Postura diante do monitor prejudica a visão

Profissionais de diversas áreas têm ficado com olhos irritados, sentido dores na cabeça e no pescoço. Esses podem ser os sintomas de uma síndrome denominada por especialistas como “síndrome visual do computador”. Essa doença é resultado da postura do profissional diante dessas máquinas e tem comprometido a saúde e o rendimento no dia-a-dia dos profissionais.

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    - Postura diante do monitor prejudica a visão
    - Novos hábitos diminuem risco de contrair SVC

Obeso diz sofrer preconceito do mercado

Segundo dados do IBGE, 10,5 milhões de brasileiros têm obesidade e 38,8 milhões estão acima do peso. Ao confrontar esses dados com a situação nas empresas, chega-se a uma conclusão: não é fácil para o obeso conseguir emprego.

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    - Obeso diz sofrer preconceito do mercado
    - Autopiedade, medo e insegurança também são obstáculos
    - Grandes empresas já combatem a doença
    - Peso é vantagem para algumas vagas

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Postura diante do monitor prejudica a visão

Coceira, ardência, secura nos olhos. Você costuma sentir isso, diariamente, após uma longa jornada em frente ao computador? Esse problema, muito comum nos dias atuais, tem chamado a atenção dos médicos, que o caracterizam como SVC (síndrome visual do computador). A doença geralmente vem acompanhada de outras queixas, como dores de cabeça e em outras partes do corpo.

Antes que você se decida a voltar na história e comece a quebrar as máquinas, é bom ficar claro que a culpa não é do computador em si, assim como a TV também não é culpada por esses sintomas, mas da postura assumida pelo profissional diante dessas máquinas.

"O problema não está na tela", afirma o professor titular de oftalmologia da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) Newton Kara. "O ser humano cada vez mais vem sendo colocado sob diferentes condições de uso dos olhos. Somos expostos a várias fontes de luz enquanto nosso organismo está mais acostumado a focar em um único ponto", explica ele. "Isso exige uma nova adaptação."

O webdesigner Jean Carlos Oliveira, 19, passa de 12 a 16 horas diárias na frente do computador. "Sinto a vista cansada e dor ao redor dos olhos. No fim do dia, é como se tudo embaçasse e, como não posso parar, sou obrigado a aproximar-me da tela e a continuar o trabalho", conta.

Assim como ocorre com Oliveira, profissionais de diversas áreas sentem que os sintomas da SVC comprometem não só a saúde mas o rendimento no dia-a-dia.

"A SVC atrapalha o trabalho porque diminui a habilidade do usuário do computador de focar, o que ocasiona dor de cabeça e no pescoço, além de posturas inadequadas que levam a distúrbios osteomusculares", afirma Ricardo Calasans, presidente da Associação Brasileira dos Profissionais de Segurança e Saúde do Trabalho e Meio Ambiente.

Para Marvilado de Castro Oliveira, oftalmologista do Centro Oftalmológico Ibirapuera, o problema maior é que, na frente do computador, as pessoas, além de piscarem menos, tendem a arregalar os olhos para enxergar melhor. "Junte-se isso à ação do ar-condicionado e temos como resultado olhos sem lubrificação."

De acordo com Kara, ao lado do pulmão, a córnea é o único órgão do corpo que capta o oxigênio diretamente do ar. Quando se pisca menos, é trocado pouco o filme lacrimal, que fica em frente à córnea, fazendo com que ela inche, e isso deixa os olhos vermelhos.

Ele conta que ouve esse tipo de queixa diariamente e até elaborou uma cartilha orientando pacientes a piscarem mais e a adotarem outros hábitos para aliviar os sintomas.

(Folha de S. Paulo – 29/05/05)

   

Novos hábitos diminuem risco de contrair SVC

Para diminuir o ardor e a agressão aos olhos, o VJ Paolo Bruni, 28, que permanece no mínimo dez horas diárias na frente do computador, passou a se preocupar com o ajuste do brilho, das cores e dos contrastes do monitor.

Segundo o professor Newton Kara, essa pode ser uma medida adotada, mas é fundamental fazer intervalos de dois minutos a cada duas horas em frente à tela, assim como ajustar a posição do monitor para que fique abaixo do nível dos olhos.

Para quem usa lentes corretivas, a orientação é sempre utilizá-las quando ficar em frente ao computador. "Pacientes com hipermetropia ou astigmatismo forçam mais a visão se estiverem sem óculos, e isso prejudica ainda mais no fim do dia", alerta o oftalmologista Marivaldo Oliveira. Lentes de contato também causam o ressecamento dos olhos.

