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Convênio
empresarial pode virar lei
A Comissão
de Seguridade Social e Família, da Câmara dos Deputados,
aprovou em maio um substitutivo alterando a Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT) para obrigar as empresas a manter serviço
de assistência odontológica aos funcionários.
Leia
mais
- Convênio empresarial
pode virar lei
- Segmentação
prejudica o setor
Grifes
de periferia geram empregos
As grifes de
rua ganham cada vez mais espaço nos guarda-roupas da periferia,
mas elas querem mais do que vender peças. Ligadas ao movimento
hip hop, as grifes têm também ideologia: valorizar
um público que consome, mas não é prestigiado
pelas grandes marcas, gerando empregos e renda em regiões
esquecidas.
Leia
mais:
- Grifes de rua, a periferia
fashion
Convênio empresarial pode virar lei
A Comissão
de Seguridade Social e Família, da Câmara dos Deputados,
aprovou em maio um substitutivo alterando a Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT) para obrigar as empresas a manter serviço
de assistência odontológica aos funcionários.
O texto será apreciado por duas comissões e depois
segue para o Senado.
Os empresários
terão um ano para se adequar, a partir da data da aprovação,
mas muitos já oferecem, e cada vez mais, a assistência
no pacote de benefícios. Dados da consultoria Towers Perrin
mostram que a quantidade de companhias que oferecem o serviço
cresceu de 67%, em 2002, para 76%, em 2004.
A expansão
motivou o surgimento de empresas de odontologia de grupo, muitas
delas com planos a custos mínimos. Segundo estudo da consultoria
Deloitte, planos com cobertura básica custam, em média,
R$ 10 por funcionário. A assistência intermediária
sai por R$ 15, e a total, por R$ 22.
Mas o que dizer
da qualidade dos serviços prestados? "Depende muito
do tipo de plano. Há os de boa qualidade, com rede credenciada
adequada e até alguma possibilidade de reembolso na livre
escolha. Por outro lado, também podemos encontrar planos
com atendimento restrito a um dentista interno, sem abrangência
para dependentes ou mesmo convênios contratados com alguma
clínica específica, o que retira do empregado a possibilidade
de escolha", diz Francisco Bruno, consultor na área
de saúde da Mercer.
Segundo ele,
a maioria das tabelas de remuneração de dentistas
conveniados é muito defasada em relação aos
preços de mercado, o que "certamente afeta a qualidade
do serviço prestado".
Para medir o
quesito, a pesquisa da Towers Perrin perguntou quais os principais
problemas das empresas com seus planos odontológicos. Entre
as cinco respostas mais ouvidas, a campeã foi "insatisfação
dos usuários" (21%). Também apareceram no topo
"insatisfação com a operadora" (10%) e "insatisfação
com a rede credenciada" (8%).
O Sindicato
Nacional das Empresas de Odontologia de Grupo (Sinog), que congrega
135 operadoras do país, afirma que o "mercado paralelo
prejudica o setor".
Seguindo a mesma
tendência dos planos de saúde, a co-participação
do funcionário no plano odontológico é praticada
por 75% das empresas (a parcela do empregado é de 22%, em
média).
A julgar pelas
informações acima, a analista de faturamento Adriana
Regis, 30, pode ser chamada de uma "profissional de sorte".
Seu plano odontológico é totalmente custeado pela
empresa onde trabalha, a Unimed do Brasil. Com cobertura completa,
é extensivo aos dependentes e agregados (pais e irmãos).
"Estou muito satisfeita. Pago uma mensalidade pequena e minha
dentista aceita o plano que tenho."
Seu caso é
uma exceção. Em geral, ainda há poucas empresas
oferecendo o plano completo, mesmo nos cargos mais altos. Estudo
da Deloitte mostra que 50,6% das firmas financiam integralmente
os planos aos seus gerentes. Dessas, porém, a maioria (33%)
paga só a cobertura básica.
A ênfase
é ao tratamento preventivo, às cirurgias, à
dentística restauradora e à endodontia (tratamento
de canal). A cobertura para ortodontia e prótese é
incomum e restrita à diretoria.
(Folha de
S. Paulo – 26/06/05)
Segmentação prejudica o setor
"Esse sistema
precisa se profissionalizar", afirma o cirurgião-dentista
Carlos Squillaci, presidente do Sindicato Nacional das Empresas
de Odontologia de Grupo (Sinog). "O mercado paralelo só
complica. São as pequenas empresas, que não têm
estrutura, que comprometem o setor." Segundo ele, as associadas
ao Sinog não tiveram nenhuma queixa registrada no último
levantamento do sindicato, feito em parceria com o Procon (Fundação
de Proteção e Defesa do Consumidor).
Renato Velloso,
diretor comercial da OdontoPrev, uma das líderes do setor,
com 1 milhão de usuários, diz que o problema está
na segmentação do mercado. Segundo a ANS (Agência
Nacional de Saúde Suplementar), há hoje 567 operadoras
no mercado, com 5,2 milhões de beneficiados. Dessas, 16 são
de grande porte, concentrando 2,7 milhões de usuários.
O saldo restante de clientes é atendido por 551 firmas.
"A visão
de insatisfação era muito maior antes da regulamentação
do setor, em 1998", afirma Velloso. Com a publicação
dos regulamentos, diz ele, a tendência é que as grandes
se consolidem, e as pequenas desapareçam. "É
uma questão de mercado. Quanto mais a informalidade desaparecer,
mais aumentará a satisfação."
