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Ritmo
de demissões nos EUA é o 2º maior
Nos primeiros
três anos da administração de George W. Bush,
as demissões nos EUA ocorreram no segundo ritmo mais rápido
já registrado, segundo um relatório do próprio
governo americano.
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Ritmo de demissões nos EUA é o 2º maior
Nos primeiros
três anos da administração de George W. Bush,
as demissões nos EUA ocorreram no segundo ritmo mais rápido
já registrado, segundo um relatório do próprio
governo americano.
Na última
pesquisa do governo sobre a freqüência com que os trabalhadores
são demitidos permanentemente de seus empregos, o índice
de demissões atingiu 8,7% de todos os trabalhadores adultos
nos EUA, ou 11,4 milhões de homens e mulheres de 20 anos
ou mais. O valor quase equivale à taxa de 9% do período
1981-1983, que incluiu a maior contração da economia
americana desde a Grande Depressão.
A recessão
e o fraco crescimento econômico caracterizaram a maior parte
do período de 2001 a 2003, e milhões de empregos desapareceram.
Mas, enquanto
as demissões normalmente aumentam em tempos difíceis
e caem em anos prósperos, a nova pesquisa publicada na sexta-feira
pelo Escritório de Estatísticas do Trabalho do Departamento
de Trabalho dos EUA aumentou as evidências estatísticas
de que hoje as demissões são mais freqüentes,
tanto em épocas boas quanto ruins, do que foram em ciclos
semelhantes uma década atrás.
Há casos
ilustrativos abundantes sobre isso, mas a evidência estatística
está apenas começando a contar a mesma história.
O índice
de demissões dos últimos três anos, por exemplo,
foi maior do que na recessão de 1990-91, revelou a pesquisa
sobre deslocamento. O índice também foi maior no final
do boom da década de 90 do que no final da de 80, um período
semelhante de forte crescimento econômico.
"Ninguém
deveria se surpreender com a crescente freqüência das
demissões", disse James Glassman, economista-sênior
do JP Morgan Chase. "É o eco da globalização.
As companhias estão mudando o local de produção
com maior freqüência para aproveitar os centros de baixo
custo."
Uma porta-voz
do governo Bush, Claire Buchan, solicitada a comentar, respondeu
com uma declaração que se concentrou no aumento da
criação de empregos nos últimos meses, e não
mencionou o relatório sobre deslocamento de trabalhadores.
Enquanto o deslocamento
de empregos aumentou gradativamente nos 23 anos das pesquisas, o
índice de desemprego caiu.
Para alguns
pesquisadores do mercado de trabalho do país - como Farber
e Jared Bernstein do Instituto de Políticas Econômicas,
por exemplo -, isso torna ainda mais notável o índice
crescente de demissões. "Se você comparar o índice
de deslocamento com o de desemprego, é uma escada ascendente",
disse Bernstein.
"Há
maior probabilidade de alguém ser demitido hoje do que em
níveis de desemprego semelhantes no passado."
A queda do índice
de desemprego também sugere que a maioria dos que perdem
o emprego é recontratada relativamente depressa, e as pesquisas
confirmam.
O pagamento
é outro assunto. Na última pesquisa, 56,9% dos que
disseram que foram recontratados também disseram estar ganhando
menos em seus novos empregos do que nos que haviam perdido. Isso
comparado com 46,6% de 1991 até 1993, um período semelhante
de recessão seguido por uma recuperação fraca,
e 42,2% de 1997 até 1999.
A pesquisa de
deslocamento de trabalhadores foi realizada em janeiro ou fevereiro
de cada ano par desde 1984. Membros de 60 mil famílias são
questionados se perderam o emprego em algum momento nos três
anos precedentes devido ao fechamento de uma fábrica ou empresa,
se o trabalho era insuficiente ou o cargo que ocupavam foi extinto.
Um "sim" significava que o emprego havia desaparecido
permanentemente, sem perspectiva de retorno.
O presidente
Ronald Reagan (1981-1989) instituiu a pesquisa em resposta a queixas
do Congresso sobre o aumento das demissões. As pesquisas
se concentraram inicialmente em trabalhadores que foram demitidos
depois de manter um emprego por pelo menos três anos.
Esses trabalhadores
de "longa permanência" ainda recebem grande atenção
nos relatórios bianuais; 5,3 milhões deles foram deslocados
no período 2001-2003, ou 6,3% de todos os trabalhadores de
20 anos ou mais com pelo menos três anos no emprego.
Esse índice
foi o mais alto entre trabalhadores de longa permanência,
ligeiramente acima dos 6,2% do período 1981-1983.
(Folha de
S. Paulo – 03/08/04)
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