Empresas criam programa de trainee para ensino técnico

Participar de um programa de trainee é o sonho de muitos estudantes de graduação. Elaborado por grandes companhias, permite ao recém-formado conhecer a engrenagem do negócio e desenvolver competências e habilidades.

Esse tipo de início de carreira, que antes estava restrito a graduados, estendeu-se. Já há empresas que oferecem programas similares, mas com outro foco: os alunos egressos do ensino técnico.

Para profissionais de RH, o investimento em programas como esses se justifica. "O Brasil criou muitas universidades, mas esqueceu-se do ensino técnico, o que provocou uma lacuna de pessoal na área", diz José Augusto Servino, do RH da CST-Arcelor Brasil.

A CST é uma das empresas que contam com um projeto específico para os estudantes do ensino técnico. Criado em 2003, tem duração de oito meses e um processo seletivo bastante disputado. Em 2004, 2.350 profissionais concorreram a uma das 116 vagas oferecidas. No ano passado, foram 4.580 inscritos para 120 postos.

Ingressar no programa da ALL (empresa da área de logística), que foi criado em 2004, também não é tarefa simples. O técnico precisa passar por uma bateria de avaliações, que inclui dinâmicas e entrevistas coletivas e individuais.
No entanto, o esforço pela aprovação em uma dessas seleções é, geralmente, recompensado. Na Usina Hidrelétrica de Itaipu, que conta com um programa desde 2000, os técnicos em eletromecânica, eletrotécnica, mecânica, telecomunicações e eletrônica passam por um treinamento que chega a ter dois anos de duração. Depois, são efetivados em diversas áreas da firma.

A validade do trainee técnico, porém, nem sempre é aceita. "Os modelos tradicionais [para graduandos] estão sendo questionados pelas empresas, que não conseguem mais absorver toda a mão-de-obra que capacitam. Não sei até que ponto um voltado para outro público, nos mesmos moldes, pode ser benéfico", comenta o gerente de capital humano da Watson Wyatt Christian Mattos.

(Folha de S. Paulo – 26/02/06)

   
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