Saiba encarar entrevistas em inglês

O profissional cita no currículo que é fluente em idiomas. Com o selecionador, porém, não consegue sequer manter um diálogo básico. A situação é tão comum que algumas empresas estão fazendo as entrevistas de seleção em inglês, sobretudo quando a vaga exige contatos com clientes ou companhias estrangeiras.

A necessidade de comunicar em inglês é requisito para quase todos no BankBoston, pois os executivos têm de se reportar frequentemente à matriz, que fica nos Estados Unidos, afirma Denise Moreira Asnis, 36, diretora-adjunta de RH (recursos humanos).
"Os estagiários do banco, por exemplo, devem ter comprovado, no mínimo, um nível de conhecimento intermediário", observa.

Vivian Maerker Faria, 26, consultora da Trust Executive Search, afirma que tem se deparado com muitos executivos jovens despreparados para enfrentar essa exigência.

"O vocabulário que conhecem não é focado no campo de atuação profissional. Faltam prática e domínio", afirma.

Inglês coloquial geralmente não é suficiente para uma entrevista de emprego, na opinião da consultora Sheila Martinez, 32, da Kienbaum, Böge e Consultores. "É necessário um aprofundamento no inglês técnico e no vocabulário da linguagem corporativa."

Uma outra dica é conhecer bem a empresa para a qual está se candidatando. "Deve-se visitar o site da companhia na internet e estudar seu ambiente de negócios."

Até mesmo a nacionalidade do grupo pode influir na entrevista. "Empresas de culturas distintas aceitam diferentes posturas por parte do entrevistado", diz Sueli Monteiro, 39, diretora-presidente do Lynx Language Institute.

"Companhias americanas valorizam a objetividade, segundo a máxima "time is money" (tempo é dinheiro, em português). Nesse caso, o candidato deve se preocupar em entender bem a pergunta e ser ágil e preciso na resposta. Já as companhias japonesas tendem a ser mais formais", afirma.

Os especialistas em recolocação lembram que é fundamental demonstrar naturalidade. "A mensagem deve ser transmitida com sucesso", diz Vivian Maerker.

(Folha de S. Paulo)

   

 


 

Áreas em ebulição podem ser uma aposta arriscada

Carreiras que a primeira vista parecem ser promissoras, garantindo muitas vagas disponíveis e salários altos podem ser um perigo para quem procura estabilidade.

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Vale a pena embarcar na onda?

Parece o paraíso: uma área de atuação em que há muitas vagas disponíveis, os salários são altos, e os profissionais, disputadíssimos. Entrar para esse universo promete ser garantia de sucesso, status e segurança financeira, o que faz com que a carreira vire uma febre. O problema é quando ela passa.

Essa ebulição pôde ser observada no mercado de internet nos últimos três anos, com a proliferação das empresas pontocom. Hoje, o segmento já começa a apresentar sinais de estabilização.

Embora a internet seja um exemplo recente -e talvez o mais acentuado- de como um mercado de trabalho se transforma em coqueluche, o fenômeno é sazonal, dizem os especialistas.

Foi assim com a mecatrônica no final dos anos 80, por exemplo. Em 1988, ano de criação do curso na USP, a concorrência no vestibular era de 24 candidatos para uma vaga. Em 1991, chegou a 37. Em 1998, já havia caído para 22.

"A profissão da moda é caracterizada por um campo novo, com vagas disponíveis e bons salários. O apelo é quase irresistível", diz Marcelo Mariaca 56, vice-presidente da Mariaca & Associates.

Para Tatiana Wernikoff, 58, consultora e sócia-diretora do Ipo (Instituto de Psicologia Organizacional), antes de partir para a carreira da moda, o candidato deve considerar se realmente tem empatia com a atividade. "Só há desenvolvimento profissional quando se vibra com o que se faz."

