Para empresas, "santo de casa faz milagre"

Dentro de casa podem estar as idéias mais criativas e inovadoras. É o que têm observado as empresas que decidiram apostar no potencial de seus colaboradores realizando concursos e premiações para as melhores sugestões.

Leia mais:
- Para empresas, "santo de casa faz milagre"
- Profissionais "de fora" são contemplados




   
Mais pessoas ganham menos que o mínimo
Cargos e funções ganham novos nomes
Política de RH promove troca de funções por curto período
Sem valorização funcionários abandonam os empregos
Página pessoal do Orkut vira ferramenta de seleção de candidatos
Perguntas indiscretas podem constranger o candidato
SP tem menor taxa de desemprego em cinco anos
Primeiro emprego ressocializa jovens
Governo aprova regulamentação
Empresa júnior facilita entrada no mercado de trabalho
Aumentam denúncias de preconceito contra soropositivos no trabalho
Brasil é um dos 25 melhores empregadores da América Latina
 

 

 

 

 

 

Para empresas, "santo de casa faz milagre"

Dentro de casa podem estar as idéias mais criativas e inovadoras. É o que têm observado as empresas que decidiram apostar no potencial de seus colaboradores realizando concursos e premiações para as melhores sugestões.

Alessandro Tomao, 28, teve uma idéia que lhe rendeu bônus de R$ 1.800 e uma viagem à Ilha de Comandatuba (BA). Em um concurso interno, Tomao, que é supervisor jurídico do Banco Itaú, propôs reduzir o número de vias de boletos bancários para economizar em um terço o papel usado.

A sugestão veio ao encontro das necessidades da instituição. "O objetivo era justamente criar uma nova cultura de economia e racionalização de gastos", conta Geraldo Martins, 41, superintendente de relações sindicais.
Ao todo, foram enviadas 21.095 recomendações a um comitê. Destas, 2.000 foram implementadas, o que levou a uma economia de até R$ 100 milhões por ano.

Como forma de gratificação, cada um dos 37 mil funcionários do banco recebeu R$ 800. Os mentores das cem melhores idéias tiveram um bônus de R$ 1.000, e os 15 finalistas ganharam a viagem.

"Todas as empresas deveriam otimizar o capital intelectual de que dispõem e que já está incluído na folha de pagamento", afirma Antonio Carlos Teixeira, diretor da Consultoria Pense Diferente."Assim, a organização pode agregar valor ao processo e ao produto, além de motivar o colaborador", assegura Ricardo Farah, professor do Ibmec.

A política de ouvir os empregados é uma prática antiga nas empresas que valorizam as sugestões internas. "A grande novidade é estruturar programas formais para oficializar o reconhecimento das boas idéias e estabelecer critérios objetivos de premiação", destaca Carlo Hauschild, diretor da consultoria Hewitt Associates.

Há um ano e meio, a Nokia implementou na fábrica em Manaus um programa de melhoria contínua, no qual os 3.200 colaboradores têm um papel-chave.
O desafio é trazer inovações com os recursos já disponíveis, dentro de normas como qualidade, custo, necessidades do cliente, segurança, ambiente e motivação.

"O que temos não é um programa de sugestões, mas de implementação de idéias", diz o chefe de qualidade, Marcos Nunes.

A fábrica utiliza 40 novas sugestões por mês, encaminhadas por times de funcionários. No final do ano, as 12 melhores soluções são apresentadas e um júri escolhe a equipe que será brindada com uma viagem.


O último grupo vencedor da campanha da Nokia é formado por seis funcionários que propuseram alteração na lente da câmera do celular para melhorar a qualidade da foto tirada com flash."Sempre que tínhamos uma idéia, nos reuníamos, no intervalos do expediente ou fora dele", relata o engenheiro Paulo Maciel, 24, porta-voz do grupo.

Além de recompensas que materializam a vitória, como viagens, brindes e dinheiro, há também formas imateriais de bonificação. "O reconhecimento profissional por parte da chefia já é um prêmio por si só", ressalta Teixeira.
"Ser um dos finalistas trouxe a possibilidade de destacar-me na empresa", recorda Tomao. "Até recebi um telefonema do diretor-executivo parabenizando-me."

Para as empresas, mais do que efeitos imediatos, a principal vantagem é poder criar um ambiente aberto ao diálogo constante.
"O maior benefício é promover a cultura participativa, bem como comprometer o funcionário com os resultados", destaca Hauschild.

Outro aspecto está ligado à credibilidade dos programas de sugestões. Para solicitar a colaboração dos empregados, a companhia tem de estar madura para receber as idéias, avaliá-las, dar um "feedback" para o mentor e, se aprovadas, levá-las a cabo."Caso contrário, cria-se um clima desmotivador e as promessas tornam-se vazias", alerta Farah.

(Folha de S.Paulo – 06/02/06)

   
 
 

 

 

 

 

 

 

Profissionais "de fora" são contemplados

Prêmios atrativos e a possibilidade de comercializar uma idéia são os principais fatores que motivam profissionais sem nenhuma relação com as empresas a parti-ciparem de suas campanhas.

Apostando no seu potencial como analista de sistemas, Igor Medeiros, 25, inscreveu um projeto de entretenimento para telefonia móvel no concurso da multinacional Axalto. "Eu sentia que o concurso me traria reconhecimento no mercado de trabalho, em microinformática", conta.

Sua intuição não falhou. A proposta, que consiste num jogo de luta entre robôs para celulares, já chegou à semifinal e está atualmente em teste. "Foi um salto na carreira. Agora quero vender a idéia para uma operadora", diz.

Embora não se trate de uma promessa, existe ainda a possibilidade de a empresa contratar concursantes. "Em edições anteriores, alguns mentores de boas idéias vieram trabalhar conosco", comenta Antonio Pinheiro, 37, coordenador da área de comunicação e marketing da Axalto.

O desejo de dar visibilidade a projetos também está presente entre pesquisadores e alunos universitários. Foram eles o público-alvo do 1º Prêmio Werner von Siemens de Inovação Tecnológica, organizado pela Siemens.
"Nas universidades, encontramos estudos de base que podem culminar numa futura utilização pelo mercado", explica o diretor de gestão de tecnologia da Siemens, Ronald Dauscha.

Foi a possibilidade de fazer chegar ao público-alvo o resultado de um estudo o que motivou o pesquisador Mauro Pereira, 42, a inscrever-se no concurso. Como parte de sua tese de doutorado em engenharia eletrônica, criou um sistema sensorial para transmitir informações a deficientes visuais por meio de eletrodos.

"Vislumbrei a oportunidade de fazer parcerias com empresas para implementar a idéia", conta. "Assim, aumentaria a capacidade de movimentação dessas pessoas em espaços públicos e privados."

Pereira foi o primeiro colocado na categoria pesquisador e recebeu o prêmio de R$ 15 mil. "A bonificação me incentivou a participar da campanha, pois ajudará a cobrir os gastos para desenvolver o equipamento", ressalta.

(Folha de S.Paulo – 06/02/06)