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Embraer faz parcerias para formar engenheiros
Depois de ter
tido até que recrutar engenheiros russos no ano passado para
suprir a falta de mão-de-obra especializada na área
de engenharia, a Embraer decidiu agora buscar parcerias com universidades
para formar um novo quadro de profissionais. Com encomendas de aeronaves
fechadas até 2006 e quinze projetos diferentes em andamento,
a empresa estima que precisará contratar nos próximos
quatro anos, pelo menos, 1400 engenheiros.
A vocação
da Embraer vem mudando ao longo dos anos. A empresa está
se dedicando cada vez mais ao desenvolvimento de novos produtos.
Por esta razão, a participação dos engenheiros
em seu quadro vem subindo. A companhia emprega hoje 11.876 pessoas.
"Antes os engenheiros representavam 20% do nosso efetivo, agora
eles chegam a 40%", explica o vice-presidente de qualidade
corporativa e organização, Luiz Cláudio Ferraz.
A intenção no momento também é mandar
de volta para casa os 150 engenheiros do Leste Europeu que vieram
para o Brasil em 2001, assim que seus contratos terminarem. "Queremos
regionalizar a nossa mão-se-obra", diz.
O primeiro passo
dado pela Embraer para conseguir atingir essa meta, uma vez que
o país forma pouquíssimos engenheiros qualificados
em aeronáutica, foi a criação em 2001 do Programa
de Especialização em Engenharia (PEE). Em julho passado,
ele formou a primeira turma com 165 profissionais, que seguiram
direto para o trabalho nas instalações da empresa
em São José dos Campos, no interior de São
Paulo.
Para dar início
ao PEE, a empresa investiu US$ 1 milhão e para mantê-lo
desembolsará por ano US$ 3,2 milhões, diz Ferraz.
Este ano o programa entrou em uma nova fase. Os 240 engenheiros
selecionados em universidades de todo o país, agora sairão
do curso da Embraer com o título de mestrado profissionalizante,
por conta de uma parceria firmada com o Instituto Tecnológico
de Aeronáutica (ITA).
O curso é
"stricto sensu" , exige a apresentação de
tese na sua conclusão e dedicação total dos
alunos. "Ele é bem focado nos processos de inovação
tecnológica de interesse da companhia", explica Luiz
Carlos Goes, coordenador de pós-graduação em
engenharia aeronáutica e mecânica do ITA.
Ao longo do
curso, os alunos formam pequenas empresas que irão competir
entre si. "Eles desenvolverão projetos novos e até
aeronaves", conta Sidney Nogueira, coordenador do PEE. "A
empresa precisará de profissionais que atuem em áreas
diferenciadas".
A intenção
é que esse curso, que tem a duração de 18 meses,
a partir de 2003, passe a ser realizado também dentro das
universidades. "Os primeiros seis meses seriam feitos nas próprias
escolas em várias cidades brasileiras", diz Nogueira.
Atualmente, ele é dado na unidade da Embraer, Eugênio
de Melo, em São José dos Campos.
Além
da parceria com o ITA, a Embraer já firmou este ano acordos
com a Unicamp, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade
Federal do Paraná (UFPR) e Universidade Federal de Santa
Catarina (UFSC). Também estão em vias de se tornarem
parceiras, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte e a PUC
do Rio de Janeiro.
A intenção,
segundo o reitor da Unicamp, Carlos Henrique de Brito Cruz é
que esse estreitamento das relações com a Embraer
propicie ainda a criação de novas disciplinas voltadas
para o setor aeronáutico, que seriam incorporadas aos cursos
de engenharia que as universidades já oferecem. "No
caso da Unicamp, por exemplo, temos seis modalidades diferentes",
diz. A Unicamp forma 420 engenheiros por ano.
A falta de mão-de-obra
especializada enfrentada pela Embraer deve-se muito ao fato de existirem
apenas três cursos específicos para a formação
de engenheiros aeronáuticos. O mais tradicional, o de graduação
do ITA, forma 120 profissionais ao ano. Destes, muitos acabam migrando
para outras áreas da indústria atraídos por
melhores salários. Os 60 alunos de mestrado e 20 de doutorado,
também preferem a área acadêmica e acabam se
tornando pesquisadores aeroespaciais. Já na Universidade
Federal de Minas Gerais (UFMG) e na Universidade de São Carlos,
a modalidade aeronáutica aparece apenas como uma especialização
da faculdade mecatrônica.
O coordenador
do programa de pós-graduação em engenharia
mecânica da UFSC, José Antonio Bellini, lembra que
a fabricação de aviões implica na utilização
de soluções de várias áreas da engenharia.
Para o estudante de mecânica, por exemplo, a oportunidade
de atuar na Embraer é bastante valorizada, "afinal,
todo mundo nesse curso tem o sonho de fabricar carros de corrida
ou aviões".
(Valor -
07/08/02)
Estudantes fascinados pela construção de aviões
buscam experiência prática
A paraibana
Iluska Ferreira Maribondo, 22 anos, é uma entusiasta quando
o assunto é avião. Desde pequena, se interessava por
aeronaves e cálculos matemáticos. Quando decidiu fazer
o curso de engenharia mecânica na Universidade Federal da
Paraíba (UFPB), onde foi a única mulher de sua turma,
já tinha em mente realizar um mestrado na área de
aeronáutica. "Acho o avião um produto poético
dentro da engenharia", diz.
Este ano, ela
ficou entre os 240 recém-formados selecionados para participar
da segunda etapa do Programa de Especialização em
Engenharia (PEE) da Embraer, feito em parceria com o ITA, o mestrado
profissionalizante.
Para chegar
lá, Iluska enfrentou a concorrência de 9 mil candidatos
de 11 estados brasileiros. Quando decidiu tentar a sorte na Embraer,
ela já havia desistido de fazer o mestrado no ITA. "Preferi
esse porque é menos acadêmico e mais voltado para o
lado prático", conta.
Já na
prova de admissão, ela se convenceu de que tinha feito a
escolha certa. "Ela era muito menos técnica e muito
mais voltada para o raciocínio lógico, um tipo de
abordagem bem diferente dos cursos mais tradicionais", explica.
Iluska já
sabe que saindo do curso, que é período integral,
das 7h20 até às 17 horas, e pelo qual recebe uma bolsa
de estudos, irá trabalhar na área de controle e automação
da companhia. "Estarei dentro do setor de aerodinâmica
que é o que eu mais gosto", comemora.
Na mesma turma
de Iluska está o carioca Mozart da Costa Pinto, de 27 anos.
Formado em engenharia mecânica pela UFRJ, por pouco ele não
seguiu carreira na indústria petroquímica onde estava
estagiando. "Quando soube do curso na Embraer mudei de idéia
na hora", conta. "Acho a indústria aeronáutica
muito mais fascinante".
(Valor -
0708/02)
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