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Estado é atraente no início e no fim da vida profissional
Para as pessoas
que buscam estabilidade profissional no início ou no fim
da vida profissional, uma das soluções pode ser candidatar-se
aos concursos públicos.
Leia
mais:
- Estado é atraente no início e no fim
da vida profissional
- "Carreiras típicas" têm privilégios
- Mais da metade dos federais têm entre 41 e
50 anos
- Desemprego incentiva concursos
- Governo planeja abrir 38 mil vagas ainda neste ano
- Para candidato, ser aprovado não garante nomeação
- Cargos regionais são atraentes
- Agências vão abrir primeiras seleções
públicas neste ano
- Regimes trabalhistas se misturam
- Preparação tem início seis
meses antes das provas
- Língua portuguesa é a que mais reprova
nos testes escritos
- Pensar é preciso
- Após a aprovação, escolas de
governo cobram resultados
- Confira alguns dos concursos aprovados pelo planejamento
em 2004.
Estado é atraente no início e no fim da vida profissional
Os empregos
públicos se tornaram especialmente atraentes para profissionais
que se enquadram em dois extremos opostos: de um lado, recém-formados
são seduzidos por salários iniciais muito mais altos
do que os que encontrariam no mercado privado; do outro, quem já
passa dos 40 anos acha nos concursos oportunidades inexistentes
nas empresas.
Apesar de os
servidores federais ganharem em média 16% mais do que seus
colegas do setor privado, a carreira pública não é
indicada para quem é inquieto e ambicioso: a ascensão
é lenta, e o teto salarial, menor. Na AGU (Advocacia Geral
da União), por exemplo, que paga salário inicial de
R$ 4.406, o profissional chega ao fim da carreira ganhando R$ 7.600.
Um advogado bem-sucedido pode ganhar o dobro disso.
Outro exemplo:
os cargos de delegado e de perito da Polícia Federal têm
piso de R$ 7.965,97 e teto de R$ 9.434,44. Embora sem paralelo na
iniciativa privada, o que se nota é uma grande proximidade
entre os valores inicial e final.
Além disso, as chances de crescimento no setor privado são
maiores: não há limite de renda para os mais competentes.
A estabilidade
no emprego, por outro lado, é hoje artigo em extinção
entre os registrados pela CLT. Na carreira pública, ainda
é uma realidade. Quem prefere segurança a grandes
salários, portanto, é bom candidato a servidor público.
Mas há mais uma série de diferenças a avaliar.
O casal Rosana
e Carlos da Costa, ambos engenheiros civis de Campo Grande (MT),
largaram tudo para ir a Brasília. "A iniciativa privada
já não paga tão bem. Meu trabalho hoje analista
de controle externo do Tribunal de Contas da União é
mais bem pago, estável, e tenho todos os benefícios
trabalhistas garantidos pela lei", pondera Carlos, 41.
Rosana, 41,
que trabalhava como oficial de Justiça, pediu exoneração.
"Fiquei dois anos só estudando, até que passei
na prova para analista de planejamento."
A professora Eniraci Michele Fabre, 50, prestou seu primeiro concurso
público em 1973 e até hoje trabalha para o município.
Paralelamente, ela atuou em escolas particulares por 25 anos até
se aposentar. Mas continua na ativa trabalhando para o município.
Ela diz que,
em sua área, a política salarial no setor público
é mais "justa". "As boas escolas privadas
pagam mais que as públicas. Mas, nas municipais, há
plano de carreira e o salário não estaciona."
(Folha de
S. Paulo – 02/05/04)
"Carreiras típicas" têm privilégios
Algumas carreiras
públicas não têm paralelo na iniciativa privada.
São as chamadas "carreiras típicas de Estado",
que incluem as ligadas à auditoria e à gestão
de recursos públicos, as carreiras jurídicas (juiz,
promotor e procurador da República), a diplomacia e os cargos
das polícias.
A idéia,
segundo Regina Luna, diretora de análise e monitoramento
de força de trabalho do Ministério do Planejamento,
vem da reforma do Estado do governo Fernando Henrique Cardoso. "Na
gestão FHC 1995-2002, o plano era não tratar todos
os cargos da mesma forma e selecionar os mais importantes",
diz.
