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Elas
estudam mais, mas ganham muito menos
Apesar de as
mulheres já serem maioria nas universidades, elas continuam
em segundo plano nas empresas. Pesquisa do Instituto Ethos mostra
que a presença de mulheres nas empresas ainda é reduzida,
se comparada à sua participação na sociedade
brasileira.
Leia
mais:
Mulheres
são 55,5% da força de trabalho
A Fundação Seade divulgou um estudo que mostra um
recorde na taxa de participação feminina no mercado
de trabalho na Grande São Paulo: em 2004 chegou a 55,5%,
ante 55,1% de 2003.
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mais:
Elas estudam mais, mas ganham muito menos
A igualdade entre os sexos já é considerada tão
importante que está entre as oito metas do milênio
estabelecidas pela ONU (Organização das Nações
Unidas) para melhorar as condições de vida dos povos,
ao lado da erradicação da pobreza e da fome e da universalização
do ensino básico.
Mas, pelo menos no mercado de trabalho, esse ideal ainda está
distante. Apesar de as mulheres já serem maioria nas universidades,
elas continuam em posições de segundo plano nas empresas.
Em 2002, matricularam-se no ensino superior 1.966.283 mulheres
e 1.513.630 homens, segundo o Ministério da Educação.
Concluíram o curso 15% delas e 11% deles. A vantagem numérica
é expressiva, mas as mulheres ainda ocupam cargos de menor
importância e ganham menos, como revela a pesquisa "Perfil
Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil
e Suas Ações Afirmativas", do Instituto Ethos.
Feito em 2003, o estudo constatou que a presença de mulheres
nas empresas ainda é reduzida, se comparada à sua
participação na sociedade brasileira (50,8% de mulheres
contra 49,2% de homens). Além disso, só 9% dos profissionais
em nível de diretoria são mulheres. O percentual aumenta
à medida que diminui a escala hierárquica: as mulheres
formam 28% do nível de supervisão e 35% do quadro
funcional.
Além de sofrer muito mais para chegar ao topo, as mulheres
ainda têm de se contentar com salários menores do que
os dos homens. O rendimento médio mensal da população
feminina ocupada com 11 anos ou mais de estudo equivale a 57,1%
do salário médio de homens nas mesmas condições,
de acordo com o IBGE.
Para a física, escritora e editora Rose Marie Muraro, não
há o que temer: a mulher tende a subir na hierarquia. Autora
do livro "Os Seis Meses em que fui Homem" (ed. Rosa dos
Tempos), ela diz que as mulheres estão começando a
quebrar o "teto de vidro" criado pelo patriarcado, que
as impede de chegar aos postos mais altos. "Hoje, nos EUA,
elas ganham 85% do que recebem os homens, e isso tende a se igualar."
Por causa da dificuldade de competir e sobreviver em ambientes
machistas, as mulheres tendem a ir para "guetos" femininos,
como as áreas de educação e saúde e
serviços domésticos. Segundo a socióloga e
pesquisadora da Fundação Carlos Chagas (FCC) Maria
Cristina Bruschini, o trabalho doméstico remunerado ainda
emprega 17% da força de trabalho feminina no Brasil.
"Se, por um lado, a partir dos anos 70 a mulher começou
a conquistar boas ocupações por causa de sua ascensão
educacional, de outro, uma grande parte ainda era submetida a ocupações
precárias e informais", afirma. As que ousam buscar
postos melhores sofrem. "A mulher é vista como a funcionária
que faltará para levar o filho ao médico."
A despeito disso, elas conquistam campos masculinos. Pelos dados
da FCC, há 14% delas
empregadas no setor formal na área de engenharia, mais de
30% na de medicina e 55% na de arquitetura.
Engrossar esses índices é um desafio especialmente
entre as mães de família. Vera Soares, coordenadora
de programas da Unifem (Fundo de Desenvolvimento das Nações
Unidas para a Mulher), cobra a adoção de políticas
públicas que ajudem a mulher a conciliar casa e trabalho.
A falta desse incentivo, diz, sobrecarrega a profissional. "Isso
cria barreiras até para o desenvolvimento do país",
raciocina
(Folha de S. Paulo 08/03/05)
Mulheres são 55,5% da força de trabalho
A Fundação Seade, da secretaria estadual
de Economia e Planejamento de São Paulo, divulgou ontem (03/08)
um estudo que mostra um recorde na taxa de participação
feminina no mercado de trabalho na Grande São Paulo: em 2004
chegou a 55,5%, ante 55,1% de 2003. A pesquisa se concentra na proporção
de mulheres com dez anos ou mais de inserção no mercado
de trabalho.
Este é
o maior patamar atingido pelas mulheres desde o início dos
levantamentos, em 1985. O destaque ficou para jovens entre 18 e
24 anos, cuja participação aumentou 2,6% e registrou
participação de 77,4%.
Apesar de tímida,
a participação das mulheres com 60 anos ou mais também
cresceu (0,7%). Ao contrário do ocorrido na maior parte da
década de 1990, o crescimento da taxa de participação
das filhas (2,5%) superou a das cônjuges (0,7%).
O dado negativo
é que o crescimento do trabalho feminino não atingiu
as mulheres negras, que mantiveram participação praticamente
estável, com crescimento de 0,2%. Para as não negras,
o crescimento foi de 0,9%.
Com relação ao atributo escolaridade, as mulheres
com ensino superior registraram aumento de participação
de 0,5%, chegando ao índice de 82.9%, enquanto a participação
das analfabetas ou com ensino fundamental incompleto caiu 3,3%,
para 36,7%.
A taxa de desemprego
registrou queda tanto para homens quanto para mulheres, mas foi
mais acentuada para mulheres. O desemprego atinge hoje 21,5% da
População Economicamente Ativa (PEA) feminina (em
2003, o índice era de 23,1%) e 16,3% da PEA masculina (17,2%
em 2003). Para as mulheres, é o índice mais baixo
desde 1999.
A proporção
de mulheres desempregados diminui para 52,9% em 2004, ante 53,1%
em 2003, mas ela permanece superior à dos homens desde o
ano 2000. Todas as faixas etárias registraram queda no desemprego,
com destaque para mulheres entre 40 e 49 anos (11,7%) e mulheres
entre 50 e 59 anos (11,9%). A taxa de desemprego diminuiu mais entre
mulheres negras (8,1%) do que entre as não negras (6,5%).
Também
caiu o desemprego para todas os níveis de escolaridade, com
exceção das mulheres com ensino superior completo,
que registraram variação negativa de 0,4%, decorrente
do aumento de sua participação no mercado de trabalho.
Porém, o tempo médio de desemprego entre mulheres
cresce para 24 meses, ante 22 meses em 2003.
(Estado de
S. Paulo - 04/03/05)
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