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Trabalho
informal avança rapidamente
Além
do aumento do desemprego e da queda da renda, os brasileiros enfrentaram
durante a década de 90 uma tendência crescente de informalização
do trabalho. No mês de janeiro desse ano o porcentual de empregados
com carteira assinada nas 6 maiores regiões metropolitanas
caiu para 39,7%, inferior ao mesmo mês de 2003, quando foi
de 40,52%.
Leia
mais:
O avanço do trabalho informal
Além
do aumento do desemprego e da queda da renda, os brasileiros enfrentaram
durante a década de 90 uma tendência crescente de informalização
do trabalho. Em janeiro de 2004, o porcentual de empregados com
carteira assinada nas 6 maiores regiões metropolitanas caiu
para 39,7%, inferior ao mesmo mês de 2003, quando foi de 40,52%.
A informalidade
cresceu durante os anos 90, com algumas oscilações.
Como descreve recente trabalho do economista Lauro Ramos, do Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), durante os 6 primeiros
anos da década, a informalidade - medida pelo trabalho assalariado
sem carteira e o trabalho por conta própria, nas 6 principais
regiões metropolitanas - passou de 40% para 47,5%. Depois
de uma breve estabilidade, a crise econômica de 1998 e 1999
empurrou o porcentual para a faixa de 50%, onde permaneceu até
2002.
Para muitos
economistas, o crescimento do trabalho informal está ligado
à pressão competitiva que a abertura da economia causou
no setor industrial.
Ramos diz que
"para ganhar competitividade na mão-de-obra, ou se reduzem
os encargos trabalhistas, o que não ocorreu, ou burla-se
a legislação". Esta segunda alternativa, ele
deixa claro, é a de recorrer ao trabalho informal.
A indústria,
que por sua natureza é mais formalizada, foi mais afetada
por este processo, e buscou tecnologias mais modernas, que empreguem
menos pessoas, mas com grau mais elevado de qualificação.
Os desempregados da indústria, por sua vez, acabaram direcionando-se
para o setor de serviços, como o comércio. Lá,
encontraram um ambiente onde a informalidade é muito maior.
O efeito geral deste fenômeno foi o de aumentar o grau de
informalidade da economia.
Para José
Márcio Camargo, da consultoria Tendências, e professor
de Economia da PUC-Rio, um dos principais problemas do mercado de
trabalho no Brasil foi que o tipo de emprego oferecido pelas empresas
mudou muito mais rapidamente do que as características do
trabalhador brasileiro. Desta forma, criou-se um desequilíbrio
entre o que os patrões querem e o que os potenciais empregados
oferecem, aumentando tanto o desemprego quanto a informalidade.
"A demanda
de mão-de-obra mudou, com maior utilização
de trabalho qualificado e menor de não-qualificado",
ele diz, acrescentando que isto ocorreu paralelamente à modernização
tecnológica da indústria. Camargo acrescenta que a
qualificação dos trabalhadores também aumentou,
mas não no ritmo demandado pelas empresas.
Em recente estudo,
que faz parte da tese de doutorado do economista Maurício
Reis, da PUC-Rio, ele e Camargo chegaram a números que reforçam
aquela idéia. Entre 1990 e 1999, na faixa etária que
vai de 25 a 59 anos, a taxa de desemprego da população
com 1 a 3 anos de estudo (considerada não-qualificada) saltou
6,35 pontos porcentuais, de 2,92% para 9,27%. Já a taxa de
desemprego das pessoas com 11 ou mais anos de estudo, no mesmo período
e na mesma faixa etária, subiu apenas 4,34 pontos porcentuais,
de 2,33% para 6,67%.
Porém,
como tudo mais no debate sobre emprego no Brasil, esta também
é uma questão complexa e polêmica. Um recente
estudo da Secretaria do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade
da Prefeitura de São Paulo mostra que a taxa de desemprego
da classe média-alta brasileira cresceu 50%, em 10 anos,
acima da média geral de 38,8%. "O desemprego vem crescendo
entre os de maior escolaridade e entre a classe média",
diz o secretário Márcio Pochman.
O estudo também
aponta para uma provável influência do preconceito
e do favorecimento no mercado de trabalho: a taxa de desemprego
cai para as pessoas das classes média e média-alta
que têm mais de nove anos de estudo, mas se mantém
elevada para os da classe baixa que têm aquele mesmo nível
de escolaridade.
(O Estado
de S. Paulo – 01/03/04)
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