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Desemprego
no País cresce 56% em 10 anos, diz Ipea
Estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica
e Aplicada (Ipea) revelou que a taxa de desemprego no Brasil cresceu
mais do que em outras partes do mundo nos últimos dez anos.
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mais:
- Desemprego no País
cresce 56% em 10 anos, diz Ipea
Desemprego no País cresce 56% em 10 anos, diz Ipea
Uma publicação
inédita do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada
(Ipea), que será divulgada hoje, mostra que a taxa de desemprego
no Brasil cresceu mais do que em outras partes do mundo nos últimos
dez anos.
Segundo a publicação,
chamada de "Radar Social", o porcentual da população
economicamente ativa sem emprego passou de 6,4%, em 1993, para 10%,
em 2003, um avanço de 56,2%, enquanto na América Latina
cresceu 15,9%, agora está em 8%.
Nos países
industrializados, a taxa de desemprego chegou a cair de 8% para
6,8% no mesmo período, enquanto no continente africano se
mantém estabilizada em patamares elevados desde a década
de 90.
Excluindo esses
dois casos, a piora do desemprego é um fenômeno generalizado
em todas as regiões em desenvolvimento. Individualmente,
o Sudeste Asiático apresenta um aumento da taxa de desemprego
até maior do que no Brasil (61,5%), mas se encontra numa
situação bem mais confortável do que a do País,
pois apenas 6,3% de sua população ativa não
consegue trabalho. Esses índices são mais baixos nas
demais regiões asiáticas.
Apesar das diferenças
metodológicas que existem no cálculo do nível
de desemprego em cada país, o Ipea destaca que a taxa brasileira
"começa a atingir patamares relativamente elevados para
os padrões internacionais". Nas regiões metropolitanas
do País, a situação é significativamente
pior. Entre 1995 e 2003, a taxa de desemprego cresceu de 7% para
13,9% nos entornos das capitais, com destaque negativo para Salvador,
Recife, Rio e São Paulo.
De acordo com
o Ipea, o crescimento medíocre da economia brasileira nos
últimos 20 anos e o processo de reestruturação
produtiva (com destruição de postos de trabalho) estão
na raiz do aumento do desemprego. O instituto de pesquisas também
destaca outros dois traços marcantes da economia herdada
dos anos 90: a informalidade e a queda da renda real.
No caso da informalidade,
o porcentual dos sem carteira assinada ou que trabalham por conta
própria cresceu de 44,7%, em 1995, para 47,2%, em 2002, recuando
para 45,5%, em 2003. De acordo com alguns analistas, lembra o Ipea,
o aumento do contingente sem carteira seria explicado pela diminuição
da participação da indústria no total da ocupação.
"No entanto, os dados mostram que, mesmo na indústria,
a proporção de assalariados sem carteira vem se elevando",
diz o texto.
O avanço
da informalidade, por um lado, e o aumento de expectativa de vida
da população, principalmente entre as mulheres, que
podem se aposentar com cinco anos a menos do que os homens e estão
cada vez ocupando mais espaço no mercado de trabalho, criam
delicados problemas para a sustentabilidade do sistema previdenciário,
assinala o estudo.
O guia sugere
que o caminho tradicional proposto para reverter a informalidade,
reformas que "flexibilizam a legislação trabalhista",
como passou a ser defendido recentemente pelo governo Lula, pode
não ser o mais adequado. "Há estudos que defendem
que o Estado aprimore e amplie os mecanismos de proteção
do trabalhador, em vez de retirá-los ou flexibilizá-los
e, ao mesmo tempo, imprima esforço para estender tais mecanismos
aos contingentes informais", assinala o texto.
"Nessa
perspectiva, o argumento do peso excessivo dos encargos sociais
no custo total da mão-de-obra brasileira não se sustentaria,
dado que, de um modo geral, o custo das obrigações
associadas ao trabalho é proporcional ao valor dos salário,
historicamente baixos no Brasil."
(O Estado
de S. Paulo – 01/06/05)
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