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Volkswagen incentiva participação de funcionários para reduzir custos

A fim de reduzir os gastos, a fábrica paranaense da Volkswagen criou equipes compostas por profissionais de diferentes áreas. Sem abandonar as tarefas comuns, esses profissionais têm que encontrar soluções para problemas que vão desde despesas com água potável até a colocação de parafusos nos carros. Aqueles que mais se destacam na tomada de decisões têm mais chance de subir na hierarquia da empresa.

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Volkswagen põe seus talentos para reduzir os custos da fábrica no Paraná

Um "brain storm" com toda a diretoria pode produzir quantas boas idéias? Dez, vinte? Enquanto isso, pelo menos trezentas delas estão girando, soltas, pela empresa, sem ser aproveitadas.

"Alguns trabalham demais, enquanto outros ficam só olhando", pensou há um ano o diretor da unidade paranaense da montadora Audi/Volkswagen, Thomas Schmall. Daí a criar o Programa Participe foi um passo. A receita estava pronta e à espera, no Banco de Talentos que a montadora mantém com uma lista de funcionários que se destacam como promessas futuras e capazes de ocupar cargos importantes no topo da hierarquia.

Schmall montou 20 equipes, com componentes de diversas áreas e lhes entregou uma incumbência: reduzir os custos das mais variadas questões. Das despesas com água potável à colocação de parafusos no Golf e no Audi A3 produzidos na unidade.

As equipes, sempre lideradas por um integrante do Banco de Talentos, têm prazos de dois a quatro meses para apresentar soluções, dependendo da complexidade do problema. E isto sem abandonar suas funções habituais. "Temos de administrar o tempo para caber no horário de trabalho", conta o engenheiro Valter Volkmer, apontando uma das provas a serem vencidas.

Volkmer e sua equipe foram os vencedores da edição pioneira do programa no ano passado. Com a troca de galões de água por bebedouros e a melhoria no atendimento, eles conseguiram reduzir em 85% o custo da água.

Desta vez, ele integra um grupo que precisa desenvolver uma forma de pintar os carros em lotes. "É um trabalho de planejamento", conta o engenheiro. Planejamento este que envolve padronizar o processo e o tempo gasto na tarefa, ação que vai beneficiar também os fornecedores de peças pintadas.

No total, as equipes do ano passado propuseram alternativas para gerar economia de R$ 18 milhões por ano. Algumas das idéias estão em fase de implantação. "Nunca antes tinha visto tanto contato direto com a diretoria", comenta outro destaque do Banco de Talentos, o administrador Carlos Alberto Valdívia, coordenador de compras da montadora. Contatos que sempre rendem melhor entrosamento e a possibilidade de revelar suas capacidades, acredita ele.

Valdívia trabalhou, no ano passado, com embalagens do veículo de exportação. Era preciso otimizar e testar novos produtos nacionais. Tarefa completa, que rendeu 40% de economia e já está em uso. Desta vez, ele tem de trabalhar no desenvolvimento de fornecedores paranaenses, que hoje são responsáveis por apenas 17% de cada veículo produzido no Estado.

Para começar, a equipe marcou um workshop em conjunto com o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas Mecânicas e de Material Elétrico de Maringá, o Sindimetal/PR. O interessante, destaca Valdívia, é que a formação da equipe com pessoas de áreas variadas e sem conhecimento prévio sobre o setor em que o problema se situa permite sempre que surjam novas visões e aprendizados sobre o mesmo tema. Além de promover maior sinergia entre as áreas da empresa.

"É uma oportunidade de conhecer melhor as pessoas e todo o quadro gerencial", diz. Na opinião de Volkmer, assim se consegue uma visão mais abrangente do negócio Volkswagen.

Para chegar a bons resultados, segundo o diretor Schmall, não é preciso ser um especialista. Precisa, apenas, ter a cabeça aberta, "com os olhos para fora." Cada equipe conta com um "padrinho" do corpo da diretoria, que discute os caminhos escolhidos e "ajuda a manter o foco", segundo o diretor. Esse padrinho avalia também se os integrantes têm perfil de liderança. Coisa que os "talentos" têm de mostrar também na apresentação final da solução, diante da diretoria. "Temos mais chance de vê-los e eles a nós", comenta Schmall, animado com os resultados já obtidos.

O Banco de Talentos prepara eventuais substitutos para todas as funções importantes dentro da montadora. A fábrica de São José dos Pinhais leva vantagem em relação às outras unidades da Volks no mundo: 80% de seus funcionários têm menos de 35 anos. E um grupo de mais de 40 unidades da Volkswagen pela frente, em todo o mundo, com vagas sendo abertas para os que se destacam.

(Valor - 04/06/02)

Convênio leva doutores para indústrias em São Carlos

A fábrica de motores da Volkswagen em São Carlos (SP) vai aproveitar o "know-how" de doutores recém-formados nas universidades da região para aprimorar seu campo de pesquisas. Creusa Sayuri Tahara, pós-graduada em gestão da produção pela Universidade Federal de São Carlos e com doutorado na mesma área pela Universidade de São Paulo (campus São Carlos), vai passar um ano na fábrica pesquisando formas de otimizar o processo industrial daquela unidade da Volks, principalmente através de simulações na linha de montagem e logística.

O contrato faz parte do convênio "Doutor na Indústria", um programa criado em 2000 pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Sustentável, Ciência e Tecnologia de São Carlos em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O objetivo desse convênio é incentivar jovens doutores a desenvolver projetos dentro das empresas da região. Esses profissionais não possuem vínculo empregatício com as companhias, e recebem uma bolsa de estudos paga em parte pelo CNPq e em parte pela empresa.

Apesar de seu trabalho de doutorado não ser vinculado ao setor automotivo, a experiência em sistemas de produção e manufatura de Creuza interessou à Volkswagen. Na companhia há um mês, ela está traçando um diagnóstico para desenvolver um projeto que traga impacto positivo à manufatura dos motores. Mas tem de ser rápida. "Não posso pensar em um projeto de grandes ambições porque tenho um ano para desenvolvê-lo", explica a doutora. A empresa pretende dar continuação ao projeto após o término da primeira bolsa de estudos.

A fábrica de motores da Volks em São Carlos, inaugurada em 1996, é considerada uma das mais modernas do grupo no mundo. Produz 1,5 mil unidades por dia e tem 840 empregados. Uma das razões da escolha da cidade para a instalação da fábrica foi justamente a possibilidade de efetuar intercâmbios com a USP-São Carlos e a UFSCar.

(Valor - 04/06/02