Os cargos pinçados
foram aqueles cujos ocupantes precisam de isenção
para exercer seu trabalho, motivo pelo qual não podem ser
ligados a outras instituições. Por isso, são
proibidos de exercer atividades profissionais na iniciativa privada,
mas gozam de um regime especial de aposentadoria.
A distinção,
porém, tende a perder força, "já que todas
as carreiras públicas são típicas do Estado",
argumenta Luna. "Hoje estamos estudando uma nova classificação."
Enquanto o estudo não fica pronto, na atual divisão
de cargos, 10% dos servidores dos quadros federais são ocupantes
das carreiras típicas de Estado.
(Folha de
S. Paulo – 02/05/04)
Mais da metade dos federais têm entre 41 e 50 anos
O serviço
público do poder Executivo envelheceu. Dados do Ministério
do Planejamento mostram que, pela primeira vez desde 1996, a faixa
etária entre 41 e 50 anos passou a representar mais da metade
dos concursados que atuam na administração federal.
Em novembro
de 2003, 72% dos servidores da administração direta
(incluindo autarquias e fundações, mas sem contar
Banco Central e Ministério Público) na ativa tinham
mais de 40 anos. Comparado com dados de 1996, o índice subiu
16 pontos percentuais.
Mais experiência,
menos juventude. A faixa de funcionários do Executivo federal
com até 40 anos despencou de 43,9% do total em 1996 para
28,3% em 2003.
Regina Luna,
diretora de análise e monitoramento de força de trabalho
do Ministério do Planejamento, confirma que o perfil do servidor
público vem mudando gradualmente, e sua idade média,
aumentando. Para ela, isso pode ser um fenômeno positivo.
"Principalmente
nos cargos mais elevados, é importante contar com pessoas
experientes", afirma. Segundo ela, a medida torna a carreira
pública "mais democrática", pois acolhe
tanto profissionais mais velhos como jovens e mulheres todos em
igualdade de condições.
Mas a explicação
para esse envelhecimento do servidor pode estar no mercado de trabalho,
hoje fechado para quem passou dos 40.
O economista
Silas Toledo, 43, faz parte do grupo dos que prestaram concurso
tardiamente. "Queria trabalhar na administração
direta e aprofundar meus estudos em administração
pública." Ele passou recentemente em concurso para gestor
de políticas e planejamento público.
O envelhecimento
do funcionalismo pode trazer problemas a longo prazo, afirma o professor
de economia da PUC-SP Nelson Marconi, ex-diretor de carreiras e
remuneração do Ministério do Planejamento.
"Com funcionários de diferentes faixas etárias
você permite uma oxigenação dos quadros e evita
desfalques no caso de um grupo envelhecer e correr para a aposentadoria."
O Planejamento
atualmente reconhece que a possibilidade existe. A previsão
é que a partir de 2006 haja uma onda de aposentadorias no
Executivo.
"Estamos
planejando um calendário de contratação para
suprir essas vagas", diz Luna. Segundo ela, a reposição
será progressiva, com pequenos concursos espaçados.
Contratações periódicas serão adotadas
para evitar que o problema se repita. "O objetivo é
ter funcionários de diferentes faixas etárias atuando
em conjunto."
(Folha de
S. Paulo – 02/05/04)
Desemprego incentiva concursos
Os níveis
recordes de desemprego na região metropolitana de São
Paulo (20,6% da população economicamente ativa em
março, segundo a Fundação Seade e o Dieese)
levam mais pessoas a sonhar com um emprego estável.
"O mercado
hoje está feroz. O perfil exigido do trabalhador é
o de super-homem: o profissional precisa estar disposto a dar o
sangue pela empresa, conciliar com o trabalho uma pós-graduação
ou um MBA, tomar cerveja com os amigos e ainda passar a imagem de
uma pessoa que tem uma vida saudável", avalia a consultora
Patricia Molino, da KPMG.
A intensa concorrência
por vagas não favorece os mais velhos. "Um profissional
de 40 anos tem poucas chances de boa colocação na
iniciativa privada. Ou ele já atingiu um patamar de destaque
na carreira, ou corre o risco de ser desligado da empresa",
diz Zélia de Almeida, professora de recursos humanos e gestão
de pessoas do Ibmec (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais)
do Rio.
"As pessoas
atualmente estão inseguras e querem garantir o seu trabalho.