Por ausência de identificação com a prática, Dânia Castello Branco, 22, está decidida a abandonar o turismo, em alta na cidade em que mora, São Luís (MA). "Gostei do curso, mas não me identifiquei com a rotina em uma agência de viagens", diz.

Para evitar esse tipo de decepção, Sofia Esteves Amaral, 39, diretora da DM Recursos Humanos, aconselha leituras prévias sobre o setor e conversas com profissionais atuantes no mercado.

"Ajuda a dissipar as fantasias, inevitáveis quando não se tem experiência. Investir tudo e não se adaptar à área é um choque."

A jornalista e radialista Patrícia Rangel, 33, apostou na internet e perdeu o emprego. "Quando o mercado surgiu, senti que ficaria para trás se não entrasse."

Patrícia ingressou na equipe do site SportsJá e fez cursos de especialização. Na semana passada, a empresa foi desativada. "Quero continuar lidando com internet, afinal, eu me preparei para isso."

(Folha de S. Paulo)

   

 

 


Após febre, mercado se torna mais rigoroso

Se, no momento inicial, uma área que está na moda representa a existência de muitas vagas e poucos profissionais capacitados, a médio e longo prazo significa concorrência acirrada, à qual só os bons se sobrepõem.

O consultor Marcelo Mariaca diz que, passado o momento de total carência de gente capacitada para a nova atividade, a tendência é que se preencham as vagas e se renovem os critérios de seleção.

"Há três anos, o mercado financeiro enfrentou uma demanda de pessoal especializado em crédito direto ao consumidor. Profissionais que viajavam para fazer cursos no exterior chegavam a ser contratados no aeroporto. Foi assim por seis meses, no máximo, depois tudo se ajustou", conta.

"Todas as áreas em ebulição enfrentam uma fase de assentamento. A febre passa, e só os mais bem preparados ficam", completa Tatiana Wernikoff, do Ipo.

A consultora explica ainda que é necessário ser criterioso quanto às instituições de ensino preparatórias para a atividade em alta. "Como há necessidade de preparar rapidamente profissionais, não faltam escolas que ofereçam capacitação superficial", avalia.

Uma combinação de falta de informação sobre o segmento e desestímulo provocado por uma instituição pouco qualificada fez com que Ivan Campos, 29, desistisse das telecomunicações. "Entrei porque ouvia falar que era a profissão do futuro e me sentia obrigado a tentar aquilo. Detestei e acabei largando", conta.

(Folha de S. Paulo)

   

 

 


Apostar no risco não é só ter coragem

Aproveitar a moda para investir na carreira pode ser uma boa aposta para o futuro, caso realmente haja identificação com a área e vontade de se aperfeiçoar.

"O problema não é arriscar, e sim estar preparado para enfrentar o risco. Investir em uma carreira promissora é bom para qualquer profissional. Mesmo quando o emprego não dá certo, a experiência é válida", ressalta Cristiane Gonçalves, 28, gerente de "executive search" da KPMG.

"Se a escolha for baseada apenas na euforia do mercado, são grandes as chances de falhar. Entretanto, se a carreira é atrelada à satisfação, pode levar ao sucesso", diz Andréa Alencar, da Adecco.

Mulinaron Dias, 39, lembra da ansiedade que sentiu para entrar no mercado de internet. "Eu trabalhava em uma empresa de desenvolvimento de software e tinha a sensação de estar ficando para trás. Espalhei currículos e fui chamado para uma pontocom."

Ele conta que optou pela mudança motivado por expectativas de aprendizado e salários maiores. "As duas foram correspondidas. A internet não era o que eu pensava, mas a experiência foi válida. E só teria certeza testando."

A experiência durou apenas sete meses. Administrada por um grupo americano, a empresa começou a dar prejuízo e foi fechada. Mulinaron decidiu, então, voltar ao seu antigo segmento e está arrumando as malas para um novo emprego nos Estados Unidos.

(Folha de S. Paulo)

   

 


 

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