Governo aprova regulamentação

Após shows e pressão de ONGs e de atletas, o governo regulamentou na quinta-feira passada medida que obriga a contratação de adolescentes.

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     - Empresas se antecipam à lei
     - Engajamento de funcionário e convênio para aprendizagem
     - Medida ajuda a formar nova geração, diz Raí

Temporada abre oportunidades para jovens

Várias empresas ligadas a setores como entretenimento, turismo e gastronomia à procura de mão-de-obra para a alta temporada. Em boa parte dos casos, não é preciso experiência prévia, basta ter o ensino médio completo.

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Empresas se antecipam à lei

Faltam dois meses para que Danielle Barbosa, de 17 anos, aprendiz de Tecnologia da Informação do JP Morgan, e seus outros 16 colegas do Projeto Aprendiz do banco tenham o contrato de trabalho encerrado. De lá saem com carteira assinada, a experiência comprovada de um ano tão cobrada pelo mercado de trabalho e também entram na lista dos “contratáveis” pelas empresas prestadoras de serviços daquela instituição financeira.

Enquanto o término do programa – que incluiu cursos, oficinas e workshops – não vem, eles trabalham seis horas por dia, cada um tem seu tutor profissional, têm aulas de inglês, história da arte, português e história geral, em programas criados voluntariamente por funcionários do banco. À mão,contam com a ajuda de estagiários, que com eles discutem temas da atualidade, assuntos“complicados” que saem nos jornais e questões candidatas ao vestibular. Também dispõem de orientação para a carreira com a consultoria DBM.

Mesmo apreensiva com o futuro, Danielle se diz “encantada” com a oportunidade de ter participado do projeto e a certeza de, tão jovem, ter não só um currículo diferenciado mas um olhar maduro sobre o que quer da vida e da carreira. “Penso em tudo o que aprendi, que já foi muito bom, sem contar que a gente tira o pé de um mundo e bota no outro”, conta Danielle, ao dar opinião sobre a regulamentação da Lei do Aprendiz, anunciada pelo governo federal na última quinta-feira.

A instituição financeira em que ela trabalha foi uma das que não esperou o poder público disciplinar regras e, em cinco anos, foi corrigindo erros e aperfeiçoando acertos no projeto inspirado na lei para formação profissional de adolescentes. O programa começou a ser desenvolvido pelo banco em 2001. Os primeiros aprendizes (oito) foram contratados em 2002.

Quando se ouve a história dos meninos integrantes do JP Morgan compreende-se o que Danielle quer dizer ao se referir à transição entre mundos diferentes. Ela, como muitos de seus colegas, moradora de São Mateus,na zona leste, sai de casa às 6h30 da manhã para ir ao trabalho. Os jovens vêm de lá porque o banco tem parceria com a ONG CPA. Danielle enfrenta rotina de duas horas e meia de trânsito, entre ônibus e metrô, até chegar ao prédio do banco, na avenida Faria Lima, região que concentra escritórios.

Foi sob a pressão de organizações não-governamentais, atletas e artistas, que o governo federal regulamentou a Lei do Aprendiz (10.097). Mesmo sem definição, algumas organizações compraram a idéia. O JP Morgan não só ultrapassou a cota exigida, como dá remuneração maior do a lei prevê.

Nesse ano, contratou 17 aprendizes, cinco a mais do que a lei determina de acordo com a cota de 5% do total de funcionários. Comgás, Rede Sol Meliá, 3M do Brasil, Lupo S/A e Castelo Alimentos são algumas das empresas que apostam nos aprendizes.

(O Estado de S. Paulo – 05/12/05)

   

Engajamento de funcionário e convênio para aprendizagem

Não é raro encontrar em empresas com projetos de aprendizes já consolidados o engajamento de funcionários e uma parceria muito afinada com instituições de ensino e organizações não governamentais. Mas este caminho requer empenho. “Nossos funcionários montaram cursos de inglês, de comunicação, saraus, aulas de história da arte, entre tantos outros para complementar a formação dos jovens”, conta Renata Cavalcanti, coordenadora de Responsabilidade Social.

O projeto do banco já vai para a quarta turma e, segundo ela, muitos dos funcionários comprometidos na formação dos aprendizes tiveram de aprender com a nova situação, para ela delicada.“Criamos a figura do tutor e do supervisor para cada adolescente, mas eles têm de lidar com alguém que é funcionário, mas sua
prioridade é aprender, ele não é estagiário e tampouco filho.”

A executiva disse que foi possível notar nessa experiência o quanto as pessoas tendem a ser muito paternalistas, uma vez que os jovens vêm de uma realidade socialmente muito diferente. “Não é prioridade para os garotos irem à aula de golfe, mas receberem apoio, nos primeiros meses, de aproveitar bem o primeiro salário, afinal é muito comum todo mundo comprar celular com o primeiro dinheiro na mão”, exemplifica.