Muita gente chega aqui dizendo que a única maneira que encontrou
para conseguir alguma estabilidade foi tentar um concurso público",
conta José Luís Romero, diretor do cursinho preparatório
Central de Concursos.
(Folha de
S. Paulo – 02/05/04)
Governo planeja abrir 38 mil vagas ainda neste ano
Aqueles que
pensam em investir na carreira pública terão muitas
opções neste ano. O governo federal planeja abrir
38.845 vagas para serem preenchidas por meio de concurso público
até 2005. O número é uma revisão do
que já havia sido previsto no Orçamento de 2004 (41.380).
O Ministério do Planejamento já autorizou mais de
12 mil delas veja algumas no quadro ao lado.
Os exames vão
abarcar diversas áreas. As com maior número de vagas
autorizadas até o momento são Polícia Federal
(3.684), INSS (1.549), hospitais e instituições de
ensino (1.192), Polícia Rodoviária Federal (1.100),
Receita Federal (1.000) e Anatel (740).
O campeão
em concorrência, pelos cálculos do governo, será
o concurso da Polícia Federal, que, até 2007, deverá
ter aberto 5.659 vagas (incluindo as 3.684 já autorizadas).
Elas vão englobar os cargos de delegado, perito, escrivão
e agente todos exigindo o nível superior.
O concurso com
maior número de inscritos do ano até agora foi o da
Policia Rodoviária Federal, que registrou a participação
de 523.940 candidatos em todo o país, concorrendo a 2.200
vagas com salário inicial de R$ 3.735,61 (relação
de 238 candidatos/vaga).
As carreiras
mais atrativas, porém, não são necessariamente
as que apresentam maior número de candidatos por vaga. São
as que aliam vagas ao status do cargo e a bons salários,
como a de procurador federal (R$ 4.406,11 de salário inicial
e 3,5 candidatos/vaga no último concurso) e a de fiscal da
Receita Federal (inicial de R$ 5.250,87; 55 candidatos/vaga).
Em termos de
atratividade, a diplomacia está sempre em alta, pois a carreira
é associada com o glamour de festas e viagens internacionais
constantes. Para ter direito a fazer parte dessa classe "magnética",
o candidato deve se preparar para uma "maratona".
São dez
provas escritas e três orais por concurso. Por vários
dias, os concorrentes enfrentam perguntas de português, inglês,
francês, espanhol e questões internacionais, entre
outras.
A boa notícia
é que, normalmente, são empossados todos os aprovados
(em geral, um número menor que o de vagas). "É
difícil, mas não é impossível. É
só se preparar bem, estudar", afirma Jean Marcel Fernandes,
chefe de secretaria do Instituto Rio Branco, responsável
pelo concurso. O prêmio do futuro diplomata: salário
inicial de R$ 4.555,98 e carreira internacional.
(Folha de
S. Paulo – 02/05/04)
Para candidato, ser aprovado não garante nomeação
Depois de meses
ou mesmo de anos de estudo, a recompensa: passar em um concurso
público assegura emprego estável e bom salário
para o resto da vida, certo? Errado. Especialmente no caso de concursos
das esferas municipal e estadual, ser aprovado é apenas o
primeiro desafio. O segundo é ser convocado e devidamente
nomeado para o cargo.
"Abri mão
de um salário mais alto na iniciativa privada e passei um
ano e meio estudando. Fui aprovada no concurso para procuradora-geral
do Estado e espero ser chamada desde 2002", diz a advogada
Adriana Mazieiro, 28, que faz parte de um grupo de 120 bacharéis
ainda não nomeados.
De fato, o governo
estadual reconhece que a situação para contratações
não é favorável no momento. Isso porque alcançou
quase o limite de gastos com a folha de pagamento. Por isso muitos
dos já aprovados em concursos antigos aguardam nomeação.
Outra conseqüência
do aperto é a suspensão de novos concursos. Neste
ano não deve haver nenhum ligado ao governo estadual.
"Só
conseguiremos folga se a arrecadação aumentar, o que
depende do reaquecimento da economia. Não haverá nomeações
nem novos concursos enquanto o Estado não sair do limite",
afirma a assessora especial para assuntos de recursos humanos e
gestão do Estado, Evelyn Levy.
