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Estaleiros buscam profissionais mais qualificados

O setor naval tem retomado o crescimento e espera fechar o ano de 2006 com a criação de 35 mil empregos diretos, estima o governo federal. Para suprir a demanda de funcionários no setor, os estaleiros estão à procura de mão-de-obra e têm tido dificuldades para encontrar profissionais especializados. Sentindo-se pressionadas, as escolas de formação superior vão à caça de alunos.

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    - Estaleiros estão à caça de mão-de-obra
    - Universidades se empenham para cobrir o déficit naval

   

 

 

 

 

 

 

 

Estaleiros estão à caça de mão-de-obra

O setor naval tem retomado o crescimento e espera fechar o ano de 2006 com a criação de 35 mil empregos diretos, estima o governo federal. Após quase uma década sem incentivos, foram investidos cerca de R$ 1,5 bilhão no desenvolvimento de novos projetos de navios, construção ou reforma de estaleiros
nos últimos dois anos.

Para suprir a demanda de funcionários no setor, os estaleiros estão à procura de mão-de-obra e têm tido dificuldades para encontrar profissionais especializados. “Os soldadores são os mais procurados. Os próprios estaleiros tiveram de abrir escolinhas para formar soldadores”, diz Sérgio Bacci, secretário de Fomentos do Ministério dos Transportes Aquaviários (Antaq).

Hoje, a indústria naval emprega cerca de 20 mil funcionários com carteira assinada e gera mais de 100 mil empregos indiretos. “Este é um setor da economia em que as coisas estão acontecendo. São 22 estaleiros abertos no País e a Transpetro, empresa de transporte do Sistema Petrobrás, abriu licitação para a construção de 22 navios petroleiros, o que vai gerar mais 20 mil empregos na fase de construção”, diz Bacci.

Embora o setor esteja a ‘pleno vapor’, há quem faça ponderações. “O processo de licitações sofreu grandes atrasos, isso quer dizer que o pessoal a ser colocado no mercado de trabalho terá de esperar um pouco mais”, diz Severino Almeida Filho, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores dos Transportes Aquaviários e Aéreos na Pesca e nos Portos. “Mas isso não impede que seja um setor de boas empregabilidades”, ressalta Almeida. Um sinal de que o setor está saindo do vermelho é que o governo está fazendo parcerias com outros países para construir seus navios.

“A Venezuela vai construir 36 navios. Já fizemos algumas contratações e creio que conseguiremos construir pelo menos 15 de seus navios”, diz Bacci. ”Além de outras empresas já terem dado o aval de construção de navios”. Outro sinal positivo: “Até o final do ano serão abertas 250 vagas para oficiais e mais 80 para quem tem o nível superior, principalmente, engenharia”, afirma Almeida.

Assim como a frota de navios, os profissionais também estão sendo renovados. “Como a retomada do setor foi há pouco tempo, encontramos bastante jovens e mulheres na área”, observa Bacci. Além do soldador, profissionais como torneiro mecânico, projetista, engenheiro mecânico, elétrico e naval são bastante requisitados.

A média de salário paga a um soldador varia de R$ 1,1 mil a R$ 4 mil, conforme o tempo de serviço. Otimista, Bacci conta que se os incentivos permanecerem, haverá emprego pelo menos nos próximos cinco anos. “Como é um setor que tem de se pensar a longo prazo, até porque a construção de um navio demora em média seis anos, haverá emprego neste período.”

As classes de profissionais da indústria naval cada vez mais se mobilizam para discutir a melhoria e achar soluções para o desenvolvimento do setor. “Os estaleiros ainda estão com grande deficiência. Nos próximos meses, vamos fazer uma reunião e tentar mobilizar o governo, pois os armadores ainda continuam profundamente insatisfeitos com os incentivos”, diz Almeida.

(O Estado de S. Paulo – 03/07/05)

   

Universidades se empenham para cobrir o déficit naval

Em função da procura por profissionais qualificados, por parte das empresas de embarcações e estaleiros, as escolas de formação superior se vêem pressionadas e vão à caça de alunos.

“Estamos com um problema. Precisamos de mais gente!”, diz Rosa Maria Padroni, professora e Coordenadora da Área Básica de Navegação e Estágios da Faculdade de Tecnologia de Jahu. “As empresas de navegação nos procuram em busca dos alunos, mas não conseguimos atender a todos os pedidos”.

Hoje, apenas três instituições formam pessoas para o setor naval, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade de São Paulo (USP) e a Politécnica de Jahu. “Essas são as principais instituições do Brasil, mas em Itajaí (SC), a Universidade do Vale do Itajaí (Univali) dá início à Primeira turma de Engenharia Naval e, em Belém há um curso parecido com o nosso”, diz o professor Aramis Marengo de Mendonça, Coordenador dos Cursos de Construção e Administração Naval de Jahu.

Marengo conta que a construção naval vem passando por uma fase muito boa, e as empresas que fabricam peças para os navios aumentaram o númerode encomendas e, com isso, há uma grande demanda e pouca mão-de-obra. “Falta tecnólogo no mercado. Aqui em Jahu são formadas 20 pessoas por semestre e todas que saem já estão empregadas”, comenta. “Há bastante procura dos estaleiros do Rio, Santa Catarina e Fortaleza”.

“Como o cenário é bastante positivo, os alunos começam a fazer estágio desde o terceiro semestre”, diz Marengo. “Foram preenchidas 52 vagas de estágio e estou com seteem aberto”, conta Rosa.

Poder escolher a empresa em que vai trabalhar é uma regalia para poucos, no entanto, este privilégio traz uma confusão de sentimentos entre satisfação e preocupação para Bruno Barbosa Batista, de 22 anos. “Tenho proposta de três empresas, e está meio complicado decidir”, comenta. Bruno se forma neste semestre como tecnólogo em construção e manutenção naval, na Fatec de Jahu. O jovem fez entrevistas para atuar em áreas distintas. “As vagas oferecidas são diferentes. Cada uma é para exercer uma função, mas pretendo atuar na área de produção, na construção de navios em estaleiros”, diz Batista.

Os estágios, geralmente, são feitos no período de férias. “Alguns alunos têm de viajar e ficam fora do estado”, diz Rosa.

Batista já teve experiência em estágios feitos em outras três empresas, e diz que o setor oferece um salário acima do piso da categoria. “O piso varia de R$ 1,6 mil a R$1,8, mas como o setor está carente, e se você tem experiência no ramo, eles acabam oferecendo salários acima do piso”, afirma Bruno.

Hoje, o setor exige que os profissionais saibam inglês e tenham domínio de alguns programas específicos, como o Autocad.

(O Estado de S. Paulo – 03/07/05)