Eleição antecipa concursos

Por causa das eleições federais e estaduais, a homologação do resultado dos processos seletivos tem de ser feita até 30 de junho, ou seja, três meses antes da votação. Por conta disso, as autarquias e empresas públicas provocam um festival de concursos nas próximas semanas. União e governo do estado somam 15 processos seletivos abertos com 3.012 vagas oferecidas.

leia mais:
- Eleição antecipa concursos
- A difícil rotina de quem está atento a editais
- Confira concursos em aberto

   
Profissional brasileiro pode ter trabalho legal nos EUA
Salário é o principal motivo de discórdia entre patrões e empregados
Empresas criam programa de trainee para ensino técnico
Indústria disputa trabalho barato de preso
Setor público contratará 60 mil em 2006
Empresas investem em certificação profissional para funcionários
Migração de setor e novas atividades revigoram carreira
Para empresas, "santo de casa faz milagre"
 

 

 

 

 

 

 

 

Eleição antecipa concursos

Estamos sob uma chuva de concursos públicos. Por causa das eleições federais e estaduais, a homologação do resultado dos processos seletivos tem de ser feita até 30 de junho, ou seja, três meses antes da votação. Se passar desta data, as contratações dos aprovados só serão permitidas após a posse dos governantes, em janeiro de 2007. Resultado: na pressa, as autarquias e empresas públicas provocam um festival de concursos nas próximas semanas. A hora para fazer a inscrição é agora. Como o Tribunal Superior Eleitoral não se pronunciou sobre a possibilidade de estas contratações influenciarem as administrações municipais — que não terão eleições — as prefeituras decidiram não se arriscar e estão abrindo concursos.

No Rio, hoje, há 15 processos seletivos federais e estaduais com inscrições abertas ou abrindo até o início do mês. São 3.012 vagas (fora as referentes a cadastro de reserva, que não foram quantificadas). Os salários variam de R$479,98 a R$5.438.

Há oportunidades para quem tem nível médio ou superior. A Petrobrás é a empresa que tem o maior número de vagas. As inscrições estão abertas até 3 de abril. Serão 1.178 contratações, com salários de até R$ 3.605,42 para quem tem diploma universitário e R$ 2.084,31 para nível técnico. Já a Agência Nacional de Cinema (Ancine) chamará 34 novos funcionários, por até R$ 3.197,33 (curso superior) e R$1.539,01 (nível médio).

A Eletronuclear formará cadastro de reserva para profissionais com formação superior (salários de R$ 5.438). Assim como a Caixa Econômica (remuneração de R$ 3.881), que também vai selecionar pessoal de nível médio (R$ 1.133). O Ministério da Cultura, por sua vez, abre 215 vagas, entre elas, oportunidades para Biblioteca Nacional, Funarte e Fundação Palmares. No caso, o salário é de R$ 1.768 (nível superior) e de R$ 1.560 (nível médio).

Difícil é encontrar um diretor de concurso ou candidato parado. Marco Aurélio Guimarães, responsável pelas seleções organizadas pelo NCE, núcleo da UFRJ, coordena 20 concursos simultâneos em todo o país. Até o fim do ano, ele estima que terão sido cem, já que algumas empresas querem mesmo contratar em 2007 ou formar cadastro de reserva. Mauro Rabello, da Cespe, órgão correlato da Universidade de Brasília (UnB), calcula que entre fevereiro e abril terá realizado 56 concursos. Isso corresponde a 70% do volume de 2005. Em todo o ano passado, a Cespe fez 81 seleções. Na Cesgranrio, este ano, já são 20 concursos com 1,2 milhão de inscritos.

“No fim de março e começo de abril, a Cespe abre inscrições para 13 concursos, totalizando uma oferta de 2.248 vagas. Há outros 29 processos de seleção em andamento, somando mais seis mil oportunidades. Nestes casos, a inscrição acabou, já foi aplicada a primeira prova ou estamos aguardando resultados. Tudo por causa do ano eleitoral,” explica Rabello.

O diretor da Fesp, Paulo Sérgio Marques, é solidário com a angústia de candidatos que, no fim, são prejudicados com o acúmulo de datas e taxas: “Não estou mais fechando contratos de realização de concursos com prerrogativa de contratação este ano. É preciso ter respeito com o candidato e, inclusive, dar tempo para que ele estude e se sinta preparado para os testes. Ele se prejudica também porque não pode fazer provas realizadas no mesmo dia e tem de pagar várias taxas de uma vez.”