No total, 9.585
aprovados em concursos estaduais nos últimos três anos
aguardam nomeação. A maioria vem das áreas
de educação (63,43%) e de administração
penitenciária (34,15%).
"Devemos
ser cuidadosos com as contratações. [Elas serão
feitas] somente quando forem possíveis e necessárias",
diz Levy.
Já a
Prefeitura de São Paulo prevê a realização
de mais um concurso em 2004, para a Guarda Civil Metropolitana.
O edital deve ser lançado nas próximas semanas, e
a prova acontecerá antes do dia 3 de julho.
Por força
de lei, a partir dessa data e até o fim do ano, somente poderão
ser feitas nomeações de concursos cujos resultados
tenham sido homologados antes de 3 de julho. O motivo é a
proximidade das eleições de 2004.
Para evitar
a demora nas contratações, Márcia Morales,
diretora de recursos humanos da prefeitura, afirma que o município
prioriza a abertura de pequenos concursos, para contratar de acordo
com o caixa disponível.
Entre os concursos
municipais que já foram abertos neste ano estão os
para agente de apoio (3.854 vagas), professor (1.468) ambos com
inscrições já encerradas- e para o cobiçado
cargo de procurador do município (105 vagas), que terá
a segunda fase das provas em 9/5.
(Folha de
S. Paulo – 02/05/04)
Cargos regionais são atraentes
Os postos públicos
mais atrativos não estão todos na esfera federal.
Ainda que em menor escala, Prefeitura de São Paulo e governo
do Estado oferecem oportunidades dignas de nota. Na área
jurídica estão algumas das vagas com as melhores remunerações.
Os candidatos
que forem aprovados no concurso para procurador do município
de São Paulo, que está em andamento, terão
rendimentos iniciais de R$ 7.539, sem contar os ganhos com bonificações
e extras, que podem elevar o salário de quem começa
para cerca de R$ 9.000.
O advogado Luis
Carlos Fabre, 25, que atualmente trabalha como procurador da Fazenda
Nacional (salário inicial de R$ 3.741,92), faz parte dos
17.828 candidatos que disputam as 120 vagas oferecidas na procuradoria
paulistana.
"Nasci
em São Paulo e gostaria de trabalhar como advogado do município.
Além da chance de poder me dedicar a uma carreira do meu
interesse, a remuneração é muito boa",
conta. Ele passou na primeira fase dos exames, mas mantém
o sangue frio. "Temos de pensar a longo prazo quando fazemos
um concurso público."
(Folha de
S. Paulo – 02/05/04)
Agências vão abrir primeiras seleções
públicas neste ano
Quem trabalha
em uma agência reguladora e pretende continuar no cargo deve
começar a estudar. A partir deste ano, as nove autarquias
de regulação federais passarão a selecionar
seus quadros por concurso. Os atuais funcionários, com contrato
por tempo determinado, serão substituídos.
"Antes
as pessoas enviavam o currículo e eram entrevistadas. O governo
resolveu brecar isso", diz Regina Luna, diretora de análise
e monitoramento de força de trabalho do Planejamento.
A Anatel, por
exemplo, já está autorizada a realizar seu primeiro
concurso público. Estão sendo analisados os pedidos
da ANP (Agência Nacional do Petróleo), Aneel (Agência
Nacional de Energia Elétrica) e Anvisa (Agência Nacional
de Vigilância Sanitária).
As agências
reguladoras são órgãos de fiscalização
com poder de polícia. Por isso exigem quadro qualificado.
"A realização de concursos é salutar e
necessária", afirma Maria Augusta Feldman, presidente
da Abar (Associação Brasileira de Agências de
Regulação).
Algumas agências
realizaram concursos no governo passado, mas não nomearam
os classificados por causa de uma ação direta de inconstitucionalidade
movida pelo PT. Hoje, um projeto de lei enviado pelo atual governo
para regulamentar o setor tramita no Congresso Nacional.
O texto autoriza
os concursos e aumenta o teto das gratificações de
30% para 50%. "Uma das preocupações é
a manutenção de quadros qualificados e permanentes.
Por isso os salários têm de ser adequados", afirma
Feldman.
Os contratos
dos atuais funcionários de nível técnico (formação
superior) valem até dezembro de 2005. É o caso de
Renato Lima, 33. Funcionário com contrato determinado da
Aneel há seis anos, ele espera o resultado da tramitação
que regulará as contratações via concurso para
decidir se fará a prova para continuar na agência.
