cargos das polícias.

A idéia, segundo Regina Luna, diretora de análise e monitoramento de força de trabalho do Ministério do Planejamento, vem da reforma do Estado do governo Fernando Henrique Cardoso. "Na gestão FHC 1995-2002, o plano era não tratar todos os cargos da mesma forma e selecionar os mais importantes", diz.

Os cargos pinçados foram aqueles cujos ocupantes precisam de isenção para exercer seu trabalho, motivo pelo qual não podem ser ligados a outras instituições. Por isso, são proibidos de exercer atividades profissionais na iniciativa privada, mas gozam de um regime especial de aposentadoria.

A distinção, porém, tende a perder força, "já que todas as carreiras públicas são típicas do Estado", argumenta Luna. "Hoje estamos estudando uma nova classificação." Enquanto o estudo não fica pronto, na atual divisão de cargos, 10% dos servidores dos quadros federais são ocupantes das carreiras típicas de Estado.

(Folha de S. Paulo – 02/05/04)

   

Mais da metade dos federais têm entre 41 e 50 anos

O serviço público do poder Executivo envelheceu. Dados do Ministério do Planejamento mostram que, pela primeira vez desde 1996, a faixa etária entre 41 e 50 anos passou a representar mais da metade dos concursados que atuam na administração federal.

Em novembro de 2003, 72% dos servidores da administração direta (incluindo autarquias e fundações, mas sem contar Banco Central e Ministério Público) na ativa tinham mais de 40 anos. Comparado com dados de 1996, o índice subiu 16 pontos percentuais.

Mais experiência, menos juventude. A faixa de funcionários do Executivo federal com até 40 anos despencou de 43,9% do total em 1996 para 28,3% em 2003.

Regina Luna, diretora de análise e monitoramento de força de trabalho do Ministério do Planejamento, confirma que o perfil do servidor público vem mudando gradualmente, e sua idade média, aumentando. Para ela, isso pode ser um fenômeno positivo.

"Principalmente nos cargos mais elevados, é importante contar com pessoas experientes", afirma. Segundo ela, a medida torna a carreira pública "mais democrática", pois acolhe tanto profissionais mais velhos como jovens e mulheres todos em igualdade de condições.

Mas a explicação para esse envelhecimento do servidor pode estar no mercado de trabalho, hoje fechado para quem passou dos 40.

O economista Silas Toledo, 43, faz parte do grupo dos que prestaram concurso tardiamente. "Queria trabalhar na administração direta e aprofundar meus estudos em administração pública." Ele passou recentemente em concurso para gestor de políticas e planejamento público.

O envelhecimento do funcionalismo pode trazer problemas a longo prazo, afirma o professor de economia da PUC-SP Nelson Marconi, ex-diretor de carreiras e remuneração do Ministério do Planejamento. "Com funcionários de diferentes faixas etárias você permite uma oxigenação dos quadros e evita desfalques no caso de um grupo envelhecer e correr para a aposentadoria."

O Planejamento atualmente reconhece que a possibilidade existe. A previsão é que a partir de 2006 haja uma onda de aposentadorias no Executivo.

"Estamos planejando um calendário de contratação para suprir essas vagas", diz Luna. Segundo ela, a reposição será progressiva, com pequenos concursos espaçados. Contratações periódicas serão adotadas para evitar que o problema se repita. "O objetivo é ter funcionários de diferentes faixas etárias atuando em conjunto."

(Folha de S. Paulo – 02/05/04)

   

Desemprego incentiva concursos

Os níveis recordes de desemprego na região metropolitana de São Paulo (20,6% da população economicamente ativa em março, segundo a Fundação Seade e o Dieese) levam mais pessoas a sonhar com um emprego estável.

"O mercado hoje está feroz. O perfil exigido do trabalhador é o de super-homem: o profissional precisa estar disposto a dar o sangue pela empresa, conciliar com o trabalho uma pós-graduação ou um MBA, tomar cerveja com os amigos e ainda passar a imagem de uma pessoa que tem uma vida saudável", avalia a consultora Patricia Molino, da KPMG.

