Vontade de trabalhar é a principal habilidade avaliada no recrutamento

A vontade de trabalhar está entre os principais requisitos avaliados pelos selecionadores na hora da entrevista. Segundo uma pesquisa realizada pelo Datafolha, requisitos como grau de escolaridade, currículo claro e bem-feito e boa apresentação têm o grau de importância de 4,2 na entrevista.

Leia mais:

- Vontade de trabalho é o principal trunfo do iniciante
- 88% só contratam novatos que sabem usar o computador
- Para 51%, atuação social facilita busca por oportunidade
- Executivo dá conselhos a estudante

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vontade de trabalho é o principal trunfo do iniciante

Ter vontade de trabalhar é a habilidade mais valorizada no recrutamento para o primeiro emprego, revela pesquisa feita pelo Datafolha. Esse aspecto é o mais relevante para 86% das empresas na Grande São Paulo: teve nota 4,8 em uma escala de importância de um a cinco.

Em seguida, na lista de 12 requisitos pesquisados, aparecem, respectivamente, o grau de escolaridade (4,2), ter currículo claro e bem-feito (4,2), ter boa apresentação (4,1), ter conhecimentos de informática e internet (4,0), ser recomendado por alguém de confiança (4,0), ser bom aluno no colégio (3,8), ter cursos e palestras no currículo (3,3), a idade do candidato (3,2), as escolas em que estudou (3,1), ter atuado como voluntário (3,0) e, por último, dominar idiomas (2,3).

O Datafolha entrevistou responsáveis pelo setor de recursos humanos de 202 empresas de grande, médio e pequeno porte na Grande São Paulo, entre os dias 6 e 13 de março.

Entre as empresas entrevistadas, 63% dizem ter vagas para as quais os iniciantes são os melhores candidatos -nas multinacionais, o número sobe para 85%. As que dizem admitir pessoas sem experiência para o primeiro emprego são 76%, mas, no comércio, o total chega a 80%. Entre as empresas de grande porte, 95% empregam novatos; nas pequenas, 76%.

Metade das companhias disse ter contratado até cinco pessoas para o primeiro emprego em 2005, e 13%, de seis a dez. A média é de três novatos por empresa -nas grandes, fica em 53 funcionários por ano.

Entre os empregadores que dizem contratar inexperientes, 33% não o fizeram em 2005.Dos que dizem não contratar, 51% já admitiram profissionais com esse perfil antes. As principais razões para não fazê-lo mais são falta de tempo e dinheiro para treinamento (37%) e exigência de equipe experiente no ramo de atuação (34%).

(Folha de S.Paulo – 05/06/06)

 

Título estrangeiro "congela" exercício da profissão no país
"Engordar" o currículo é importante, diz maioria
Trabalhadores têm jornada acima do limite previsto na legislação
Mudança de setor privado para público requer planejamento
IBGE vê melhora no emprego
Mulheres ganhavam em média 30% menos do que os homens em 2000
Empregadores têm dificuldade em contratar profissional qualificado
PCs velhos baixam a moral no trabalho
Reserva de vagas para diversidade equilibra oportunidades
Empresas bloqueiam acesso ao Orkut
Eleição antecipa concursos
Profissional brasileiro pode ter trabalho legal nos EUA
Salário é o principal motivo de discórdia entre patrões e empregados
 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

88% só contratam novatos que sabem usar o computador

Considerado tão importante quanto ser recomendado por alguém de confiança, o domínio de informática e internet é hoje crucial para um candidato ao primeiro emprego. Pelo menos na opinião dos recrutadores ouvidos pelo Datafolha, que deram nota quatro ao quesito (numa escala de um a cinco).

Saber utilizar o computador como usuário é básico: 88% das empresas consideram isso "importante" ou "muito importante" e só 2% dizem que a habilidade é "pouco ou nada importante". O candidato que conhecer programas específicos, porém, terá um bom diferencial.

"Os currículos dos novatos são muito parecidos, por isso é fundamental se diferenciar", ressalta Maria Helena Monteiro, responsável pela área de RH da seguradora SulAmérica.

Word, citado em 62% das respostas ao Datafolha, e Excel, mencionado por 61%, são os programas mais valorizados no currículo do iniciante. O pacote Office é importante para 12% dos pesquisados. "O Office, hoje, é pré-requisito, assim como o Excel para o setor financeiro", avalia Renata Perrone, consultora da Manager.

No "ranking" dos conhecimentos de informática mais valorizados pelas empresas, traçado pelo Datafolha, aparecem com destaque também o Windows (26%) e a internet (14%). O Linux, ainda pouco conhecido, teve 3% das citações.
Assim como no caso dos idiomas estrangeiros, ter apenas familiaridade com o uso dos recursos de informática já não é mais suficiente ao profissional moderno. Segundo os especialistas, é aconselhável que os "inexperientes" busquem certificações. Dados do Datafolha revelam que 50% das companhias valorizam os certificados de cursos de informática.

Reconhecida internacionalmente como prova de conhecimento prático dos aplicativos do pacote Office, a MOS (Microsoft Office Specialist) é uma das certificações mais atrativas, já que atesta habilidade no uso de ferramentas úteis em várias áreas profissionais.

