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Agronegócio exige novos perfis profissionais

Profissionais de agronomia não devem se restringir em adquirir apenas conhecimentos técnicos da profissão. Pesquisa mostra que as pessoas devem ter conhecimentos de estratégias de negociação para o agronegócio.

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Mais moderno, agronegócio exige novos profissionais

A agricultura mudou radicalmente nas últimas décadas e, conseqüentemente, os profissionais que nela atuam também tiveram que se transformar. Quando começou sua carreira, há 27 anos, Maurício Marques, diretor da Divisão Agro-Brasil da Basf, conta que o mercado estava em desenvolvimento, novos produtos surgiam e havia recursos do governo para o setor. "Hoje, o mercado está pronto, é rápido e temos uma forte preocupação com o planejamento e interface com nossos clientes", diz.

Marques, que é agrônomo, conta que teve uma formação inicial bem técnica, atuando no campo e com produtos para o setor agrícola. "Mas essa nova dinâmica de mercado fez com que eu me adaptasse e fosse atrás de outros conhecimentos, como gestão empresarial, planejamento e visão de longo prazo", diz.

Esta mudança de atuação é resultado da expansão e modernização do setor, que representou 30% do Produto Interno Bruto brasileiro de 2004, ou seja R$ 533 bilhões, conforme o Centro de Estudos em Economia Aplicada da USP. Na mesma medida, cresceu a procura por cursos de graduação em agronegócios, como mostra pesquisa inédita da Universidade Federal de São Carlos, conduzida por Mário Batalha. "Houve crescimento de 2.400% na oferta de cursos em apenas cinco anos. As empresas querem hoje profissionais com dupla competência, tanto técnica quanto de gestão. Elas também procuram pessoas com perfil de liderança e que saibam trabalhar sob stress, como em outros setores", diz Batalha.

A pesquisa, publicada no livro Recursos Humanos e Agronegócios: A Evolução do Perfil Profissional, mostra que o mercado passou a exigir que os graduados em áreas técnicas, como Agronomia, Engenharia de Alimentos e Zootecnia, agora passem a ter pelo menos uma especialização em cursos que apresentem ferramentas de gestão, para ampliar conhecimentos e ter visão sistêmica do agronegócio. "O profissional não pode mais achar que seu trabalho acaba na fazenda. Ele tem de entender o que acontece na indústria e até com o consumidor final, tendo a visão de toda a cadeia", aponta.

Por isso, Marques conta que na Basf, por exemplo, já se trabalha com um planejamento de dez anos. "Neste contexto, o profissional tem de conhecer a dinâmica de mercado, saber as novas tecnologias e se especializar no relacionamento com os clientes. O mercado já está saturado e ganhamos o cliente na base de relacionamento, criação de valores e serviços", diz.

Outro campo que também está mais próximo da agricultura é o mercado financeiro. "Este setor tem carência de recursos e temos de saber nos aproximar dos bancos e tê-los como aliados, para ajudar cooperativas, por exemplo, a identificar a melhor ferramenta que pode ser usada para a sua cultura, a cada época do ano." No passado, afirma Marques, sua atuação se restringia a vender o produto, enquanto hoje seu ramo de atuação precisa criar parcerias com produtores e oferecer as melhores soluções para o plantio, unindo a parte técnica com os negócios.

A versatilidade do novo executivo do agronegócio chama a atenção. Jeremiah O'Callagan, diretor da unidade de carnes da Coimex, empresa nacional de exportação, faz tanto vistorias em frigoríficos quanto negociações internacionais. "Atesto a qualidade dos produtos, o grau de profissionalização no ramo e a mentalidade das empresas, para formarmos nossa base de fornecedores todas as semanas, em diversos pontos do País. A cada dois meses, também viajo para fora e estabeleço contatos comerciais e faço as vendas", conta.

O executivo diz ainda que o profissional desta área precisa ter jogo de cintura para saber negociar e, se ficar na área de exportação, tem de saber outras línguas. "Negociar em países como Rússia e no Oriente Médio exige uma comunicação muito pessoal para se conquistar a confiança", diz.

Para ele, a atividade agroindustrial no Brasil cresceu mais do que a oferta de pessoas preparadas para o novo perfil do agronegócio. "O Brasil é o maior exportador mundial de carnes e tem condições de vender o dobro, desde que haja profissionalização do setor e o governo consiga abrir mercados", diz O'Callagan.

O agronegócio ainda faz parte de setores que poucas pessoas imaginam. No grupo Pão de Açúcar, por exemplo, Leonardo Miyao é o diretor responsável pela comercialização de todas as frutas, legumes e verduras que chegam ao consumidor. Sua área trouxe um faturamento de R$ 1,25 bilhão para a rede de supermercados no ano passado, um crescimento de 21% em relação a 2003. "Esta área evolui no varejo porque leite em pó o cliente encontra em qualquer lugar, mas uma feira fresquinha e com qualidade, não."

Para atingir estes números, ele conta que promoveu uma transformação no conceito de negócio nesta área, ao eliminar a participação das centrais de distribuição e passar a fazer a negociação de compra direto com os produtores. Agora, ele passa uma ficha técnica de cada produto que quer adquirir e consegue melhores condições de preços e produtos adequados ao que o consumidor do supermercado pede.

Nesta ficha técnica, ele mostra, por exemplo, cor, tamanho, tolerância para danos, graduação de açúcar e o grau de maturação que o alimento deve estar ao chegar às lojas. "Discutimos também desenvolvimento de embalagens, outras variedades de produtos e até o tamanho das folhagens, já que o consumidor gosta, por exemplo, que as folhas de alfaces sejam menores", diz Miyao.

(O Estado de S. Paulo – 23/06/05)