A intensa concorrência por vagas não favorece os mais velhos. "Um profissional de 40 anos tem poucas chances de boa colocação na iniciativa privada. Ou ele já atingiu um patamar de destaque na carreira, ou corre o risco de ser desligado da empresa", diz Zélia de Almeida, professora de recursos humanos e gestão de pessoas do Ibmec (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais) do Rio.

"As pessoas atualmente estão inseguras e querem garantir o seu trabalho. Muita gente chega aqui dizendo que a única maneira que encontrou para conseguir alguma estabilidade foi tentar um concurso público", conta José Luís Romero, diretor do cursinho preparatório Central de Concursos.

(Folha de S. Paulo – 02/05/04)

   

Governo planeja abrir 38 mil vagas ainda neste ano

Aqueles que pensam em investir na carreira pública terão muitas opções neste ano. O governo federal planeja abrir 38.845 vagas para serem preenchidas por meio de concurso público até 2005. O número é uma revisão do que já havia sido previsto no Orçamento de 2004 (41.380). O Ministério do Planejamento já autorizou mais de 12 mil delas veja algumas no quadro ao lado.

Os exames vão abarcar diversas áreas. As com maior número de vagas autorizadas até o momento são Polícia Federal (3.684), INSS (1.549), hospitais e instituições de ensino (1.192), Polícia Rodoviária Federal (1.100), Receita Federal (1.000) e Anatel (740).

O campeão em concorrência, pelos cálculos do governo, será o concurso da Polícia Federal, que, até 2007, deverá ter aberto 5.659 vagas (incluindo as 3.684 já autorizadas). Elas vão englobar os cargos de delegado, perito, escrivão e agente todos exigindo o nível superior.

O concurso com maior número de inscritos do ano até agora foi o da Policia Rodoviária Federal, que registrou a participação de 523.940 candidatos em todo o país, concorrendo a 2.200 vagas com salário inicial de R$ 3.735,61 (relação de 238 candidatos/vaga).

As carreiras mais atrativas, porém, não são necessariamente as que apresentam maior número de candidatos por vaga. São as que aliam vagas ao status do cargo e a bons salários, como a de procurador federal (R$ 4.406,11 de salário inicial e 3,5 candidatos/vaga no último concurso) e a de fiscal da Receita Federal (inicial de R$ 5.250,87; 55 candidatos/vaga).

Em termos de atratividade, a diplomacia está sempre em alta, pois a carreira é associada com o glamour de festas e viagens internacionais constantes. Para ter direito a fazer parte dessa classe "magnética", o candidato deve se preparar para uma "maratona".

São dez provas escritas e três orais por concurso. Por vários dias, os concorrentes enfrentam perguntas de português, inglês, francês, espanhol e questões internacionais, entre outras.

A boa notícia é que, normalmente, são empossados todos os aprovados (em geral, um número menor que o de vagas). "É difícil, mas não é impossível. É só se preparar bem, estudar", afirma Jean Marcel Fernandes, chefe de secretaria do Instituto Rio Branco, responsável pelo concurso. O prêmio do futuro diplomata: salário inicial de R$ 4.555,98 e carreira internacional.

(Folha de S. Paulo – 02/05/04)

   

Para candidato, ser aprovado não garante nomeação

Depois de meses ou mesmo de anos de estudo, a recompensa: passar em um concurso público assegura emprego estável e bom salário para o resto da vida, certo? Errado. Especialmente no caso de concursos das esferas municipal e estadual, ser aprovado é apenas o primeiro desafio. O segundo é ser convocado e devidamente nomeado para o cargo.

"Abri mão de um salário mais alto na iniciativa privada e passei um ano e meio estudando. Fui aprovada no concurso para procuradora-geral do Estado e espero ser chamada desde 2002", diz a advogada Adriana Mazieiro, 28, que faz parte de um grupo de 120 bacharéis ainda não nomeados.

De fato, o governo estadual reconhece que a situação para contratações não é favorável no momento. Isso porque alcançou quase o limite de gastos com a folha de pagamento. Por isso muitos dos já aprovados em concursos antigos aguardam nomeação.

Outra conseqüência do aperto é a suspensão de novos concursos. Neste ano não deve haver nenhum ligado ao governo estadual.

