Estatísticos tem oportunidades em vários setores do mercado

Com oportunidades de atuação no planejamento industrial, na área de recursos humanos, no segmento de demografia, nas universidades e institutos de pesquisas, entre outros, profissionais em estatística tem emprego garantido logo após formação em curso superior com salários que variam de R$ 2 mil a R$ 8 mil.

Leia mais
      - Índices de trabalho em crescimento
      - Na área de marketing, disputa pelos melhores
      - Campos de atuação

   

 

 

 

 

 

 

 

Índices de trabalho em crescimento

Com análises de dados eficazes, que fornecem subsídios para empresas e instituições deterem informações preciosas, os estatísticos já não são suficientes para absorver a crescente demanda do mercado de trabalho, que, nos últimos anos, vem abrindo muitas portas para esses profissionais. Há empregos nos mais variados setores: no planejamento industrial; na área de recursos humanos; no segmento de demografia; na área de marketing e análise de mercado; em instituições financeiras e bancárias; na área de saúde e nas universidades e institutos de pesquisas, entre outros, com salários que variam de R$ 2 mil a R$ 8 mil.

Na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE), instituição de ensino superior sediada no Rio de Janeiro que faz parte do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a maioria dos estudantes da graduação já estão empregados na data de formatura, conta o diretor Pedro Luis do Nascimento Silva.

“Os que se titulam, que ainda são poucos, cerca de 35 alunos por ano, são imediatamente absorvidos por estágios. Temos inclusive problemas pois os alunos conseguem estágios com remuneração bem maior que a bolsa de iniciação científica e de monitoria já no terceiro período, e nesta fase do curso o estágio curricular ainda não é permitido.”

Silva destaca as oportunidades em instituições públicas, como as agências reguladoras do governo, as Forças Armadas, o próprio IBGE e a Petrobrás e, para quem tem pós-graduação, no magistério e na pesquisa:

“Há uma grande quantidade de concursos para professores de universidades estaduais e federais e para pesquisadores, mas é difícil preencher as vagas porque não há profissionais qualificados. Quase sempre é preciso ter doutorado.”

A presidente da Associação Brasileira de Estatística (ABE) e professora do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo (IME/ USP), Lúcia Barroso, diz que, de olho nessas vagas, matemáticos, economistas, engenheiros e até profissionais de saúde estão dividindo as salas de aula com os estatísticos nos cursos de especialização, mestrado e doutorado:

“Alguns deles já trabalham com pesquisas estatísticas e querem aprofundar seus conhecimentos, outros viram na estatística um filão e querem ampliar suas possibilidades no mercado de trabalho,” afirma a professora.

O caminho é esse mesmo, destaca Sônia Albieri, coordenadora de métodos e qualidades do IBGE. Afinal, nos últimos quatro anos o instituto realizou três concursos públicos com 72 vagas para analista de Métodos quantitativos e, do total de aprovados, apenas 26 eram estatísticos, os demais eram de outros cursos e tinham pós-graduação em estatística.

“A exigência é de comprovação de conhecimento de estatística, então podem se candidatar não só estatísticos, mas também profissionais que têm outra formação, mas fizeram pós-graduação na área. Logicamente, o conhecimento é medido por prova,” explica Sônia.

Mas na iniciativa privada, as oportunidades também são muitas. O estatístico Márcio Greco, gerente de desenvolvimento de mercado da Coca-Cola Brasil, conta que entrou na empresa como técnico de estatística, levantando informações para o marketing: avaliação de oportunidades decisões relativas a preços e previsão de vendas. No decorrer de sua trajetória, passou pelo planejamento de produção, logística e controle de estoques.

“As empresas modernas valorizam muito a formação em estatística, pois esse profissional tem muito mais facilidade para analisar resultados e montar estratégias a partir deles,” observa Greco.