No projeto de
lei enviado pelo governo, a forma de contratação era
apenas para nível inicial. Alterado no Senado, o novo texto
cria três níveis (básico, médio e superior).
"Tenho 12 anos de formado. Só vou prestar o concurso
se houver possibilidade de concorrer na última categoria",
diz.
Segundo ele,
o contrato determinado tem uma vantagem salarial: os ganhos são
um pouco maiores do que a média porque os empregados não
têm alguns direitos, como aviso prévio. "Por isso
o concurso tem mesmo de ser atrativo", diz. O maior salário
de um "temporário" hoje na Aneel é de R$
7.100.
(Folha de
S. Paulo – 02/05/04)
Regimes trabalhistas se misturam
Há muita
confusão em torno dos regimes trabalhistas que regem cada
atividade. Os funcionários das agências reguladoras,
por exemplo, são chamados de "temporários",
mas, na verdade, têm contrato por prazo determinado. Qual
é, afinal, a diferença?
O profissional
temporário não é contratado diretamente, mas
por uma empresa que fornece mão-de-obra para companhias com
necessidade transitória de substituição de
pessoal. O contrato, regido pela CLT (Consolidação
das Leis do Trabalho), garante quase todos os direitos do trabalhador
efetivo, exceto os 40% de multa sobre o FGTS, aviso prévio
ou estabilidades como a da gestante. A duração do
trabalho limita-se a 90 dias, prorrogáveis por outros 90.
Já o
contrato por prazo determinado tem início e término
pré-fixados, dura no máximo dois anos e pode ocorrer
em qualquer situação. O contrato é por convenção
ou acordo coletivo, que estabelecerá uma indenização
em caso de rescisão antecipada.
Já a
relação estatutária é de direito público
e se fundamenta no reconhecimento da supremacia do Estado. O relacionamento
entre servidor e administração se pauta na obediência
aos princípios da legalidade, moralidade e eficiência,
e não em um contrato, como acontece com o celetista.
A Constituição
de 1988 aproximou bastante as realidades jurídicas do servidor
público e do empregado (público ou privado), mas alguns
tópicos continuam bem diferentes. As férias, por exemplo.
No regime privado, o empregado não tem obrigação
de dizer o local onde pode ser encontrado. No direito público,
é dever do servidor dar essa informação.
É bom
lembrar que todo funcionário público é obrigado
a prestar concurso, mas só os chamados "essenciais"
seguem regime estatutário. Já os demais são
"empregados públicos" (celetistas).
(Folha de
S. Paulo – 02/05/04)
Preparação tem início seis meses antes das
provas
Na corrida dos
concursos, quem pretende agarrar uma vaga tem de se dedicar com
afinco. As carreiras mais concorridas chegam a ter mais de cem candidatos
disputando cada posto, e é preciso estar bem preparado para
figurar no time dos aprovados.
O conteúdo
exigido, dependendo da carreira, pode ser extenso, o que exige tempo.
Começar a estudar com seis meses de antecedência, no
mínimo, é a primeira dica importante para os candidatos.
Assuntos complexos como legislação tributária
e regras de administração pública, comuns em
muitos concursos, não são aprendidos do dia para a
noite.
"Comecei
a estudar para prestar concurso há pouco mais de um ano.
Fiz um plano de estudos pelo qual estaria realmente preparado por
volta do meio deste ano", exemplifica Juliano Zamboni, 25,
que tenta vaga na procuradoria do município de São
Paulo.
"As provas
dos principais concursos privilegiam questões analíticas,
o que exige conhecimento mais aprofundado", explica Estefânia
de Queiroz, coordenadora do curso de advocacia pública do
Instituto Exord. Ela diz que a preparação deve começar
com o candidato definindo bem o seu objetivo e a área de
interesse.
"As matérias
se repetem em concursos de uma mesma área e assim é
possível se preparar para mais de um ao mesmo tempo."
Há quem
não hesite em procurar um cursinho especializado em concursos
na hora de iniciar a sua preparação. A estratégia
é válida, principalmente se for aliada a um plano
de longo prazo ou para quem tem pouca disciplina para estudar sozinho.