Para obter a certificação MOS, é preciso ser aprovado em pelo menos um dos exames. As provas são individuais, ou seja, específicas para Word, Excel, Outlook Express, Power Point e Access. Há quatro centros credenciados a aplicá-las no Estado: Data Byte, Senac e USP (capital); e Colégio Afonso Pena (Santos). Seu custo varia de R$ 80 a R$ 120 (o Senac negocia uma redução no valor).

"A busca por cursos preparatórios para as certificações é enorme nas escolas", declara Richard Martelli, coordenador da área de tecnologia da informação do Senac.

Para sair do "bê-á-bá", no entanto, é bom não parar por aí. Já há empresas procurando profissionais com conhecimentos em software livre (Linux, Apache etc.), já que, migrando para essas plataformas, as companhias conseguem redução de custos. Existem cursos e certificações também para esse tipo de programa.

Com o certificado na mão, no entanto, o problema não termina. É preciso estar atento às novidades. O pacote Office, por exemplo, já tem a versão Office 12, e as escolas de informática estão correndo contra o relógio a fim de atualizar seus cursos.

(Folha de S.Paulo – 05/06/06)

 
 

Para 51%, atuação social facilita busca por oportunidade

Para 51% das empresas, um candidato inexperiente que tenha trabalhado em projetos sociais, sem salário, tem mais chances de ser efetivado.
Respeito, credibilidade e responsabilidade são valores atribuídos a quem já exerceu trabalho voluntário, atividade em que alguém doa seu tempo e seu talento sem remuneração.

Para Luiz Carlos Merege, coordenador do Cets (Centro de Estudos do Terceiro Setor), da FGV-Eaesp (Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas), está aumentando a consciência de que o voluntário adquire características humanas importantes no trabalho."[A pessoa] aprende a ter respeito, a ser justo, a tratar todos como iguais. A competição cede lugar ao coletivo. É outra percepção do mundo", diz.

Para a consultora de responsabilidade social Ruth Goldberg, professora do Ceats (Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor), da FIA (Fundação Instituto de Administração), voluntários são bem-vistos porque desenvolvem espírito de cooperação, aprendem a lidar com recursos escassos, têm desempenho mais qualificado e são preparados para enxergar problemas de forma sistêmica.

O trabalho voluntário pode trazer outro benefício: contatos com pessoas da área em que se quer trabalhar. "São portas para um emprego", diz Merege.
Em geral, o empregador prefere quando a atividade tem a ver com a função que o candidato quer desempenhar.

A experiência é especialmente valorizada no comércio, setor em que 76% dizem que o voluntariado social aumenta as chances do candidato. "Nosso negócio é gente. O voluntário vê a faceta de servir ao próximo, é solícito e compreende as necessidades de cada cliente", elogia Anísia Sokei, gerente de RH da Camicado. "A prática está começando a ser solicitada. Não é um fator decisório, mas é bem-visto", diz Clarice Costa, gerente-geral de RH da Renner.

Segundo pesquisa da Ipsos Marplan feita entre janeiro e dezembro do ano passado, 6% dos jovens de 15 a 19 anos (6.481 entrevistados) e 7% dos que têm entre 20 e 24 anos (6.392 entrevistados) atuam como voluntários. "Os jovens têm refletido sobre isso", comenta Paulo Cidade, diretor de planejamento da Ipsos Public Affairs.

"No voluntariado, é possível descobrir talentos e potencial", prevê Golberg. Mas a atividade precisa ser levada a sério. "Deve ser uma ação responsável, há compromisso com o outro."

Fora do mundo do voluntariado social, ter trabalhado sem remuneração em uma empresa para aprender e adquirir experiência aumenta a chance de contratação na opinião de 68% das empresas entrevistadas pelo Datafolha. A maioria (52%), porém, diz que o candidato que se oferece a elas para trabalhar de graça não tem chance maior na seleção para a vaga.

Cristina Bonini, diretora de RH da KPMG, conta que dois universitários pediram recentemente para estagiar de graça na empresa -a idéia era usar a experiência no trabalho de conclusão de curso. "É complicado por causa da legislação", diz.
O risco é o de que, depois, seja reconhecido pela Justiça o vínculo empregatício. No caso, a solução para permitir o estágio foi um contrato detalhado.

(Folha de S.Paulo – 05/06/06)

 

 
 

Executivo dá conselhos a estudante

"Busque os contatos adquiridos no voluntariado. Eles sabem que você ainda não tem experiência, mas que tem potencial", disse Kurt Kaninski, 45, a Taís Cohn, 22, em encontro promovido pela Folha.

Ela, estudante de arquitetura, foi voluntária na área de acessibilidade e, agora, busca uma vaga em que possa colocar em prática o que aprendeu. "O diferencial de ter sido voluntária vai ser aproveitado, mas você também precisa ser visível", aconselhou Kaninski.

Ele, engenheiro elétrico, fala com conhecimento da causa -conseguiu o primeiro e o segundo emprego via um estágio não-remunerado que fez. Hoje, é diretor da St. Jude Medical, que produz equipamentos médicos.

(Folha de S.Paulo – 05/06/06)