Para contratar
uma operadora de qualidade, o Sinog aconselha o empresário
a checar se ela é regulamentada pela ANS e se há reclamações
no Procon. Também é possível recorrer ao Sinog.
(Folha de
S. Paulo - 26/06/05)
Grifes de rua, a periferia fashion
As grifes de
rua estão bem longe das passarelas da São Paulo Fashion
Week, que começa terça-feira. Mas ganham cada vez
mais espaço nos guarda-roupas da periferia e querem mais
do que vender peças. Por trás de calças oversized,
sobreposições, peças esportivas e correntes
douradas ligadas ao movimento hip hop, têm também ideologia.
A de valorizar um público que consome, mas não é
prestigiado pelas grandes marcas, gerando empregos e renda em regiões
esquecidas.
"O moleque
da periferia trabalha o mês inteiro para depois ir gastar
nos shoppings", diz Ferréz, escritor e dono da grife
1 da Sul. "E faz isso em marcas que não o respeitam,
que não devolvem nada para o bairro." Morador do Capão
Redondo, uma das regiões mais carentes e violentas da zona
sul paulistana, ele montou sua grife, cujo nome vem de "todos
somos um" - em 1999, no próprio quarto.
Hoje, a marca
de bonés, gorros, camisetas e moletons conta com escritório
e loja no centro do Capão, onde divide espaço com
CDs de rap, livros e revistas. "A 1 da Sul é feita por
pessoas daqui para ser usada por gente daqui, do gueto ao gueto."
Por mês,
a grife vende cerca de 150 bonés, de 100 a 120 camisetas,
que custam em média R$ 25,00, e 30 moletons, de R$ 45,00
a R$ 50,00. E emprega 21 pessoas do bairro, 5 na estamparia, 4 no
corte-e-costura, 3 fazendo adesivos para carros e motos, 5 costurando
bonés, 3 na loja e 1 no escritório. "Moda é
importante para a gente se sentir bem vestido. Mas, se puder fazer
aqui, com ideologia, melhor. É preciso que o povo da periferia
se auto-sustente."
"Sempre
achei uma contradição tremenda pegar o salário
do mês e ir comprar em lojas que te discriminam, mas só
resolvi montar a Arte Preto depois de trabalhar de estoquista numa
grife do Shopping Ibirapuera", diz Edvaldo Quirino, de 34 anos.
Dono da grife,
ele diz que cansou de ver gente de seu bairro indo lá comprar
e, sem saber, ser ridicularizado. "A maioria dos vendedores
trabalhava mais para passar o tempo do que por necessidade. E era
só as meninas saírem para começar os comentários.
Chamavam de baianinha, neguinha."
Há 13
anos, Quirino montou sua grife no quintal de casa, no Jardim das
Rosas, também zona sul, depois de fazer curso de estamparia
e pedir ao irmão, marceneiro, que reproduzisse em madeira
as máquinas de metal, mesa de gravação de telas,
estufa, máquina de berço, que via nas confecções.
Como já sabia desenhar e fazer camisetas, tudo ficou mais
fácil. As primeiras peças, que estampavam Zumbi dos
Palmares e outros expoentes do movimento negro, foram compradas
por colegas do hip hop. E foi expandindo a produção.
"Entrava grana, sobrava um pouquinho, eu comprava camiseta
e fazia."
As peças
com mensagens são sua principal aposta, embora a grife já
trate de outros temas, como jazz e desarmamento. A última
linha saiu com o slogan "Armas e Homens: uma relação
de morte". Mas tudo é muito artesanal. Quirino chegou
a abrir loja na rua principal do bairro, mas não agüentou
pagar o aluguel. E até hoje não conseguiu legalizar
a empresa.
A 1 da Sul é
uma das poucas grifes de rua com empresa aberta e nota fiscal. A
maioria das outras ainda sobrevive no mercado informal. Como a 9370,
se lê "nove três setenta", que foi criada
há 5 anos, já tem linha infantil, a Baby 9370, coleção
feminina, 9370 RED, e representações em outros Estados,
mas ainda não existe oficialmente. Gejo, o criador, estilista
e vendedor da grife, de 29 anos, diz que sonha em sair da informalidade,
porque, assim, poderia dar mais empregos e se transformar numa "multinacional".
Mas, por enquanto,
vende suas peças numa loja perto da estação
de trem de Osasco e em bancas montadas em festas de rap e campeonatos
de dança e orgulha-se ao dizer que já teve peças
levadas para os Estados Unidos, Canadá, Alemanha. Fatura
em média R$ 800,00 por semana e está sempre de olho
nas novidades.
"Vou sempre
ao Brás, ao Bom Retiro, até ao interior ver as novidades."
Não abre mão de transmitir mensagens. Num dos últimos
lotes, usou códigos de barra. Para mostrar como hoje em dia
as pessoas são simples números.
O nome da grife
vem de um código criado a partir das iniciais de seu apelido:
nove vem de G; três de E ao contrário, J remete a um
sete de cabeça para baixo, O é o zero. Influências
do grafite, que ele acabou transferindo dos muros às roupas.
"Nossa produção é bem underground. Em
Salvador, estamos não na parte turística, mas na favela.
Em Brasília, em Taguatinga. Comunidade é comunidade
em qualquer lugar."
(O Estado
de S. Paulo – 26/06/05)
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