O designer gráfico Pierre Xavier, 34, conta que os sintomas não atrapalham tanto o seu trabalho, mas o seu tempo livre. "Dificultam meu descanso, já que pela manhã estou melhor. No fim da jornada, eu tenho de ir a um lugar com pouca luz, onde possa ficar com a vista bem relaxada", conta.

Criar alguns hábitos simples, como tirar um pouco o foco da tela e buscar focalizar objetos a grandes distâncias durante cerca de cinco segundos, também ajuda. "Em algum tempo, estaremos acostumados a passar horas em frente ao computador. As futuras gerações estarão adaptadas para ler na tela", opina Kara.

(Folha de S. Paulo – 29/05/05)

   

Obeso diz sofrer preconceito do mercado

Olhe ao redor. Quantos obesos você vê trabalhando na sua empresa? A resposta mais provável é "poucos". A ausência poderia até ser um sinal saudável não fossem os números pesados sobre a obesidade entre adultos no país. De acordo com dados da POF do IBGE (Pesquisa de Orçamentos Familiares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 10,5 milhões de brasileiros com 20 anos ou mais são obesos, ou seja, 8,9% da população masculina e 13,1% das mulheres. Se considerada também a população que está acima do peso ideal, o número salta para 40,6% (quase 39 milhões de pessoas).

Ao confrontar esses dados com a situação nas empresas, chega-se a uma conclusão: não é fácil para o obeso conseguir emprego. Preocupadas com possíveis desdobramentos de problemas de saúde, as companhias evitam a contratação. Para os profissionais, a discriminação é evidente.

"Fui entrevistada em uma escola em que a dona fez cara de nojo e perguntou se eu me cansava facilmente", diz a professora de informática Telma Lemos Silva, 30. Em um teste para trabalhar num supermercado, ela diz ter perdido a vaga para uma candidata que usava calculadora. "Ela era menos qualificada, mas era magra."

Silva só conseguiu emprego ao ser convidada a dar aulas pelo professor de um curso em que teve bom desempenho. Hoje leciona num colégio em São Paulo. Já a supervisora de atendimento (que pediu para não ser identificada) L.B., 34, participou de processos seletivos para a mesma empresa duas vezes. Na primeira, pesava 154 kg e não passou da entrevista inicial. Após reduzir o estômago e perder 70 kg, tentou novamente. "Não fiquei com a vaga, mas cheguei bem mais longe."

Atendente de suporte técnico, Lauro de Chaves, 27, acredita que o mercado não disfarça o preconceito. "No trabalho, gordo é tido como "mole", como incapaz de fazer as coisas corretamente. Quando comecei a emagrecer, muita coisa mudou", comenta ele, que pesou 145 kg e hoje tem 90 kg.

"Procurar emprego é estressante para o obeso, pois a empresa o encara como um risco", observa Alexandre de Azevedo, psiquiatra especialista em obesidade.

(Folha de S. Paulo – 29/05/05)

   

Autopiedade, medo e insegurança também são obstáculos

Uma série de mitos ancorados no preconceito permeia a dificuldade de o obeso encontrar uma oportunidade. Associa-se, inadequadamente, a imagem dele a idéias como a de pouca força de vontade, de lentidão de raciocínio e até de falhas de caráter.

Do ponto de vista psiquiátrico, nada se comprova. "Gordos e magros têm características de personalidade semelhantes", explica Alexandre Pinto de Azevedo, psiquiatra do Grecco (Grupo de Estudos em Comer Compulsivo e
Obesidade do Hospital das Clínicas de São Paulo).

A psicóloga Fabiana Rosa, do serviço de tratamento à obesidade do Hospital da Baleia, em Belo Horizonte (MG), concorda. "O peso é ponto contra. Acham que o obeso é lento, burro e não tem determinação. Não é verdade. Se o trabalho não envolve esforço físico, a agilidade é igual."

Mas há um outro lado nessa moeda, observa Andrea Levy, psicóloga especializada em acompanhamentos pré e pós-operatórios de obesidade. "A queixa costuma vir acompanhada de um sentimento de autopiedade", diz ela.

"Quem pesa demais não se sente à vontade com o corpo e se "encapsula" num círculo de insegurança e de medo. Não tem coragem de procurar emprego porque acha que não vai conseguir. Chega até a aceitar subempregos."

Levy atenta para o fato de que a obesidade deixa seqüelas no currículo da mesma forma que deixa no corpo. "Não adianta achar que uma cirurgia de redução de estômago é um passaporte para a alegria. Se o profissional não tem experiência, continuará fora", diz.