"Só conseguiremos folga se a arrecadação aumentar, o que depende do reaquecimento da economia. Não haverá nomeações nem novos concursos enquanto o Estado não sair do limite", afirma a assessora especial para assuntos de recursos humanos e gestão do Estado, Evelyn Levy.

No total, 9.585 aprovados em concursos estaduais nos últimos três anos aguardam nomeação. A maioria vem das áreas de educação (63,43%) e de administração penitenciária (34,15%).

"Devemos ser cuidadosos com as contratações. [Elas serão feitas] somente quando forem possíveis e necessárias", diz Levy.

Já a Prefeitura de São Paulo prevê a realização de mais um concurso em 2004, para a Guarda Civil Metropolitana. O edital deve ser lançado nas próximas semanas, e a prova acontecerá antes do dia 3 de julho.

Por força de lei, a partir dessa data e até o fim do ano, somente poderão ser feitas nomeações de concursos cujos resultados tenham sido homologados antes de 3 de julho. O motivo é a proximidade das eleições de 2004.

Para evitar a demora nas contratações, Márcia Morales, diretora de recursos humanos da prefeitura, afirma que o município prioriza a abertura de pequenos concursos, para contratar de acordo com o caixa disponível.

Entre os concursos municipais que já foram abertos neste ano estão os para agente de apoio (3.854 vagas), professor (1.468) ambos com inscrições já encerradas- e para o cobiçado cargo de procurador do município (105 vagas), que terá a segunda fase das provas em 9/5.

(Folha de S. Paulo – 02/05/04)

   

Cargos regionais são atraentes

Os postos públicos mais atrativos não estão todos na esfera federal. Ainda que em menor escala, Prefeitura de São Paulo e governo do Estado oferecem oportunidades dignas de nota. Na área jurídica estão algumas das vagas com as melhores remunerações.

Os candidatos que forem aprovados no concurso para procurador do município de São Paulo, que está em andamento, terão rendimentos iniciais de R$ 7.539, sem contar os ganhos com bonificações e extras, que podem elevar o salário de quem começa para cerca de R$ 9.000.

O advogado Luis Carlos Fabre, 25, que atualmente trabalha como procurador da Fazenda Nacional (salário inicial de R$ 3.741,92), faz parte dos 17.828 candidatos que disputam as 120 vagas oferecidas na procuradoria paulistana.

"Nasci em São Paulo e gostaria de trabalhar como advogado do município. Além da chance de poder me dedicar a uma carreira do meu interesse, a remuneração é muito boa", conta. Ele passou na primeira fase dos exames, mas mantém o sangue frio. "Temos de pensar a longo prazo quando fazemos um concurso público."

(Folha de S. Paulo – 02/05/04)

   

Agências vão abrir primeiras seleções públicas neste ano

Quem trabalha em uma agência reguladora e pretende continuar no cargo deve começar a estudar. A partir deste ano, as nove autarquias de regulação federais passarão a selecionar seus quadros por concurso. Os atuais funcionários, com contrato por tempo determinado, serão substituídos.

"Antes as pessoas enviavam o currículo e eram entrevistadas. O governo resolveu brecar isso", diz Regina Luna, diretora de análise e monitoramento de força de trabalho do Planejamento.

A Anatel, por exemplo, já está autorizada a realizar seu primeiro concurso público. Estão sendo analisados os pedidos da ANP (Agência Nacional do Petróleo), Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

As agências reguladoras são órgãos de fiscalização com poder de polícia. Por isso exigem quadro qualificado. "A realização de concursos é salutar e necessária", afirma Maria Augusta Feldman, presidente da Abar (Associação Brasileira de Agências de Regulação).

Algumas agências realizaram concursos no governo passado, mas não nomearam os classificados por causa de uma ação direta de inconstitucionalidade movida pelo PT. Hoje, um projeto de lei enviado pelo atual governo para regulamentar o setor tramita no Congresso Nacional.

O texto autoriza os concursos e aumenta o teto das gratificações de 30% para 50%. "Uma das preocupações é a manutenção de quadros qualificados e permanentes. Por isso os salários têm de ser adequados", afirma Feldman.

