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Design de interiores tem diversas oportunidades no mercado

O mercado de trabalho está crescendo para os profissionais em Design de interiores. São empregos não só para quem tem formação na área, mas também para iluminadores, paisagistas, marceneiros, estofadores, pintores e instaladores de esquadrias, pisos, sancas e cortinas, entre outras atividades.

Leia mais:
    - Cores, formas e trabalho
    - Comércio é opção para os recém-formados
    - Uma profissão não regulamentada
    - Por dentro do setor

   

 

 

 

 

 

 

 

Cores, formas e trabalho

Uma indústria que, em 2004, faturou no Brasil 72% a mais que no ano anterior, movimentando R$ 20,2 bilhões, o design de interiores vem se profissionalizando e abrindo oportunidades. São empregos não só para quem tem formação na área, mas também para iluminadores, paisagistas, marceneiros, estofadores, pintores e instaladores de esquadrias, pisos, sancas e cortinas, entre outras atividades.

Ivan Rezende, diretor da Associação Brasileira de Design de Interiores (ABD), regional Rio, destaca que os projetos não são mais restritos às casas de famílias de alta renda, nem mesmo às residências: cresce o número de projetos para estabelecimentos comerciais.

“E este segmento, de projetos comerciais, impulsiona a profissionalização do setor, porque não há espaço para o improviso. É preciso ter orçamentos precisos, especificações coerentes, prazos rigorosos,” diz Rezende, acrescentando que desde 2000 a ABD só admite associados que comprovem formação acadêmica. “Antes, bastava provar a autoria de um projeto.”

Quem está entrando no mercado está otimista. É o caso de Simone Cunha, que está se formando em composição de interior na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e já está empregada:

“Na minha turma, todos têm conseguido estágio com facilidade em escritórios ou lojas do setor.”

As exigências também são maiores para os operários. Na loja Orlean, por exemplo, foram contratados recentemente 40 profissionais para substituir os terceirizados, que nem sempre agradavam:

“Decidimos criar um quadro fixo de instaladores de pisos, carpetes, papéis de parede, sancas e persianas, que são treinados na função que vão exercer. Alguns são mandados para as fábricas de fornecedores, onde fazem cursos e recebem certificado. Eles deixaram de “fazer bico” para ter uma profissão.”

(O Globo – 03/07/05)

   

Comércio é opção para os recém-formados

Doze mil lojas e 11 shoppings temáticos, em todo o país, são o reflexo do crescimento do setor de design de interiores, que não pára de contratar gente especializada. Brunete Fraccaroli, presidente da Associação Brasileira de Design de Interiores (ABD), ressalta que hoje o mercado de trabalho desses profissionais é muito mais amplo e não se restringe à prancheta do escritório:

“Da mesma forma que há oportunidades para autônomos, há muitos empregos em lojas. No mercado de decoração, os profissionais com formação são mais que vendedores: são consultores que montam projetos com os produtos da loja para os clientes, o que é uma boa opção para quem está em início de carreira.”

Francisco Grabowsky, diretor de marketing do CasaShopping, na Barra da Tijuca, concorda. Ele conta que, desde que foi inaugurado, há 20 anos, o empreendimento quase dobrou de tamanho e hoje emprega, somente nas lojas, cerca de 700 pessoas, a maioria com alguma formação na área:

“Começamos com 18 mil metros e hoje temos mais de 30 mil metros quadrados. Desde 1997, o shopping está desenvolvendo um projeto de expansão, com várias fases, de modo que atualmente abrigamos mais de cem lojas e 208 salas comerciais. E ainda estamos crescendo.”

Segundo a ABD, existem aproximadamente 15 mil profissionais atuando como designer no país, divididos da seguinte forma: 40% deles são arquitetos; 55%, técnicos ou tecnólogos em design; e 5%, autodidatas, isto é, gente que fez um ou mais cursos livres na área.

O diretor nacional do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Fernando Alencar, lembra, no entanto, que as estimativas são pouco precisas quando o assunto é design de interiores:

“É que nesses casos os projetos não precisam ser registrados em nenhum órgão oficial e, por isso, não há como medir com precisão o volume de negócios firmados entre profissionais e clientes.”

