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Revolução tecnológica muda perfil e atuação dos mídias

Com a revolução tecnológica dos últimos anos, principalmente na área de comunicação, novos canais e oportunidades de fazer contato com consumidores surgem a todo momento.

Para tirar proveito disso tudo e não ficar para trás, é preciso uma equipe de mídia dinâmica, criativa e “antenada”. Para os especialistas, aliás, essas são três características essenciais que os interessados na profissão devem ter. Atuando em sua maioria em agências de propaganda, os mídias, como são chamados esses profissionais, são responsáveis, por exemplo, por todo o planejamento estratégico de uma ação publicitária. A partir de estudos e análises técnicas eles decidem onde, quando e como determinada campanha será veiculada.

“Há cerca de dez anos trabalhávamos apenas com mídias tradicionais como jornal, rádio e televisão. Hoje temos inúmeras possibilidades de nos comunicarmos com o público-alvo. O perfil do profissional e as responsabilidades mudaram ”, afirma o professor de Mídia, das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), Douglas Miquelof.

Dentre as novidades mais significativas estão inserções mais segmentadas, por exemplo, em banheiros e aeroportos, além das plataformas digitais como sites da internet - youtube, orkut, second life -, podcasts e celulares. “Ainda que as classes A e B dominem as mídias digitais, a tendência é que a tecnologia se popularize com o passar dos anos. Esse processo já está em andamento”, afirma Miquelof.

Embora a disciplina Mídia esteja presente no curso de Publicidade e Propaganda, e também Marketing, buscar especialização na área é recomendável para quem quer entrar nesse universo. Para os interessados não faltam cursos, seminários, encontros e palestras.

“Mostramos a realidade do mercado, com exemplos e casos reais. Treinamos os estudantes desde o início dos processos, até a parte mais técnica, com o objetivo de prepará-lo”, diz o presidente do Grupo de Mídia - São Paulo, Ângelo Franzão Neto.

Muitos alunos de Comunicação querem trabalhar com criação apenas, às vezes até mesmo por desconhecerem as outras opções. “Uma das áreas que mais absorvem profissionais hoje é a de mídia”, garante Franzão Neto.

De acordo com o especialista, veículos de comunicação e os próprios anunciantes geralmente contratam mídias para relacionarem-se mais adequadamente com as agências de publicidade.

Franzão Neto afirma também que a profissão se tornou mais atraente e complexa nos últimos anos, uma vez que os canais de comunicação são alterados quase que permanentemente. “Antes o mais importante era saber negociar e entender de matemática financeira. Hoje, exige-se que o profissional domine línguas, seja bem informado, “plugado” no mercado e conheça entretenimento, esportes, tecnologia, negócios e economia.”

A planejadora de mídia da McCan Erickson, Gleydes Salvanha, atua há 13 anos na área e comprova este pensamento. Ela se formou em Publicidade, fez um curso de Matemática Financeira e, posteriormente, um MBA em Marketing. “Desde que comecei a trabalhar até hoje, tudo mudou. É um mundo novo”, revela. De acordo com ela, a função está mais valorizada e o planejamento, antes operacional, agora é estratégico.

“Temos de entender todo tipo de público e acompanhar as tendências. O comportamento do mercado mudou, as pessoas estão abertas a inovações e os mídias também precisam estar na mesma sintonia.”

A planejadora de mídia afirma que jovens entre 24 e 28 anos estão ganhando cada vez mais notoriedade e espaço na área. Isso porque pessoas nessa faixa etária aceitam melhor as novidades. “Quem trabalha com mídia não pode ter preconceitos nem descartar nenhuma idéia. Quem faz isso pode estar deixando passar uma grande oportunidade de sair na frente, quando perceber, será tarde demais”, diz Gleydes. Mesmo assim, os especialistas concordam que é importante manter um equilíbrio entre faixas etárias. “Os mais experientes conhecem o ritmo do mercado e a arte de negociar, enquanto que os jovens dominam tecnologia e têm um olhar atento quanto às novidades. Uma boa equipe certamente vai ter os doisperfis”, explica Franzão Neto.

Uma informação pode ser veiculada de diversas maneiras e servir para todas as plataformas. “A convergência das mídias não é modismo, é um fato”, declara a diretora de mídia da Young & Rubicam Luciana Schwartz.

De acordo com ela, toda ação que aproxima a mensagem do público-alvo deve ser levada em conta, mas com cuidados. “Cada mídia tem suas particularidades e a mensagem deve entrar em todas, no ambiente característico de cada uma”. O desafio é achar meios de integrar uma ação em todas as mídias de interesse do cliente. “É preciso cada vez mais criatividade para impactar as pessoas e conseguir passar a mensagem de maneira eficiente”, afirma Luciana.

(O Estado de S. Paulo)

 

 

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