Para as pessoas empreendedoras, há ainda a oportunidade de abrir seu próprio negócio. Caso de Paula Castro que, aos 29 anos, é sócia da Atuas Atuários Associados, empresa que trabalha com o bilionário mundo dos fundos de pensão. Depois de se formar em estatística, no ano 2000, Paula fez o curso de atuária (parte da estatística que investiga problemas relacionados com o cálculo de seguros): “Fazemos consultoria para cerca de 50 empresas,” conta ela.

(O Globo – 09/10/05)

   

Na área de marketing, disputa pelos melhores

Uma das áreas que mais crescem atualmente e que está presente em todas as empresas de médio e grande porte, o setor de marketing e análise de mercado é um dos que têm mais ofertas de emprego para estatísticos. E é um segmento que disputa os bons profissionais.

Kelly Cristina Fernandes, analista de marketing da Tim, fez consultorias para o IBGE por sete anos, trabalhou para o instituto de pesquisa Enfoque por três anos e na Embratel por cinco anos, até ser convidada há oito meses pela operadora de telefonia celular:

“Trabalhamos com índices de satisfação de clientes e funcionários, pesquisa de produto para entender como será a aceitação no mercado, pesquisa de preço, recall de propagandas e de marca. São informações muito importantes para empresas de um setor em que a concorrência é acirrada,” ressalta Kelly.

Gerente de Pesquisa e análise de negócios do marketing da SulAmérica, Erika Medici também diz que não tem do que reclamar. Graduada em estatística há seis anos e mestre há cinco, trabalhou por um ano como consultora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) realizando estudos sobre desigualdade social e nível de pobreza, até ser convidada pela empresa de seguros e previdência:

“Fui desenvolver estudos de segmentação do mercado consumidor e, depois de um ano nesta área, fui convidada a gerenciar a área de pesquisa e negócios no marketing, onde estou há três anos,” conta.

Erika também leciona estatística na graduação de economia do Ibmec e diz que vê muitas possibilidades na carreira. “Quando me formei, muitas empresas ainda não tinham identificado o potencial uso de um estatístico, mas parece que agora o profissional foi descoberto. Já tive a oportunidade de conhecer e trabalhar em três segmentos distintos desde que me formei, sempre atuando com estatística.”

(O Globo – 09/10/05)

   

Campos de atuação

Marketing e Análise de Mercado: Na prospecção e avaliação de oportunidades; na análise e desenvolvimento de produtos; nas decisões relativas a preços, previsão de vendas, logística da distribuição e decisões de canais; na avaliação de campanhas publicitárias etc.

Demografia: O estatístico estuda a evolução e as características da população; estabelece tábuas de mortalidade; analisa os fluxos migratórios; estabelece níveis e padrões para testes clínicos; desenvolve estudos sobre a distribuição e incidência de doenças etc.

Recursos Humanos: Na área de RH, o estatístico realiza pesquisa de compatibilidade entre os conhecimentos dos empregados e suas atividades; estuda os salários, propõe planos de avaliação de desempenho; elabora planos de previdência complementar e de fundos de pensão; avalia planos de saúde etc.

Indústria: A atuação do estatístico começa nos estudos de implantação de uma fábrica até a avaliação das necessidades de expansão industrial; na pesquisa e desenvolvimento de técnicas, produtos e equipamentos; na avaliação de desempenho das operações; nos estudos de produtividade etc.

Área Financeira e Bancária: No departamento de seguros e análise atuarial; na avaliação e seleção de investimentos; no estudo de modelos financeiros; no desenvolvimento de informações gerenciais; na definição, análise e acompanhamento de carteiras de investimentos; nas análises de fluxo de caixa; na avaliação e projeção de indicadores financeiros.

Magistério e Pesquisa: O estatístico pode atuar como docente, ministrando disciplinas relacionadas à estatística e na pesquisa, desenvolvendo metodologias de análise para as mais variadas áreas do saber.

(O Globo – 09/10/05)