Os contratos dos atuais funcionários de nível técnico (formação superior) valem até dezembro de 2005. É o caso de Renato Lima, 33. Funcionário com contrato determinado da Aneel há seis anos, ele espera o resultado da tramitação que regulará as contratações via concurso para decidir se fará a prova para continuar na agência.

No projeto de lei enviado pelo governo, a forma de contratação era apenas para nível inicial. Alterado no Senado, o novo texto cria três níveis (básico, médio e superior). "Tenho 12 anos de formado. Só vou prestar o concurso se houver possibilidade de concorrer na última categoria", diz.

Segundo ele, o contrato determinado tem uma vantagem salarial: os ganhos são um pouco maiores do que a média porque os empregados não têm alguns direitos, como aviso prévio. "Por isso o concurso tem mesmo de ser atrativo", diz. O maior salário de um "temporário" hoje na Aneel é de R$ 7.100.

(Folha de S. Paulo – 02/05/04)

   

Regimes trabalhistas se misturam

Há muita confusão em torno dos regimes trabalhistas que regem cada atividade. Os funcionários das agências reguladoras, por exemplo, são chamados de "temporários", mas, na verdade, têm contrato por prazo determinado. Qual é, afinal, a diferença?

O profissional temporário não é contratado diretamente, mas por uma empresa que fornece mão-de-obra para companhias com necessidade transitória de substituição de pessoal. O contrato, regido pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), garante quase todos os direitos do trabalhador efetivo, exceto os 40% de multa sobre o FGTS, aviso prévio ou estabilidades como a da gestante. A duração do trabalho limita-se a 90 dias, prorrogáveis por outros 90.

Já o contrato por prazo determinado tem início e término pré-fixados, dura no máximo dois anos e pode ocorrer em qualquer situação. O contrato é por convenção ou acordo coletivo, que estabelecerá uma indenização em caso de rescisão antecipada.

Já a relação estatutária é de direito público e se fundamenta no reconhecimento da supremacia do Estado. O relacionamento entre servidor e administração se pauta na obediência aos princípios da legalidade, moralidade e eficiência, e não em um contrato, como acontece com o celetista.

A Constituição de 1988 aproximou bastante as realidades jurídicas do servidor público e do empregado (público ou privado), mas alguns tópicos continuam bem diferentes. As férias, por exemplo. No regime privado, o empregado não tem obrigação de dizer o local onde pode ser encontrado. No direito público, é dever do servidor dar essa informação.

É bom lembrar que todo funcionário público é obrigado a prestar concurso, mas só os chamados "essenciais" seguem regime estatutário. Já os demais são "empregados públicos" (celetistas).

(Folha de S. Paulo – 02/05/04)

   

Preparação tem início seis meses antes das provas

Na corrida dos concursos, quem pretende agarrar uma vaga tem de se dedicar com afinco. As carreiras mais concorridas chegam a ter mais de cem candidatos disputando cada posto, e é preciso estar bem preparado para figurar no time dos aprovados.

O conteúdo exigido, dependendo da carreira, pode ser extenso, o que exige tempo. Começar a estudar com seis meses de antecedência, no mínimo, é a primeira dica importante para os candidatos. Assuntos complexos como legislação tributária e regras de administração pública, comuns em muitos concursos, não são aprendidos do dia para a noite.

"Comecei a estudar para prestar concurso há pouco mais de um ano. Fiz um plano de estudos pelo qual estaria realmente preparado por volta do meio deste ano", exemplifica Juliano Zamboni, 25, que tenta vaga na procuradoria do município de São Paulo.

"As provas dos principais concursos privilegiam questões analíticas, o que exige conhecimento mais aprofundado", explica Estefânia de Queiroz, coordenadora do curso de advocacia pública do Instituto Exord. Ela diz que a preparação deve começar com o candidato definindo bem o seu objetivo e a área de interesse.

"As matérias se repetem em concursos de uma mesma área e assim é possível se preparar para mais de um ao mesmo tempo."

Há quem não hesite em procurar um cursinho especializado em concursos na hora de iniciar a sua preparação. A estratégia é válida, principalmente se for aliada a um plano de longo prazo ou para quem tem pouca disciplina para estudar sozinho.

