Recuperação da economia global deve melhorar os salários

Sinais de recuperação na economia global têm criado um cenário bastante positivo para 2005 no quesito remuneração. A melhora que já começa a ser sentida em companhias de vários países, já está significando um aumento na pressão por melhores salários.

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Recuperação da economia global deve melhorar os salários

Sinais de recuperação na economia global têm criado um cenário bastante positivo para 2005 no quesito remuneração. A melhora que já começa a ser sentida em companhias de vários países, já está significando um aumento na pressão por melhores salários. Em algumas regiões ainda existe uma forte resistência na hora de oferecer reajustes maiores do que os oferecidos em 2004. Mas, globalmente, os salários devem subir em média 1,9 pontos percentuais acima da inflação em 2005.

Essas são algumas das conclusões de um estudo mundial sobre remuneração lançado pela Mercer Human Resource Consulting, que analisou as perspectivas salariais para 2005 nas regiões da Europa, Américas, Oriente Médio/África e Ásia/Pacífico. "Mundialmente este ano tem sido bastante positivo e o cenário deve continuar assim no ano que vem", diz Ivan Farber, consultor da área Global Information Service (GIS) da Mercer.

Em dois terços (62%) dos 70 países pesquisados, incluindo Reino Unido e Estados Unidos, está previsto um aumento na remuneração entre 1 e 3 pontos percentuais acima da inflação. Os dados sobre a remuneração utilizados neste Relatório de Planejamento de Remuneração Global (Global Compensation Planning Report) da Mercer são tirados de uma ampla pesquisa realizada pela consultoria em várias empresas multinacionais. As projeções de inflação são do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

O Brasil aparece no estudo com uma previsão de reajuste para 2005 de 8,3%, isso levando em conta uma previsão de inflação média de 6,5%, o que resultará em um ganho real de 1,8% . "Isso significará a reposição de perdas salariais ocorridas em 2002 e 2003", diz Farber. Ele lembra que os sinais positivos de aquecimento da economia já estão fazendo com que muitos sindicatos busquem acordos de reajustes acima da inflação.

Um dos países que mais se destaca na pesquisa em relação à boa perspectiva de remuneração para o ano que vem é a Índia. A projeção é que lá o reajuste salarial de 11,4% fique 7,2% acima da inflação. O país deve fechar esse trimestre com um crescimento de 8% puxado pelo desenvolvimento do setor industrial. "A expansão industrial fez com que houvesse uma busca maior por talentos e a adoção de políticas de retenção nas companhias, o que está ajudando a puxar os salários para cima", diz Farber. "Existe uma grande procura por profissionais da área de marketing e vendas que têm um grande impacto nas organizações no momento em que elas precisam gerar receitas".

Na União Européia, o estudo mostra uma previsão de um aumento da remuneração média de 2,1 pontos percentuais em 2005. Os países que passaram a fazer parte da União Européia este ano foram os que apresentaram reajustes mais altos. "Para valorizar a moeda do país eles passaram a ter salários mais agressivos", explica Farber.

Já na Europa Oriental o PIB de vários países cresceu significativamente este ano, o que refletiu também numa boa perspectiva para aumentos salariais futuros. Na Lituânia e Latvia, a previsão é que ocorram aumentos significativos de 9,9% e 9,1%, respectivamente, isso com uma projeção de inflação baixa, em torno de 2,2% e 3,5%.

Nos Estados Unidos e Canadá, os aumentos devem ficar alinhados com os anos anteriores, por volta de 3,5% e 3,3%. Mas, existe a possibilidade de que a inflação aumente e atinja 3,1%. "O reaquecimento do mercado nos Estados Unidos está gerando um aumento na oferta de empregos, mas ao mesmo tempo muitas companhias estão preocupadas em manter os seus custos baixos, por esta razão estão segurando os aumentos", diz o consultor.

Apesar da guerra do Iraque, o estudo mostra que 2004 foi um ano de recuperação para a economia do Oriente Médio/África. "O comportamento das empresas em 2005 vai depender muito de como andarão as tensões políticas e o comportamento da inflação na região", diz Farber.

A Ásia que viveu momentos de estagnação econômica nos últimos anos, com exceção de países como China e Índia, voltou a crescer neste segundo semestre, o que deve ajudar também a melhorar a questão salarial da região.

No geral, segundo Farber, as perspectivas globais são positivas para 2005, principalmente, se forem observados os índices de crescimento do PIB das diversas regiões. "Em 2003, oito dos 70 países analisados apresentavam um índice de PIB negativo, em 2004 apenas a República Dominicana terá um PIB negativo de -1,2%. Para 2005, a tendência é que todos tenham índices de crescimento do PIB positivos", diz. "Em um cenário de economia crescente, os aumentos salariais são uma consequência.

(Valor – 08/12/04)

   
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