"No nosso
trabalho, orientamos os candidatos em relação às
provas e também os ajudamos a se atualizar", diz o ex-agente
fiscal de renda Richard Haddad, um dos sócios do Pró-Concurso.
Voltar às
salas de aula também é útil para se aprofundar
em temas que estão fora da área de especialização
do candidato. "Um engenheiro que for prestar concurso para
auditor fiscal, por exemplo, não estudou legislação
nem contabilidade na graduação", completa Haddad.
O candidato,
no entanto, não deve acreditar que apenas as aulas serão
suficientes. É preciso estudar sozinho. Às horas gastas
em sala de aula devem se seguir outras tantas de estudo extra.
É fundamental
ter paciência. E muita. Mesmo com todo o empenho e dedicação,
a aprovação pode demorar. São poucos os que
conseguem bons resultados já nos primeiros concursos.
Com o tempo
e experiência o candidato ganha "intimidade" com
as provas, aprende a encarar os processos seletivos com calma e
consolida o que aprendeu nos estudos.
(Folha de
S. Paulo – 02/05/04)
Língua portuguesa é a que mais reprova nos testes
escritos
Português
é a disciplina que mais reprova em concursos públicos.
"Não há o que se faça no governo que não
seja por escrito. A língua portuguesa é, dentro da
máquina pública, a ferramenta mais usada", justifica
Fabio Fabrizziani, da Meta Concursos.
Por isso, completa
ele, as provas da disciplina são rigorosas. A língua
é responsável também por reprovação
indireta. A maioria das questões, de português ou de
outras matérias, tem enunciados requintados, que exigem bom
nível de interpretação de texto.
Os candidatos
que mais demonstram dificuldade não são, como seria
de imaginar, os especialistas nas matérias de exatas. "Eles
têm consciência de que não sabem português,
por isso estudam. Os que mais têm dificuldades na prova são
aqueles que pensam que sabem", diz Fabrizziani.
Em seguida na
lista das "vilãs" vêm matemática,
contabilidade e auditoria. As matérias jurídicas aparecem
em terceiro lugar.
As provas para
o Ministério Público e para a magistratura são
as mais difíceis do Brasil, na opinião de Damásio
de Jesus, professor de direito penal e presidente do Complexo Jurídico
Damásio de Jesus. Sua nota de corte é 76 (nos outros
concursos, esse valor varia de 50 a 60).
O português,
segundo ele, é o grande obstáculo também nessa
área. "Se não souber escrever, não adianta
ter bom conhecimento técnico", afirma.
Os professores
são unânimes em dizer que uma das formas mais eficientes
de estudar para um concurso é conhecer a "linha"
da instituição organizadora.
No caso das
provas da Fundação Carlos Chagas uma das maiores organizadoras
de exames do país, por exemplo, o candidato vai notar a ausência
das chamadas "pegadinhas". "Esse tipo de questão
é proibida", diz Ricardo Iglesias, superintendente de
operações externas da instituição.
Já nas
provas do Cespe (ligado à Universidade de Brasília),
vai se dar mal quem que pretende "chutar": cada resposta
errada anula uma certa (quando não souber, é melhor
deixar em branco).
A Fundação
Cesgranrio valoriza o grau de atualização e de proximidade
com o cotidiano dos candidatos, diz o presidente Carlos Alberto
Serpa de Oliveira. Na Vunesp, pode ocorrer de o candidato ter de
fazer uma prova prática. É o caso, por exemplo, dos
testes para cozinheiro, eletricista, mecânico e motorista.
Dica: descubra quem vai organizar a sua prova e estude usando os
exames anteriores.
(Folha de
S. Paulo – 02/05/04)
Pensar é preciso
Munido da informação
de que português é a matéria que mais reprova
os candidatos a uma vaga no serviço público, você
resolve priorizar essa disciplina e começa a decorar todas
as listas possíveis: femininos, aumentativos, diminutivos,
coletivos, superlativos, plurais exóticos etc.
Não é
esse o caminho, já que (pelo menos nos concursos federais)
não se tem exigido a (inútil) decoreba de listas.
Quer-se saber se o candidato compreende o que lê, o que exige
vocabulário, raciocínio lógico, domínio
dos mecanismos estruturais de um texto, conhecimento das normas
de regência, concordância etc. Exige-se também
o conhecimento básico da nomenclatura gramatical.
