Para empresas, "santo de casa faz milagre"
Dentro de casa
podem estar as idéias mais criativas e inovadoras. É
o que têm observado as empresas que decidiram apostar no potencial
de seus colaboradores realizando concursos e premiações
para as melhores sugestões.
Alessandro Tomao,
28, teve uma idéia que lhe rendeu bônus de R$ 1.800
e uma viagem à Ilha de Comandatuba (BA). Em um concurso interno,
Tomao, que é supervisor jurídico do Banco Itaú,
propôs reduzir o número de vias de boletos bancários
para economizar em um terço o papel usado.
A sugestão
veio ao encontro das necessidades da instituição.
"O objetivo era justamente criar uma nova cultura de economia
e racionalização de gastos", conta Geraldo Martins,
41, superintendente de relações sindicais.
Ao todo, foram enviadas 21.095 recomendações a um
comitê. Destas, 2.000 foram implementadas, o que levou a uma
economia de até R$ 100 milhões por ano.
Como forma de
gratificação, cada um dos 37 mil funcionários
do banco recebeu R$ 800. Os mentores das cem melhores idéias
tiveram um bônus de R$ 1.000, e os 15 finalistas ganharam
a viagem.
"Todas
as empresas deveriam otimizar o capital intelectual de que dispõem
e que já está incluído na folha de pagamento",
afirma Antonio Carlos Teixeira, diretor da Consultoria Pense Diferente."Assim,
a organização pode agregar valor ao processo e ao
produto, além de motivar o colaborador", assegura Ricardo
Farah, professor do Ibmec.
A política
de ouvir os empregados é uma prática antiga nas empresas
que valorizam as sugestões internas. "A grande novidade
é estruturar programas formais para oficializar o reconhecimento
das boas idéias e estabelecer critérios objetivos
de premiação", destaca Carlo Hauschild, diretor
da consultoria Hewitt Associates.
Há um
ano e meio, a Nokia implementou na fábrica em Manaus um programa
de melhoria contínua, no qual os 3.200 colaboradores têm
um papel-chave.
O desafio é trazer inovações com os recursos
já disponíveis, dentro de normas como qualidade, custo,
necessidades do cliente, segurança, ambiente e motivação.
"O que
temos não é um programa de sugestões, mas de
implementação de idéias", diz o chefe
de qualidade, Marcos Nunes.
A fábrica
utiliza 40 novas sugestões por mês, encaminhadas por
times de funcionários. No final do ano, as 12 melhores soluções
são apresentadas e um júri escolhe a equipe que será
brindada com uma viagem.
O último grupo vencedor da campanha da Nokia é formado
por seis funcionários que propuseram alteração
na lente da câmera do celular para melhorar a qualidade da
foto tirada com flash."Sempre que tínhamos uma idéia,
nos reuníamos, no intervalos do expediente ou fora dele",
relata o engenheiro Paulo Maciel, 24, porta-voz do grupo.
Além
de recompensas que materializam a vitória, como viagens,
brindes e dinheiro, há também formas imateriais de
bonificação. "O reconhecimento profissional por
parte da chefia já é um prêmio por si só",
ressalta Teixeira.
"Ser um dos finalistas trouxe a possibilidade de destacar-me
na empresa", recorda Tomao. "Até recebi um telefonema
do diretor-executivo parabenizando-me."
Para as empresas,
mais do que efeitos imediatos, a principal vantagem é poder
criar um ambiente aberto ao diálogo constante.
"O maior benefício é promover a cultura participativa,
bem como comprometer o funcionário com os resultados",
destaca Hauschild.
Outro aspecto
está ligado à credibilidade dos programas de sugestões.
Para solicitar a colaboração dos empregados, a companhia
tem de estar madura para receber as idéias, avaliá-las,
dar um "feedback" para o mentor e, se aprovadas, levá-las
a cabo."Caso contrário, cria-se um clima desmotivador
e as promessas tornam-se vazias", alerta Farah.
(Folha de
S.Paulo – 06/02/06)
|