"No nosso trabalho, orientamos os candidatos em relação às provas e também os ajudamos a se atualizar", diz o ex-agente fiscal de renda Richard Haddad, um dos sócios do Pró-Concurso.

Voltar às salas de aula também é útil para se aprofundar em temas que estão fora da área de especialização do candidato. "Um engenheiro que for prestar concurso para auditor fiscal, por exemplo, não estudou legislação nem contabilidade na graduação", completa Haddad.

O candidato, no entanto, não deve acreditar que apenas as aulas serão suficientes. É preciso estudar sozinho. Às horas gastas em sala de aula devem se seguir outras tantas de estudo extra.

É fundamental ter paciência. E muita. Mesmo com todo o empenho e dedicação, a aprovação pode demorar. São poucos os que conseguem bons resultados já nos primeiros concursos.

Com o tempo e experiência o candidato ganha "intimidade" com as provas, aprende a encarar os processos seletivos com calma e consolida o que aprendeu nos estudos.

(Folha de S. Paulo – 02/05/04)

   

Língua portuguesa é a que mais reprova nos testes escritos

Português é a disciplina que mais reprova em concursos públicos. "Não há o que se faça no governo que não seja por escrito. A língua portuguesa é, dentro da máquina pública, a ferramenta mais usada", justifica Fabio Fabrizziani, da Meta Concursos.

Por isso, completa ele, as provas da disciplina são rigorosas. A língua é responsável também por reprovação indireta. A maioria das questões, de português ou de outras matérias, tem enunciados requintados, que exigem bom nível de interpretação de texto.

Os candidatos que mais demonstram dificuldade não são, como seria de imaginar, os especialistas nas matérias de exatas. "Eles têm consciência de que não sabem português, por isso estudam. Os que mais têm dificuldades na prova são aqueles que pensam que sabem", diz Fabrizziani.

Em seguida na lista das "vilãs" vêm matemática, contabilidade e auditoria. As matérias jurídicas aparecem em terceiro lugar.

As provas para o Ministério Público e para a magistratura são as mais difíceis do Brasil, na opinião de Damásio de Jesus, professor de direito penal e presidente do Complexo Jurídico Damásio de Jesus. Sua nota de corte é 76 (nos outros concursos, esse valor varia de 50 a 60).

O português, segundo ele, é o grande obstáculo também nessa área. "Se não souber escrever, não adianta ter bom conhecimento técnico", afirma.

Os professores são unânimes em dizer que uma das formas mais eficientes de estudar para um concurso é conhecer a "linha" da instituição organizadora.

No caso das provas da Fundação Carlos Chagas uma das maiores organizadoras de exames do país, por exemplo, o candidato vai notar a ausência das chamadas "pegadinhas". "Esse tipo de questão é proibida", diz Ricardo Iglesias, superintendente de operações externas da instituição.

Já nas provas do Cespe (ligado à Universidade de Brasília), vai se dar mal quem que pretende "chutar": cada resposta errada anula uma certa (quando não souber, é melhor deixar em branco).

A Fundação Cesgranrio valoriza o grau de atualização e de proximidade com o cotidiano dos candidatos, diz o presidente Carlos Alberto Serpa de Oliveira. Na Vunesp, pode ocorrer de o candidato ter de fazer uma prova prática. É o caso, por exemplo, dos testes para cozinheiro, eletricista, mecânico e motorista. Dica: descubra quem vai organizar a sua prova e estude usando os exames anteriores.

(Folha de S. Paulo – 02/05/04)

   

Pensar é preciso

Munido da informação de que português é a matéria que mais reprova os candidatos a uma vaga no serviço público, você resolve priorizar essa disciplina e começa a decorar todas as listas possíveis: femininos, aumentativos, diminutivos, coletivos, superlativos, plurais exóticos etc.

Não é esse o caminho, já que (pelo menos nos concursos federais) não se tem exigido a (inútil) decoreba de listas. Quer-se saber se o candidato compreende o que lê, o que exige vocabulário, raciocínio lógico, domínio dos mecanismos estruturais de um texto, conhecimento das normas de regência, concordância etc. Exige-se também o conhecimento básico da nomenclatura gramatical.