“Adoro dar aulas de história da arte, é um estímulo, as preparo semanas antes e cuido da teoria com cuidado”, conta a secretária do JP Morgan Marina Massaranduba, que voluntariamente dá aulas aos alunos. “Eles são realmente interessados, fazem muitas perguntas, sempre estouram o horário da aula,” conta satisfeita.

Para o gerente de Infra-Estrutura de TI, Marcus Adhmann, é compensador ver que “os jovens trazem energia e enxergam o projeto como uma oportunidade .”

“O equilíbrio entre trabalho e aprendizagem desperta no adolescente a vontade de crescer e de se aprimorar na profissão e é um caminho para aqueles que estão na marginalidade ou no mercado informal. Neste círculo, ganham as empresas, os jovens e a sociedade em geral", diz Rubens Naves, diretor presidente da Fundação Abrinq.

(O Estado de S. Paulo – 05/12/05)

   

Medida ajuda a formar nova geração, diz Raí

“A regulamentação nos dá o direito de exigir e fiscalizar, mas ainda há o muito o que fazer pela nova realidade”, afirma o craque de futebol Raí de Oliveira, presidente da Fundação Gol de Letra, que junto da Fundação Abrinq e do Instituto Ethos, puxou um movimento em prol da causa e angariou a ação voluntária de artistas e atletas.

Raí diz que a nova lei colabora na formação de uma nova geração de jovens socialmente bem preparados para o mercado de trabalho. “Entrei de cabeça na causa”, diz. “Sinto na pele, na Gol de Letra, o quanto é complicado ver os adolescentes que estão em projetos de aprendizagem abandonar cursos para ir buscar renda para ajudar em casa em subempregos, que ainda por cima atrapalham os estudos.”

(O Estado de S. Paulo – 05/12/05)

   

Temporada abre oportunidades para jovens

Jovens que queiram ter sua primeira experiência profissional e, de quebra, garantir uma renda extra durante as férias não têm do que reclamar. Há várias empresas ligadas a setores como entretenimento, turismo e gastronomia à procura de mão-de-obra para a alta temporada. E o que é melhor: em boa parte dos casos, não é preciso experiência prévia, basta ter o ensino médio completo.

A Folha consultou firmas de diversos setores e selecionou mais de 15 mil oportunidades de trabalho, sobretudo para os meses de dezembro e janeiro. Os salários divulgados variam de R$ 330 a R$ 1.500 e há vagas para temporários, estagiários e até para profissionais efetivos.

"Esses empregos podem ser uma boa chance de ingresso no mercado de trabalho ou de uma recolocação, já que existe a possibilidade de efetivação ao fim do período", afirma a gerente de recrutamento e seleção da consultoria Gelre, Gerusa Mengarda.

O setor de telemarketing é um dos que mais abrirão vagas para novos profissionais. Segundo dados da ABT (Associação Brasileira de Telemarketing), devem ser contratados 35 mil atendentes até o fim deste mês, a maioria com idade entre 18 e 25 anos.

"Cerca de 45% das vagas em empresas de call center hoje são ocupadas por profissionais que nunca tinham trabalhado antes", afirma o diretor-executivo da ABT, Carlos Umberto Allegretti.

Aos 18 anos, e com apenas três meses de trabalho, a atendente de telemarketing Rosimeire Bussola afirma que a oportunidade mudou sua vida. "Cresci muito desde que entrei na empresa. Atualmente, tenho mais desenvoltura, aprendi a ouvir e a entender o cliente", avalia Bussola.

Estreitar o relacionamento com o consumidor também é o objetivo das empresas que contratam as agências de marketing promocional e, com isso, impulsionam a abertura de outros milhares de vagas. "Todo mundo quer aparecer no Natal para alavancar as vendas. Como a oferta de produtos é muito grande, as empresas contratam promotores de vendas para intensificar a recordação da marca", afirma o vice-presidente de comunicação da Ampro (Associação de Marketing Promocional), Paulo Pérsigo.

De acordo com ele, as companhias de bebidas, alimentos, telefones celulares e bronzeadores estão entre as que mais procuram jovens promotores de vendas para que divulguem seus produtos.

As contratações aumentam 40% entre dezembro e o Carnaval, segundo o diretor de criação da agência de marketing promocional New Style, Cláudio Xavier. E, para quem desenvolve um bom trabalho, a chance de receber novas propostas é grande.

"Muitos jovens emendam um trabalho em outro durante meses, com boa remuneração", diz. A promotora de vendas Camila Borini é um exemplo. Trabalha nessa área há oito anos e garante que vagas não faltam: "O importante é buscar sempre se aperfeiçoar. Existem trabalhos para quem fala outros idiomas, faz pirofagia e dança", exemplifica.

(Folha de S. Paulo – 04/12/05)

   

 

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