Cruzeiro é opção para embarcar em bons salários

A temporada de cruzeiros pela costa brasileira e por lugares como o Caribe e a Jamaica estão começando. Nesse período, as companhias marítimas realizam processos seletivos para ampliar suas tripulações. Há oportunidades para profissionais de diversos níveis - de auxiliares de cozinha a engenheiros, passando por manicures, músicos e recreadores. Os salários são convidativos: quem fecha um contrato com valores fixos recebe de US$ 500 (ajudante de cozinha) a US$ 4.000 (engenheiro) mensais. Já funções que envolvem comissão rendem, em média, US$ 300 semanais.

Leia mais:
- Cruzeiro é opção para embarcar em bons salários
- Solidão e jornada longa são desafios da carreira
- Candidato tem cursos específicos

   

 

 

 

 

 

 

 

Cruzeiro é opção para embarcar em bons salários

No próximo dia 26 de novembro atraca no porto de Santos (SP) o primeiro navio da temporada 2002 de cruzeiros de verão. Também em outros portos do Brasil e do mundo têm início as rotas de viagem para destinos quentes -costa brasileira, Caribe e Jamaica, por exemplo-, que oferecem boas oportunidades de trabalho.

Nesse período, as companhias marítimas realizam processos seletivos para ampliar suas tripulações e atender o grande volume de turistas. É o momento ideal para quem tem vontade de atuar no mar tentar uma vaga.

Há oportunidades para profissionais de diversos níveis -de auxiliares de cozinha a engenheiros, passando por manicures, músicos e recreadores. Os salários são convidativos: quem fecha um contrato com valores fixos recebe de US$ 500 (ajudante de cozinha) a US$ 4.000 (engenheiro) mensais. Já funções que envolvem comissão rendem, em média, US$ 300 semanais.

"Os postos comissionados estão entre os mais lucrativos. Há barmen que ganham US$ 3.000 mensais", diz Marcelo Toledo, 34, recrutador de tripulantes da agência MBrazil. Em 2001, a empresa enviou 200 brasileiros para o mar. Neste ano, o número deve chegar a 300. "A demanda aumentou."

De acordo com Bráulio Candian, 47, criador da escola Cruise Training & Consulting, o mercado de trabalho deve crescer. "Os cruzeiros se popularizaram nos últimos 12 anos", explica.

Outro atrativo da atividade é a possibilidade de reduzir o custo de vida, já que, enquanto embarcado, o funcionário não gasta com hospedagem e alimentação.
Entre as contribuições que a experiência pode agregar à carreira estão exercitar o idioma inglês, adquirir noções de outras línguas e entrar em contato com novas e diferenciadas culturas.

"Além disso, trabalhar longe do seu país proporciona mais maturidade emocional, outro ponto bastante observado pelos selecionadores", comenta Raquel Santana Schiavon Sanches, 34, diretora da Talento Consultoria.

Mas, para quem pensa que fazer parte da tripulação de um luxuoso navio de cruzeiro significa turismo e lazer, é bom estar avisado de que o ritmo é intenso. "Lá dentro, os tripulantes trabalham como camelos", diz Susi Hélen, 19, ex-garçonete de uma companhia náutica norte-americana.

(Folha de S. Paulo - 11/11/02)

   

Solidão e jornada longa são desafios da carreira

"Trabalhar em navio dá dinheiro, mas havia dias em que eu me sentia tão só que pensava em jogar os maços de dólares no mar." A frase de Susi Hélen, 19, resume bem um grande obstáculo para quem assume uma posição em navio de cruzeiro: a solidão.

Estudante de turismo, Hélen foi garçonete em um navio norte-americano durante 18 meses. Trabalhava 16 horas diárias. "Queria dinheiro para pagar a faculdade. Quando cansava, fechava os olhos e pensava no diploma."

Alojados em cabines pequenas, compartilhadas com pessoas das mais diferentes origens, os tripulantes nem sempre conseguem controlar as marés emocionais, e muitos acabam voltando à terra.

"Cerca de 20% dos contratados brasileiros desistem da jornada antes de completar o contrato", diz Marcelo Toledo, da MBrazil.

Na opinião do psicólogo especializado em saúde mental no trabalho, Waldir Bíscaro, 68, a carreira em navios "é coisa para heróis". "Viver na solidão requer treinamento prévio. É uma capacidade acima dos padrões medianos de comportamento."

Para José Evaristo Dias, 30, a distância de casa doeu mais no primeiro dos seis meses que passou no mar. Depois, a vontade de melhorar o inglês e a oportunidade de conhecer parques temáticos no exterior serviram de motivação para permanecer a bordo.

Dias trabalhou como "galley steward", uma espécie de ajudante de cozinha. "Na verdade eu era um "faz-tudo", ajudava na cozinha, lavava a louça, varria o chão", conta. Para conseguir o posto, foi submetido a uma rígida bateria de testes, que incluiu exames antidoping e teste de HIV.

A jornada era de 11 horas diárias. "Como o fixo era de US$ 500, depois que eu saía da cozinha, trabalhava de ajudante de camareiro. Chegava aos US$ 1.200." O excesso de trabalho e as poucas horas de sono resultaram em seis quilos a menos. "Saí do Brasil pesando 71 kg e voltei com 65 kg."

Já o estudante de turismo Rodrigo Rocha da Silva, 23, trabalhou como garçom e chegou a enfrentar uma tormenta rumo à Argentina. "As ondas tinham 15 metros, e morri de medo", conta. "Mas o dinheiro compensa tudo."

Mesmo sabendo da rotina árdua em alto-mar, a professora de educação física Gisele Carolina de Azevedo, 26, afirma que atuar em um navio é o trabalho ideal para o seu perfil e vem se preparando para tentar uma posição.

"Estou aperfeiçoando o inglês. Meu sonho é ter contato com pessoas de diferentes culturas."

(Folha de S. Paulo - 11/11/02)

   

Candidato tem cursos específicos

Quem quer aumentar suas chances de conseguir trabalhar em um navio deve se preparar bem em pontos específicos antes de enviar o currículo para as companhias marítimas.

Estar com o inglês em dia e confiante o suficiente para não gaguejar durante a entrevista é fundamental. Conhecimentos de espanhol, francês e alemão também são diferenciais relevantes.

Embora os cursos específicos para formação na carreira ainda sejam escassos no Brasil, os candidatos podem contar com treinamentos como o do Centro de Formação Profissional para Cruzeiros Marítimos da Cruise Training & Consulting. Ministrado em três dias, a R$ 360, o curso tem nova turma prevista para janeiro.

A agência MBrazil fornece um treinamento de quatro horas, mediante o pagamento de uma taxa de R$ 300. As datas são definidas de acordo com a procura. O programa abrange ética e conduta a bordo, higiene e regulamentos.

No Senac e na Microlins estudantes de hotelaria e turismo têm disciplinas que abordam funções como garçom e recepcionista. O Senac também oferece treinamentos isolados para outras atividades, como a de barman.

Onde encontrar:
Cruise Training & Consulting: 0/xx/ 11/5524-9284; MBrazil: 0/xx/11/3258-9163; Senac: www.sp.senac.br; Microlins: 0/xx/11/3832-4748

(Folha de S. Paulo - 11/11/02)