Só para se ter uma idéia do volume de profissionais envolvidos num projeto desse tipo, a mostra de decoração Casa Cor Rio, marcada para setembro, deverá empregar em torno de mil operários. Eles vão trabalhar nos 50 ambientes da mostra, projetados por cerca de 70 profissionais.

“O desenvolvimento do mercado de arquitetura levou também à especialização da mão-de-obra técnica. Hoje eles são verdadeiros especialistas e estão muito mais organizados, inclusive, em empresas,“ ressalta Patrícia Mayer, uma das organizadoras da Casa Cor carioca, que chega este ano a sua décima-quinta edição, com uma expectativa de público de 50 mil pessoas.

As oportunidades no mercado incentivaram as universidades a criarem a graduação tecnológica em design de interiores, com duração de dois anos, no Rio, é oferecida pelas universidades Veiga de Almeida e Cândido Mendes, e cursos de pós-graduação. O Senac também passou a oferecer, em seu Centro de Tecnologia em Design, o curso que forma técnicos em design de interiores, com 860 horas (um ano e oito meses), além de cursos livres.

Mas bem antes disso a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) já formava bacharéis em seu curso de composição de interior, com duração de quatro anos, que a partir de 2006 também será chamado de design de interiores.

“O curso é antigo, de 1971, e hoje em dia o título de design é reconhecido mundialmente. Até na França, onde há rigidez no uso da língua, a profissão tem esse nome. Aqui, recentemente o governo criou o Programa Brasileiro de Design, então, com a reforma curricular, o curso mudará de nome,” conta a professora Nora Geoffroy.

(O Globo – 03/07/05)

   

Uma profissão não regulamentada

Diante da demanda de profissionais e do aumento de cursos de design de interiores, em diferentes níveis, está em tramitação desde 2001 no Congresso Nacional o projeto 5.712, visando a regulamentar a profissão no país.

“A profissão já consta na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) do Ministério do Trabalho e Emprego, mas o trabalhador desta área ainda carece de melhor definição sobre sua classe. O projeto de lei 5.712 já passou por todas as comissões, falta apenas a avaliação final,“ explica a consultora cultural e educacional da ABD, Ana Maria Piemonte.

A falta de regulamentação preocupa quem está ingressando nesse mercado, como Simone Cunha, formanda do curso de composição de interior da UFRJ:

“Esse é o assunto que sempre debato com os meus colegas. Como não há regulamentação, não temos piso salarial nem regras de carga horária. Não há parâmetros.”

E o crescimento da demanda por profissionais do setor, principalmente pela classe média, está levando a uma invasão de curiosos, sem formação técnica, diz o diretor do IAB, Fernando Alencar:
“As pessoas ainda não tem o hábito de pedir registro aos profissionais que contratam e muitas vezes acabam fechando negócio com pessoas que não estão habilitadas.”

(O Globo – 03/07/05)

   

Por dentro do setor

ESPECIALIZAÇÃO I: Arquitetos, designers de interiores, iluminadores e paisagistas são algumas das profissões de nível superior que têm oportunidades em escritórios de arquitetura, lojas especializadas e grandes empresas de diferentes setores. Remuneração média de R$ 3 mil a R$ 4 mil.

ESPECIALIZAÇÃO II: O crescimento do mercado de arquitetura de interiores teve como conseqüência a especialização da mão-de-obra técnica, com a demanda por serviços multiplicada e o preço pago por eles valorizado. Os salários médios para trabalhadores vinculados às empresas são de R$ 2.100 para mestre de obras e R$ 1.200 para pedreiros, eletricistas e pintores. Marceneiros, estofadores e instaladores de produtos tiram cerca de R$ 1.500 por mês. Autônomos ganham mais.

FATURAMENTO: Em 2004, o setor de design de interiores cresceu 72%, faturando R$ 20,2 bilhões. Desse total, 55% foram destinados a projetos residenciais e 45%, a comerciais.

FORMAÇÃO: O Centro de Tecnologia em Design do Senac oferece curso de nível técnico para quem quer trabalhar no setor. As universidades Veiga de Almeida e Cândido Mendes têm graduação tecnológica, com duração de dois anos, e pós-graduação. A Estácio de Sá e a Gama Filho também têm pós-graduação. Para quem busca um bacharelado, há cursos de arquitetura em várias faculdades e de composição de interior na UFRJ.

(O Globo – 03/07/05)