Já vai
tarde (espero!) o tempo em que se pedia o feminino de "peixe-boi"
(concurso para a seleção de oficial de Justiça,
em São Paulo) ou o coletivo de cobras (prova de uma das corporações
militares, também em São Paulo). Que se mede com esse
tipo de pergunta? Nada de nada.
A ordem, pois,
é aprender a aprender, aprender a estudar e, sobretudo, aprender
a pensar.
Tomemos como
exemplo o concurso de 2003 para a seleção de auditor
fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego, organizado pela
Esaf (Escola de Administração Fazendária).
Depois de ler um trecho (adaptado) de uma revista semanal, o candidato
tinha de analisar quatro "possibilidades de continuidade para
o texto". As palavras iniciais dessas quatro possibilidades
eram, respectivamente, "por isso", "com isso",
"assim" e "no entanto".
Fica mais do
que claro o que quer a banca: avaliar o conhecimento das noções
de coesão e coerência textual e, por conseguinte, do
emprego dos elementos lingüísticos que estabelecem adequadamente
essas relações.
Quando se emprega
"por isso", por exemplo, estabelece-se nexo de conclusão
ou de causa e efeito; o que se afirma a seguir é deduzido
ou é decorrência do que se afirmou antes. Quando se
emprega "no entanto", estabelece-se nexo de oposição,
de adversidade; o que se afirma a seguir contradiz o que se afirmou
antes.
A resposta correta
a uma questão como essa (que aparece em outros concursos,
como o de 2002 para a seleção de técnico da
Receita Federal, também da Esaf) depende da leitura atenta
do texto e da correta relação entre o que nele se
diz e o que se afirma em cada uma das possíveis continuidades.
Para isso, pensar é mais do que preciso; é imperativo.
É isso.
(Folha de
S. Paulo – 02/05/04)
Após a aprovação, escolas de governo cobram
resultados
Engana-se o
candidato a servidor que acha que, depois de uma verdadeira maratona
de estudos, ser aprovado no concurso público é o final
feliz da sua história. Em muitas carreiras, os testes são
só o primeiro passo. Depois da aprovação, pode
ser necessário voltar aos bancos escolares e cursar uma escola
de governo. Quem é reprovado está fora do funcionalismo.
"As carreiras
que mais têm essa necessidade são as do núcleo
estratégico do Estado", diz José Luiz Pagnussat,
assessor da diretoria de formação profissional da
Enap (Escola Nacional de Administração Pública).
É o caso da diplomacia, que envia seus concursados ao Instituto
Rio Branco. Há ainda cursos de formação na
Esaf (Escola de Administração Fazendária) e
na Academia da Polícia Federal, entre outras.
Para o estudioso
José Matias Pereira, cientista político da UnB (Universidade
de Brasília), ainda é pouco. O ideal, diz, seria que
mais carreiras obrigassem os aprovados a cursar escolas de governo.
"É preciso investir mais nessa área. Os magistrados
[por exemplo] têm como alternativa uma escola de magistratura,
mas sem papel de escola de governo."
A diretora de
análise e monitoramento da força de trabalho do Planejamento,
Regina Luna, reconhece que "do ano passado para cá,
devido ao aumento do número de concursos, a demanda aumentou".
No plano federal, contudo, ela considera a oferta atual satisfatória.
"Mas seria bom introduzir essa preocupação [de
formação] nas administrações municipal
e estadual", afirma.
A Enap, que
forma servidores das áreas de gestão e de fiscalização,
abrirá neste ano seu primeiro curso de pós-graduação
em gestão pública. Será uma especialização
("lato sensu") com duração total de um ano.
"A demanda
por parte dos órgãos públicos é grande.
Eles querem que os cursos de pós-graduação
valorizem suas especificidades", pondera José Luiz Pagnussat.