Já vai tarde (espero!) o tempo em que se pedia o feminino de "peixe-boi" (concurso para a seleção de oficial de Justiça, em São Paulo) ou o coletivo de cobras (prova de uma das corporações militares, também em São Paulo). Que se mede com esse tipo de pergunta? Nada de nada.

A ordem, pois, é aprender a aprender, aprender a estudar e, sobretudo, aprender a pensar.

Tomemos como exemplo o concurso de 2003 para a seleção de auditor fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego, organizado pela Esaf (Escola de Administração Fazendária). Depois de ler um trecho (adaptado) de uma revista semanal, o candidato tinha de analisar quatro "possibilidades de continuidade para o texto". As palavras iniciais dessas quatro possibilidades eram, respectivamente, "por isso", "com isso", "assim" e "no entanto".

Fica mais do que claro o que quer a banca: avaliar o conhecimento das noções de coesão e coerência textual e, por conseguinte, do emprego dos elementos lingüísticos que estabelecem adequadamente essas relações.

Quando se emprega "por isso", por exemplo, estabelece-se nexo de conclusão ou de causa e efeito; o que se afirma a seguir é deduzido ou é decorrência do que se afirmou antes. Quando se emprega "no entanto", estabelece-se nexo de oposição, de adversidade; o que se afirma a seguir contradiz o que se afirmou antes.

A resposta correta a uma questão como essa (que aparece em outros concursos, como o de 2002 para a seleção de técnico da Receita Federal, também da Esaf) depende da leitura atenta do texto e da correta relação entre o que nele se diz e o que se afirma em cada uma das possíveis continuidades. Para isso, pensar é mais do que preciso; é imperativo. É isso.

(Folha de S. Paulo – 02/05/04)

   

Após a aprovação, escolas de governo cobram resultados

Engana-se o candidato a servidor que acha que, depois de uma verdadeira maratona de estudos, ser aprovado no concurso público é o final feliz da sua história. Em muitas carreiras, os testes são só o primeiro passo. Depois da aprovação, pode ser necessário voltar aos bancos escolares e cursar uma escola de governo. Quem é reprovado está fora do funcionalismo.

"As carreiras que mais têm essa necessidade são as do núcleo estratégico do Estado", diz José Luiz Pagnussat, assessor da diretoria de formação profissional da Enap (Escola Nacional de Administração Pública). É o caso da diplomacia, que envia seus concursados ao Instituto Rio Branco. Há ainda cursos de formação na Esaf (Escola de Administração Fazendária) e na Academia da Polícia Federal, entre outras.

Para o estudioso José Matias Pereira, cientista político da UnB (Universidade de Brasília), ainda é pouco. O ideal, diz, seria que mais carreiras obrigassem os aprovados a cursar escolas de governo. "É preciso investir mais nessa área. Os magistrados [por exemplo] têm como alternativa uma escola de magistratura, mas sem papel de escola de governo."

A diretora de análise e monitoramento da força de trabalho do Planejamento, Regina Luna, reconhece que "do ano passado para cá, devido ao aumento do número de concursos, a demanda aumentou". No plano federal, contudo, ela considera a oferta atual satisfatória. "Mas seria bom introduzir essa preocupação [de formação] nas administrações municipal e estadual", afirma.

A Enap, que forma servidores das áreas de gestão e de fiscalização, abrirá neste ano seu primeiro curso de pós-graduação em gestão pública. Será uma especialização ("lato sensu") com duração total de um ano.

"A demanda por parte dos órgãos públicos é grande. Eles querem que os cursos de pós-graduação valorizem suas especificidades", pondera José Luiz Pagnussat.

