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Empresas aumentam os investimentos
em pessoas
Para ver os
seus negócios crescerem, diversas companhias estão
priorizando o investimento no desenvolvimento dos empregados. As
empresas estão adotando planejamentos de carreira estruturados
e modelos organizacionais mais flexíveis na área de
recursos humanos.
Leia
mais:
Empresas aumentam os investimentos em pessoas
A preocupação
com as pessoas ou a chamada gestão do capital humano parece,
afinal, estar começando a sair do discurso e ser praticada
por empresas, consideradas "modelos" nesse assunto no
país. As mudanças já estão em andamento.
Para ver os seus negócios crescerem, essas companhias estão
priorizando o investimento no desenvolvimento dos empregados. Estão
adotando planejamentos de carreira estruturados e modelos organizacionais
mais flexíveis na área de recursos humanos. Também
demonstram estar mais preocupadas em saber como anda o clima interno
e em oferecer programas de qualidade de vida ao seu pessoal.
Todas essas
transformações, mesmo graduais, ajudam a desenhar
um novo caminho para as companhias em atividade no país na
gestão de seu capital humano. Pelo menos, essas são
as principais indicações de uma pesquisa de benchmarking
realizada pela consultoria Deloitte Touche Tohmatsu, à qual
o Valor teve acesso. Foram analisadas 81 empresas, de 11 estados
brasileiros, que empregam 500 mil empregados e têm um faturamento
anual superior a R$ 200 milhões.
"Depois
de tantas mudanças em seus processos, de implementar tecnologias
para buscar uma diferenciação no mercado, as empresas
agora vão trabalhar as pessoas", afirma Vicente Picarelli
Filho, responsável pela pesquisa da Deloitte. "Não
que elas não tivessem sido trabalhadas esse tempo todo, o
que não existia era um foco estratégico específico
como agora".
Uma prova de
que a distância entre o discurso e a prática começa
a encurtar, é que os resultados começam a pipocar
no saldo financeiro das companhias. A pesquisa mostrou, por exemplo,
que o faturamento líquido médio por empregado aumentou
8, 63% este ano, subindo de R$ 361,7 mil em 2002 para R$ 392,9 mil
este ano. "O lucro médio por empregado está em
R$ 21 mil", lembra Picarelli.
Outro indicador de que as pessoas estão sendo mais valorizadas
nas organizações é que existe uma preocupação
crescente em remodelar os processos nas áreas de RH. A intenção
é compensar e avaliar melhor os desempenho dos funcionários,
analisando suas capacidades e não apenas as tarefas que executam.
"As empresas estão preocupadas em alinhar essas capacidades
às suas estratégias", explica Picarrelli. "Elas
querem saber o que que uma pessoa precisa desenvolver para exercer
determinada tarefa".
O planejamento
de carreira formal e estruturado, por exemplo, foi adotado por 43%
das companhias pesquisadas. "As outras que ainda não
conseguiram fazer algo semelhante provavelmente não conseguiram
sair do modelo de gestão clássico, burocrático
e ainda possuem estruturas muito cristalizadas", diz Picarelli.
Muitas organizações, no entanto, já estão
adotando o conceito da carreira horizontal. "Isso significa
que as pessoas que estão em determinada posição
sabem que por um tempo determinado irão adquirir certas competências,
para só depois subir para outro patamar dentro da companhia",
explica o consultor. Competência, neste caso, significa um
mix de conhecimentos, habilidades e atitudes.
Apesar de apenas
24% das companhias adotarem o conceito de remuneração
por habilidades ou competências, esse percentual significou
um grande avanço em relação ao ano passado,
quando só 15% das empresas utilizavam essa prática.
A nova pesquisa da Deloitte mostrou, inclusive, que 28% do total
de presidentes e diretores das empresas da amostra já são
remunerados pelas competências adquiridas voltadas para o
negócio. Vale lembrar que mesmo com esta pequena mudança
76% das companhias ainda usam o sistema tradicional de remuneração.
De qualquer forma, seja qual for o modelo de remuneração,
o sistema formal de avaliação de desempenho é
usado por 72% das companhias.
Essa nova postura
em relação à carreira e ao desempenho só
tem sido possível mediante uma reestruturação
dos departamentos de RH. Pelo menos, 64% das empresas analisadas
adotaram modelos organizacionais mais flexíveis nos seus
departamentos de RH. "É o fim da estrutura rígida
no trabalho, onde o chefe ou o supervisor controlam tudo",
diz o consultor. Essa novo formato, implica na formação
de comitês e o estabelecimento de grupos de trabalho por projetos.
Um outro fator
que chamou atenção na pesquisa foi que 54% das companhias
este ano realizaram uma pesquisa para medir o clima da organização.
No ano passado, apenas 28,4% das empresas pesquisadas utilizavam
esse tipo de ferramenta. "Isso demonstra uma maior preocupação
dos gestores da área de recursos humanos em saber o que acontece
com os funcionários", diz Picarelli. "Eles querem
detectar eventuais descontentamentos, falhas de relacionamentos
com as chefias, para poder implementar ações para
debelar esses problemas que geram improdutividade". Vale ressaltar
que esses levantamentos sobre clima são realizados a cada
cinco meses, segundo a pesquisa.
Para buscar
uma melhor performance dos funcionários, que será
traduzida em mais produtividade, as empresas também estão
descobrindo que é preciso focar no indivíduo. Vem
daí uma preocupação crescente com a questão
da qualidade de vida. A grande maioria (81%) das companhias já
adotam programas dessa natureza. Esse já é um grande
avanço.
(Valor –
01/12/03)
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