(Folha de
S. Paulo – 02/05/04)
Confira alguns dos concursos aprovados pelo planejamento em 2004:
Empresa:
ABIN
Cargo: analista de informação
Vagas: 150
Salário inicial: R$ 2.392
Empresa:
ABIN
Cargo: pesquisador
Vagas: 3
Salário inicial: a definir
Empresa:
ABIN
Cargo: tecnologista
Vagas: 13
Salário inicial: a definir
Empresa:
Anatel
Cargo: técnico de regulação de serviços
públicos
Vagas: 300
Salário inicial: a definir
Empresa:
Anatel
Cargo: analista administrativo
Vagas: 50
Salário inicial: a definir
Empresa:
Banco Central
Cargo: analista (superior)
Vagas: 400
Salário inicial: R$ 5.146
Empresa:
Banco Central
Cargo: técnico (médio)
Vagas: 180
Salário inicial: R$ 2.393
Empresa:
Banco Central
Cargo: procurador (superior0
Vagas: 33
Salário inicial: R$ 5.298
Empresa:
Controladoria
Cargo: analista de finanças e controle (superior)
Vagas: 300
Salário inicial: R$ 4.989
Empresa:
IBGE (cargos temporários)
Cargo: agente de pesquisa e mapeamento (nível técnico)
Vagas: 3.837
Salário inicial: R$ 480
Empresa:
IBGE (cargos temporários)
Cargo: analista censitário (superior em engenharia
cartográfica)
Vagas: 67
Salário inicial: R$ 1.300
Empresa:
Inmetro
Cargo: tecnologia
Vagas: 10
Salário inicial: a definir
Empresa:
Inmetro
Cargo: técnico
Vagas: 4
Salário inicial: a definir
Empresa:
INSS
Cargo: auditoria da Previdência Social (superior)
Vagas: R$ 250
Salário inicial: R$ 4.787
Empresa:
INSS
Cargo: analista previdenciário (superior)
Vagas: 562
Salário inicial: R$ 1.081
Empresa:
INSS
Cargo: técnico previdenciário (superior)
Vagas: 737
Salário inicial: R$ 793
Empresa:
Ipea
Cargo: técnico de pesquisa e planejamento
Vagas: 40
Salário inicial: até R$ 4.989
Empresa:
Ipea
Cargo: assessor especializado
Vagas: 9
Salário inicial: R$ 4.989
Empresa:
Ipea
Cargo: técnico de desenvolvimento administrativo
Vagas: 12
Salário inicial: até R$ 4.989
Empresa:
Ministério da Agricultura
Cargo: fiscal federal, agropecuário (diploma de engenheiro
agrônomo, veterinário, zootecnista, químico
ou farmacêutico)
Vagas: 200
Salário inicial: R$ 2.457
Empresa:
Ministério da Ciência e Tecnologia
Cargo: analista em ciência e tecnologia (superior)
Vagas: 191
Salário inicial: de R$ 2.300 a R$ 4.800
Empresa:
Ministério da Ciência e Tecnologia
Cargo: pesquisador (superior)
Vagas: 51
Salário inicial: de R$ 2.300 a R$ 4.800
Empresa:
Ministério da Ciência e Tecnologia
Cargo: tecnologista
Vagas: 66
Salário inicial: de R$ 1.200 a R$ 1.800
Empresa:
Ministério da Ciência e Tecnologia
Cargo: técnico (médio)
Vagas: 95
Salário inicial: de R$ 1.200 a R$ 1.800
Empresa:
Ministério das Relações Exteriores
Cargo: oficial de chancelaria (superior)
Vagas: 135
Salário inicial: R$ 2.633
Empresa:
Ministério das Relações Exteriores
Cargo: assistente de chancelaria (superior)
Vagas: 72
Salário inicial: R$ 681
Empresa:
Policia Federal
Cargo: delegado (superior em direito)
Vagas: 607
Salário inicial: R$ 7.965
Empresa:
Policia Federal
Cargo: perito criminal (superior)
Vagas: 506
Salário inicial: R$ 7.965
Empresa:
Policia Federal
Cargo: agente policial (superior)
Vagas: 1.866
Salário inicial: R$ 4.199
Empresa: Policia Federal
Cargo: escrivão (superior)
Vagas: 705
Salário inicial: R$ 4.199
Empresa:
Receita Federal
Cargo: auditor fiscal (superior)
Vagas: 1.000
Salário inicial: até R$ 5.250
Empresa:
Receita Federal
Cargo: técnico da receita (superior)
Vagas: 50
Salário inicial: R$ 2.258
Empresa:
Tesouro Nacional
Cargo: analista de finanças e controle (superior)
Vagas: 50
Salário inicial: R$ 4.609
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