(Folha de S. Paulo – 02/05/04)

   

Confira alguns dos concursos aprovados pelo planejamento em 2004:

Empresa: ABIN
Cargo: analista de informação
Vagas: 150
Salário inicial: R$ 2.392

Empresa: ABIN
Cargo: pesquisador
Vagas: 3
Salário inicial: a definir

Empresa: ABIN
Cargo: tecnologista
Vagas: 13
Salário inicial: a definir

Empresa: Anatel
Cargo: técnico de regulação de serviços públicos
Vagas: 300
Salário inicial: a definir

Empresa: Anatel
Cargo: analista administrativo
Vagas: 50
Salário inicial: a definir

Empresa: Banco Central
Cargo: analista (superior)
Vagas: 400
Salário inicial: R$ 5.146

Empresa: Banco Central
Cargo: técnico (médio)
Vagas: 180
Salário inicial: R$ 2.393

Empresa: Banco Central
Cargo: procurador (superior0
Vagas: 33
Salário inicial: R$ 5.298

Empresa: Controladoria
Cargo: analista de finanças e controle (superior)
Vagas: 300
Salário inicial: R$ 4.989

Empresa: IBGE (cargos temporários)
Cargo: agente de pesquisa e mapeamento (nível técnico)
Vagas: 3.837
Salário inicial: R$ 480

Empresa: IBGE (cargos temporários)
Cargo: analista censitário (superior em engenharia cartográfica)
Vagas: 67
Salário inicial: R$ 1.300

Empresa: Inmetro
Cargo: tecnologia
Vagas: 10
Salário inicial: a definir

Empresa: Inmetro
Cargo: técnico
Vagas: 4
Salário inicial: a definir

Empresa: INSS
Cargo: auditoria da Previdência Social (superior)
Vagas: R$ 250
Salário inicial: R$ 4.787

Empresa: INSS
Cargo: analista previdenciário (superior)
Vagas: 562
Salário inicial: R$ 1.081

Empresa: INSS
Cargo: técnico previdenciário (superior)
Vagas: 737
Salário inicial: R$ 793

Empresa: Ipea
Cargo: técnico de pesquisa e planejamento
Vagas: 40
Salário inicial: até R$ 4.989

Empresa: Ipea
Cargo: assessor especializado
Vagas: 9
Salário inicial: R$ 4.989

Empresa: Ipea
Cargo: técnico de desenvolvimento administrativo
Vagas: 12
Salário inicial: até R$ 4.989

Empresa: Ministério da Agricultura
Cargo: fiscal federal, agropecuário (diploma de engenheiro agrônomo, veterinário, zootecnista, químico ou farmacêutico)
Vagas: 200
Salário inicial: R$ 2.457

Empresa: Ministério da Ciência e Tecnologia
Cargo: analista em ciência e tecnologia (superior)
Vagas: 191
Salário inicial: de R$ 2.300 a R$ 4.800

Empresa: Ministério da Ciência e Tecnologia
Cargo: pesquisador (superior)
Vagas: 51
Salário inicial: de R$ 2.300 a R$ 4.800

Empresa: Ministério da Ciência e Tecnologia
Cargo: tecnologista
Vagas: 66
Salário inicial: de R$ 1.200 a R$ 1.800

Empresa: Ministério da Ciência e Tecnologia
Cargo: técnico (médio)
Vagas: 95
Salário inicial: de R$ 1.200 a R$ 1.800

Empresa: Ministério das Relações Exteriores
Cargo: oficial de chancelaria (superior)
Vagas: 135
Salário inicial: R$ 2.633

Empresa: Ministério das Relações Exteriores
Cargo: assistente de chancelaria (superior)
Vagas: 72
Salário inicial: R$ 681

Empresa: Policia Federal
Cargo: delegado (superior em direito)
Vagas: 607
Salário inicial: R$ 7.965

Empresa: Policia Federal
Cargo: perito criminal (superior)
Vagas: 506
Salário inicial: R$ 7.965

Empresa: Policia Federal
Cargo: agente policial (superior)
Vagas: 1.866
Salário inicial: R$ 4.199

Empresa: Policia Federal
Cargo: escrivão (superior)
Vagas: 705
Salário inicial: R$ 4.199

Empresa: Receita Federal
Cargo: auditor fiscal (superior)
Vagas: 1.000
Salário inicial: até R$ 5.250

Empresa: Receita Federal
Cargo: técnico da receita (superior)
Vagas: 50
Salário inicial: R$ 2.258

Empresa: Tesouro Nacional
Cargo: analista de finanças e controle (superior)
Vagas: 50
Salário inicial: R$ 4.609