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País tem quase 422 mil advogados
O recadastramento
obrigatório dos advogados do país na Ordem dos Advogados
do Brasil (OAB) acabou por desvendar detalhes da profissão
- cada vez mais feminina, jovem e numerosa. No total, são
mais de 421.000 advogados espalhados por todo o Brasil.
Leia
mais:
- País tem quase 422 mil advogados
- Cresce a presença de mulheres no meio jurídico
País tem quase 422 mil advogados
O recadastramento
obrigatório dos advogados do país na Ordem dos Advogados
do Brasil (OAB) acabou por desvendar detalhes da profissão
- cada vez mais feminina, jovem e numerosa - até então
desconhecidos. Os 421.899 advogados do Brasil estão distribuídos
de forma desigual pelo país. A comparação dos
resultados do recadastramento com dados do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) demonstra que há,
por exemplo, onze vezes mais advogados por habitante no Rio de Janeiro
do que no Maranhão.
Os dados obtidos
pela primeira vez pela Ordem, no recadastramento nacional inédito
que servirá para a criação de um banco de dados
da advocacia no Brasil - demonstram que no Brasil há um advogado
para cada grupo de 408,6 pessoas. As diferenças entre os
Estados, entretanto, são muito grandes. Apenas em cinco dos
27 Estados a relação é menor do que a média
nacional.
Os quatro Estados
com mais advogados no Brasil - São Paulo, Minas Gerais, Rio
de Janeiro e Rio Grande do Sul, acrescidos do Distrito Federal -
são os que possuem a menor relação de profissionais
por população. Por outro lado, os Estados considerados
mais pobres do país - Maranhão e Piauí, e os
mais desabitados da região Norte são os que possuem
menos advogados à disposição.
O presidente
da seccional fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ),
Octávio Gomes, acredita que a situação jurídica
do Rio favorece o momento que a profissão atravessa no Estado.
"O Judiciário fluminense é o que mais investe
no Brasil, já que tem autonomia financeira nas custas processuais,
e realiza muitos concursos públicos, o que atiça a
vontade de fazer direito de jovens nos vestibulares", afirma.
Para ele, entretanto,
a alta concentração de profissionais não significa
que o mercado esteja saturado. "Há espaço para
todos, já que desde a Constituição Federal
de 1988 e com a edição do Código de Defesa
do Consumidor aumentou o sentimento de cidadania da população
e cada vez há mais ações na Justiça",
diz. Ele acredita que novas áreas do direito - como a ambiental
e a desportiva, que há dez anos eram praticamente desconhecidas
e inexploradas - também possam ajudar a absorver esses profissionais.
Outro ponto
que chama a atenção nos dados da OAB é a maioria
jovem na profissão: 27,99% dos advogados tem até cinco
anos de formado, maior fatia de acordo com a divisão da OAB,
feita por faixas de cinco em cinco anos de formados até a
classificação de pessoas com mais de 30 anos de formadas.
"Estamos vivendo um agigantamento da profissão",
diz o novo presidente da seccional paulista da Ordem, Luiz Flávio
Borges D'Urso. Ele acredita que isso está trazendo uma alteração
na composição da advocacia. "Em São Paulo
temos uma média de dez mil novos advogados por ano",
afirma.
D'Urso acredita
que esse movimento deve ser levado em conta para que a profissão
atenda à demanda de novos profissionais. "Temos que
incentivar a utilização de advogados em todos os tipos
de ações, inclusive nos juizados, e de soluções
alternativas de conflitos, como a arbitragem e a mediação",
diz. Ele afirma que enviará um projeto de lei ao Congresso
para criar essa obrigatoriedade. "Além de ampliar o
mercado de trabalho essa medida vai trazer mais Justiça,
já que o Estado não fornece profissionais para a população
de baixa renda em diversos tipos de conflitos", diz.
Ele acredita
que a OAB deve estimular o alto nível dos profissionais,
mantendo o exame da Ordem com a atual rigidez. "Hoje 80% dos
bacharéis que prestam o exame são reprovados",
diz. Ele acredita que isso, aliado a um controle mais efetivo para
evitar a proliferação de cursos, pode significar uma
melhoria das condições de trabalho aos jovens advogados.
(Valor Econômico
– 06/01/04)
Cresce a presença de mulheres no meio jurídico
Os dados obtidos
com o recadastramento dos profissionais na Ordem dos Advogados do
Brasil (OAB) demonstram que as mulheres são maioria em apenas
39 das 858 subseções - menores unidades que normalmente
abrangem poucos municípios - da OAB. Mas, se levarmos em
conta apenas os profissionais com até cinco anos de formados,
esse número salta para impressionantes 282 subseções
com maioria de mulheres.
De acordo com
os dados da OAB, em 30 de outubro havia 178.767 mulheres advogadas
em todo o país, o que representa 42,37% do total. Mas elas
já são 50,50% dos profissionais com até cinco
anos de formados, ou seja, são 59.632 advogadas contra 58.448
advogados do universo de 118.080 recentemente formados. A concentração
feminina está nos maiores Estados do país, já
que em apenas seis deles - Pernambuco, Goiás, São
Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Amazonas - há
maioria de mulheres dentre os formados há cinco anos.
Das 858 subseções
do país, em 39 já há maioria de mulheres e
em nove há número igual. Em São Paulo há
quatro das 221 seccionais com maioria feminina. Ao levarmos em conta
os profissionais com até cinco anos de formados, entretanto,
a maioria feminina é percebida em 103 subseções.
"Esses números demonstram claramente que haverá
maioria feminina na Ordem em poucos anos", diz a advogada Rosana
Chiavassa, criadora da Comissão da Mulher Advogada da seccional
paulista da OAB e primeira candidata à presidência
da OAB-SP na história, derrotada nas eleições
de novembro.
Esse aumento
da presença das mulheres, entretanto, não significa
que elas estejam aumentando sua importância na categoria.
"A representatividade da mulher na advocacia ainda é
baixíssima", diz Rosana. Nos resultados das últimas
eleições da Ordem em todo o país, apenas uma
mulher despontou como a nova presidente de uma seccional: Estefânia
Viveiros, no Distrito Federal. Dos 81 conselheiros federais da OAB,
há apenas sete mulheres - 8,64% do total.
E a chapa única
para a presidência nacional da OAB, que deve ser eleita no
dia 25, não contempla mulheres. "Não só
na advocacia, mas em outras profissões do direito, como Ministério
Público e magistratura, as mulheres ocupam espaços
menores", afirma. Rosana - que registrou pela primeira vez
na Ordem paulista um escritório de advogadas associadas -,
acredita que esta deve ser a maior luta das mulheres na profissão.
Ela afirma que
a área em que há maior preconceito na advocacia é
no direito penal. "Poucos clientes se sentiriam confortáveis
em entrar em uma delegacia com uma advogada", afirma. Rosana
acredita que a maioria feminina na OAB vai favorecer uma humanização
da profissão. "As mulheres tem uma perspectiva de mundo
um pouco diferente da visão dos homens", diz.
(Valor Econômico
– 06/01/04)
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