(Folha de S. Paulo – 29/05/05)

   

Grandes empresas já combatem a doença

Em algumas empresas, o sobrepeso já passou a integrar a lista das preocupações com qualidade de vida. Um exemplo é a Glaxo-SmithKline, que neste ano está combatendo a obesidade dentro de um programa nacional batizado de "Vivendo Melhor". A iniciativa se estenderá aos filhos de funcionários, que assistirão a peças de teatro sobre o tema.

Na prática, a empresa já conduzia ações isoladas em relação à doença. Há quatro anos, a analista de automação Shirley Perisse, 39, teve sua cirurgia de redução de estômago financiada integralmente.

"Era obesa mórbida. Com meus rendimentos, jamais conseguiria bancar a operação. Para mim, foi um reconhecimento imenso ao meu trabalho", conta a profissional, que perdeu 62 kg.

Perisse falou à Folha de sua casa no Rio de Janeiro, onde se recupera de duas novas intervenções cirúrgicas para remover o excesso de pele resultante do emagrecimento. Mais uma vez, as despesas correram por conta do patrão.
Úrsula Durkes, 42, também contou com a ajuda da companhia quando decidiu brigar com a balança. "Sempre fui magra, mas ganhei 40 kg em cinco anos. Foi uma experiência nada agradável", relata a profissional.

Técnica em formulação da DSM (empresa instalada dentro da Roche), ela aproveitou a pista de cooper e o estímulo da firma para se exercitar. "Comecei a caminhar depois do expediente. Ando oito quilômetros diariamente", diz.

"Focamos na obesidade da mesma forma que fazemos com tabagismo e estresse", esclarece a gerente de responsabilidade social da Roche, Rosicler Rodriguez. "Quando identificamos um funcionário com o problema, fomentamos a mudança a partir da alimentação e da atividade física."

Na Natura, obesos mórbidos contam com um programa específico de apoio, o "Anjos do Peso". "O acompanhamento é individualizado porque esse funcionário precisa de mais atenção", observa a gerente de recursos humanos, Rosângela Brandão.

Em comum, as ações das empresas visam à diminuição de custos com a redução do número de faltas, algumas doenças são mais freqüentes entre obesos, como diabetes, colesterol alto e hipertensão. Outra razão é o gasto com a sinistralidade dos planos de saúde, cujo peso no orçamento das companhias é cada vez maior.

(Folha de S. Paulo – 29/05/05)

   

Peso é vantagem para algumas vagas

Nem tudo são queixas sobre o excesso de peso. Em alguns casos, ele pode até dar um "empurrão" para conquistar uma posição.

"Nunca sofri preconceito nem ninguém me mandou emagrecer", conta o jornalista Alexandre Hércules, 36, que pesa 110 kg e deveria estar com 90 kg. Há dez anos, ele era o "repórter faustinho" do programa "Domingão do Faustão", da Rede Globo. "No caso desse trabalho, ser gordo era até positivo porque gerava identificação com o apresentador. Saí na frente", conta ele.

Dono de uma empresa de comunicação, Hércules diz que contrataria um obeso sem problemas. "O que importa para mim é a agilidade, e sei bem o quanto um gordo pode ser ágil", afirma.

Na rede paulistana de lojas Very Rosy, que vende roupas até o tamanho 60, pesar mais também é vantagem para ser contratado. "Dou total prioridade aos gordinhos. Sou gordinha, meu cliente é gordinho. Prefiro vendedores que tenham esse perfil", diz a proprietária da marca, Rosa Koth, 52.

"Já vi uma obesa superqualificada entrar numa empresa e arrasar, superar todas as expectativas. Mas isso é uma exceção à regra, o estigma existe mesmo", conta a consultora de recursos humanos Rossana Mezzei, 43.

Mezzei está com data marcada para fazer cirurgia de redução de estômago. Precisa perder 50 kg. "A verdade é que todo gordo precisa ser acolhido, apoiado e estimulado a mudar", ressalta. Na opinião dela, uma vantagem que os mais pesados têm a oferecer às empresas é a simpatia e a facilidade de comunicação.

A psicóloga Fabiana Rosa, do Hospital da Baleia, concorda. "O obeso é expansivo, chama a atenção por ser mais alegre. É um traço de personalidade." Já a supervisora de atendimento L.B. discorda. "Quando eu era obesa, era extremamente mal-humorada. No fundo, estava sempre triste comigo. Isso dificultava minhas relações no trabalho", conta.

(Folha de S. Paulo – 29/05/05)

   
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