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Graduação não garante vaga na área
Estudo mostra
que 37% dos graduados de SP não atuam na carreira escolhida.
Leia
mais:
- Graduação não garante vaga na
área
- Jovem pensa além da faculdade
- Escolha do curso deve ser feita sem pressa
Graduação não garante vaga na área
Quando foi preencher
a ficha de inscrição para o vestibular, Vanessa Fernandes,
22, sabia apenas que o curso de turismo estava na moda. Empolgada
com o que ouvia sobre o mercado de trabalho, iniciou a graduação
com a certeza de que iria conseguir, com facilidade, um emprego.
"Entrei justamente na época do boom do curso de turismo."
A realidade
dela, hoje, é outra. Formada em 2003, ela nunca conseguiu
encontrar uma vaga na área. Durante o curso, Vanessa distribuiu
diversos currículos, mas raramente foi convidada para participar
de entrevistas.
Além
de não estar no mercado de trabalho, Vanessa conta que algumas
colegas não atuam com o que estudaram na graduação.
"Tenho muitas amigas que viraram operadoras de telemarketing",
revela Vanessa.
Esse panorama
pode ser bem visualizado com o estudo realizado, no ano passado,
pelo economista Claudio Dedecca, professor da Unicamp. De acordo
com sua análise, que utilizou dados do Censo 2000, 37% das
pessoas com ensino superior no Estado de São Paulo exercem
atividades que dispensariam a formação acadêmica.
Esse fenômeno é chamado de desemprego intelectual,
expressão elaborada na Itália. No mês passado,
o índice de desemprego geral foi de 11,4% no Brasil, segundo
o IBGE.
"Vem aumentando
o desemprego de pessoas com formação elevada porque
não houve crescimento econômico suficiente para absorver
toda a demanda de mão-de-obra especializada", explica
o professor.
De acordo com
o professor, esse perfil de empregado tem mais dificuldade de conseguir
uma vaga no mercado do que um trabalhador com qualificação
inferior.
Essa falta de
oportunidade também pode ser explicada quando se olha para
as escolhas que os estudantes realizam na hora de prestar o vestibular.
Por empolgação, como no caso de Vanessa, ou por acreditar
que o mercado poderá receber com facilidade o contingente
de graduados, os estudantes escolhem carreiras em que as vagas estão
escassas.
Segundo a consultora
de carreira Luciana Sarkozy, os jovens precisam ficar atentos para
não escolher uma profissão apenas porque ela está
na moda. "Não se pode levar apenas o mercado em consideração",
afirma Luciana, que é sócia-diretora do Career Center,
empresa de consultoria.
Caso o estudante
analise apenas as condições do mercado, segundo Luciana,
ele pode ter algumas frustrações. "Um dos exemplos
que sempre utilizo é o caso das telecomunicações.
Acreditava-se que o Brasil teria um amplo mercado. Muita gente,
por conta disso, trocou de profissão ou optou por uma formação
voltada à área. Acontece que o setor não conseguiu
se desenvolver como era esperado que ocorresse."
Outra promessa,
de acordo com a orientadora profissional Fátima Trindade,
foi o turismo. "Há sete ou oito anos, dizia-se que seria
uma profissão com amplo mercado, mas ninguém esperava
os atentados de 11 de setembro [em 2001], que levaram a um esfriamento
do setor", diz Fátima.
Segunda chance
Após ter passado os quatro anos na faculdade de turismo,
Vanessa, agora, quer tentar outra profissão. Ela se prepara
para concorrer a uma vaga no curso de gastronomia, mas não
esconde o receio de que pode fazer novamente uma escolha errada.
"Dá medo de cometer outro erro, de perder tempo e dinheiro."
Segundo a psicóloga
e orientadora de carreira Sofia Esteves do Amaral, atualmente, vem
crescendo o número de pessoas que mudam de profissão.
"Hoje, a carreira não é mais como era antigamente,
linear."
Para evitar
surpresas no meio do percurso, a orientadora Fátima Trindade
explica que o estudante deve observar os fatores que o motivam a
fazer a escolha ou a troca de profissão. Ela aponta que é
necessário que o jovem se conheça e que faça
uma análise do seu tipo de comportamento.
"O jovem
não pode ir pelos desejos dos pais nem pelo dinheiro ou sucesso
que a carreira irá trazer. A única coisa que ele precisa
levar em consideração é observar o que o deixa
motivado", orienta.
(Folha de
S. Paulo – 30/09/04)
Jovem pensa além da faculdade
Filipe Fornari,
19, é mais um dos milhares de vestibulandos que vão
disputar uma vaga em medicina neste ano. Mas, no meio dessa multidão,
o motivo que o levou à opção se sobressai.
"Meu pai teve câncer no ano passado", conta. "Durante
o tratamento, o médico que atendeu a ele disse que os especialistas
nessa área têm bastante campo de trabalho." Filipe
já pensa além dos seis anos de graduação:
pretende se especializar em oncologia para, além de entrar
no mercado de trabalho, poder ajudar o pai.
Além
de medicina, que é um curso tradicional, orientadores de
carreira apontam outras graduações que, hoje, estão
na mira dos vestibulandos. Segundo eles, as carreiras ligadas às
áreas de propaganda e marketing, gastronomia, moda, direito
e engenharia de produção figuram entre as preferidas
dos candidatos. "Independentemente do curso, o aluno não
pode esquecer de se destacar, ser comunicativo, ter garra e ser
empreendedor", diz a orientadora Fátima Trindade.
(Folha de
S. Paulo)
Escolha do curso deve ser feita sem pressa
A falta de
amadurecimento dos jovens é uma das principais causas que
levam o candidato a fazer um escolha errada no momento de preencher
a ficha para o vestibular. A afirmação é da
orientadora de carreira Fátima Trindade. "O jovem é
mais acomodado."
Esse tipo de
comportamento, segundo a orientadora, reflete, em alguns casos,
na quantidade de desistências durante o curso universitário.
Ela faz uma estimativa que de 30% a 40% dos jovens que entram na
faculdade mudam de curso nos dois primeiros anos.
"Isso ocorre
por vários motivos. A tomada de decisão é realizada
cada vez mais cedo, o volume de informação é
tão grande que eles não conseguem fazer a escolha
certa e normalmente começam a trabalhar mais tarde, o que
leva a um amadurecimento tardio."
Sem
errar
Para evitar uma decisão precipitada e fazer a opção
errada, os orientadores de carreira afirmam que o estudante tem
de fazer a escolha de acordo com a sua vontade e que olhar apenas
para o mercado pode ser um engano.
Segundo a consultora
de carreira Luciana Sarkozy, o vestibulando deve levar em conta
três fatores na hora da opção: primeiro, são
os valores pessoais, se gosta de viajar ou ficar mais com a família,
trabalhar sozinho ou em grupo etc. Segundo, são os talentos
e as competências, como desmontar aparelhos eletrônicos
ou ser questionador, que podem indicar algumas carreiras. Terceiro,
olhar o mercado, ver qual é a prática da profissão,
suas tendências, conversar com alguém que atue na área
e ler a respeito.
(Folha
de S. Paulo – 30/09/04)
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