A segurança é preocupação constante, ainda mais com o acúmulo de concursos. O Ministério do Planejamento informa que as autorizações para os processos seletivos foram dadas em dezembro e janeiro para que houvesse tempo hábil. Apesar de problemas já registrados, diretores de concursos de Cesgranrio, Fesp, Cesp e NCE sustentam que é absoluta a lisura da confecção, aplicação e correção das provas.

As instituições, dizem eles, tiram as digitais dos candidatos na hora do exame para ter como provar, depois, que quem fez a prova é a pessoa que será contratada. Além disso, instalam detectores de freqüência de ponto eletrônico. Mas velhas técnicas são mantidas, informa o coordenador de concursos da Cesgranrio, Avelino Werner: “Nosso pessoal é capaz de descobrir uma tentativa de fraude pelo semblante do candidato.”

Marques, da Fesp, diz que funcionários que imprimem os questionários ficam confinados num andar como Big Brothers até o dia seguinte ao exame: “No ano passado, fizemos um concurso da Polícia Militar com 37 mil candidatos e houve apenas 0,003% de recursos. Se existe antecedência e o edital é minucioso, o risco de erro na seleção é mínimo.”

(O Globo)

 

   
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

A difícil rotina de quem está atento a editais

Os candidatos que prestam concursos este ano reclamam do acúmulo de taxas e da coincidência de datas de provas. As inscrições para quem tem nível superior, por exemplo, custam cerca de cem reais. Aqueles que decidem fazer várias provas desembolsam quantias altas de uma só vez.

A matemática Sandra Barcellos tentou uma vaga para técnica da Receita Federal este ano e pensa em disputar outros concursos: “Vou tentar o que aparecer. Mas é complicado. Tenho conversado com colegas de curso preparatório e a reclamação é geral. É preciso fazer boas escolhas para não gastar muito dinheiro.”

O físico Daniel Alencar está à espera da publicação de alguns editais ainda este ano. Ele teme, no entanto, que a lei eleitoral inviabilize a realização de algumas provas pelas quais tem esperado: “Será frustrante se as inscrições que me interessam não saírem esta semana. Sei que, se não for agora, é muito pouco provável que sejam realizados ainda em 2006. Tenho estudado especialmente para fazer alguns concursos.”

Bacharel em direito, Danielle Lopes disputa diferentes processos públicos de seleção para conseguir uma vaga, de preferência nas áreas fiscal ou jurídica. Só este ano, ela fez os do Tribunal de Justiça, do Tribunal Regional do Trabalho e de técnico da Receita Federal. “Minha esperança é que a cada resultado divulgado, menos gente se inscreva nos próximos concursos. Ou que os altos valores a serem pagos tirem pessoas das disputas.”

(O Globo)

 

   
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Confira concursos em aberto

Dataprev: A Dataprev preencherá 325 vagas de analista de tecnologia da informação. É preciso ter nível superior em estatística, engenharia de sistemas ou telecomunicações, matemática, informática, sistemas da computação, direito ou ciências contábeis, entre outros. No rio, são 131 vagas de R$ 2.180. Inscrições pela internet, até 9 de abril. Taxa: R$ 50. Outras informações: www.cespe.unb.br .

Arquivo Nacional: Entre os dias 5 e 19 de abril, o Arquivo Nacional estará com inscrições abertas para o preenchimento de 182 vagas, 153 delas no Rio. O prazo se estende até dia 24 para quem for se inscrever via internet. Serão 80 contratados com nível médio (R$ 1.130) e 102 com superior (R$ 1.340). Há pagamento de benefícios. Taxas: R$ 28,50 e R$ 33,50, respectivamente. Informações: www.nce.ufrj.br/concursos .

FINEP: A Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério da Ciência e Tecnologia formará cadastro de reserva nos níveis médio e superior, com salários de R$ 896,34 e R$ 3.736,83. As inscrições devem ser feitas entre 5 e 19 de abril, nos postos de atendimento ou pela internet. As taxas são de R$ 22 e R$ 42 para técnicos (de acordo com a área de conhecimento) e R$ 70 (nível superior). Informações: www.nce.ufrj.br .

(O Globo)