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Habitação e saneamento
devem gerar 1,4 milhão de empregos
O governo federal
pretende aplicar este ano R$ 12,145 bilhões em obras de habitação
e saneamento ambiental, gerando com isso 1,4 milhão de novos
empregos em todo país.
Leia
mais:
- Habitação e saneamento devem gerar
1,4 milhão de empregos, promete Dutra
- Wagner crê em 2 milhões de postos
Habitação e saneamento devem gerar 1,4 milhão
de empregos, promete Dutra
O governo federal
pretende aplicar este ano R$ 12,145 bilhões em obras de habitação
e saneamento ambiental, gerando com isso 1,4 milhão de novos
empregos no país. Fixados como meta pelo Ministério
das Cidades, os números foram anunciados ontem pelo ministro
da pasta, Olívio Dutra, e já são um desdobramento
da maior mobilização pedida pelo presidente Luiz Inácio
Lula da Silva em torno da retomada do crescimento econômico
e da geração de empregos em 2004.
As cifras incluem
tanto recursos do Orçamento Geral da União quanto
empréstimos de fundos e bancos administrados pelo governo
federal. Do total, a disponibilidade maior é para o setor
de habitação, onde devem ser aplicados cerca de R$
7,449 bilhões, R$ 654,6 milhões dos quais do orçamento
e, portanto, a fundo perdido. Para saneamento, o ministério
estabeleceu como meta a aplicação de R$ 4,696 bilhões,
R$ 1,296 bilhão dos quais só do orçamento.
O cumprimento
integral das metas poderá exigir, ao longo do ano, aprovação,
pelo Conselho Monetário Nacional, de novos limites de concessão
de crédito bancário a Estados e Municípios,
reconheceu o ministro.Isso porque boa parte da quantia anunciada
por ele refere-se a linhas de financiamento da Caixa Econômica
Federal e do BNDES com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de
Serviço (FGTS), do Fundo de Amparo ao Trabalhador e ainda
com recursos próprios.
Segundo o ministro,
a possibilidade de abertura de novos limites de contratação
ainda em 2004 existe e já é objeto de discussão
com a área econômica. Sob este ponto de vista, o cumprimento
de metas de financiamento à habitação não
preocupa. Nesta área, grande parte do crédito destina-se
ao setor privado, principalmente pessoas físicas, casos em
que a concessão não está sujeita às
restrições impostas pelo CMN ao endividamento do setor
público. A preocupação é viabilizar
empréstimos para obras de saneamento, cujos tomadores são,
na grande maioria, públicos (companhias estatais de água
e esgoto ou diretamente as administrações estaduais
e municipais).
Em dezembro
do ano passado, por reivindicação do Ministério
das Cidades, o CMN abriu um limite de R$ 2,9 bilhões para
contratação de novas operações de crédito
bancário por Estados e Municípios especificamente
para financiar obras de saneamento ambiental. Mas parte dele - R$
1,04 bilhão aproximadamente - já foi ocupada por operações
contratadas ao final de 2003, informou o secretário nacional
de Saneamento do ministério, Abelardo de Oliveira Filho.
O limite disponível
para novas contratações, portanto, é atualmente
de R$ 1,86 bilhão. Incluindo os da Caixa/FGTS (R$ 1,8 bilhão)
e os do BNDES (R$ 1,6 bilhão), o volume de crédito
federal para financiar saneamento em 2004 chega a R$ 3,4 bilhões.
Uma parte dos recursos do FGTS (R$ 360 milhões) está
reservada a companhias privadas de água e esgoto. Supondo
que haja demanda privada suficiente, sobrariam para Estados e Municípios
R$ 3,04 bilhões, ainda assim, mais do que o limite imposto
pelo CMN permite ao setor público tomar atualmente. Na hipótese
de não haver demanda privada adicional para consumir os recursos,
o CMN teria que abrir um limite extra de R$ 1,18 bilhão para
contratações do setor público, se quisesse
viabilizar a aplicação integral dos recursos anunciada
para saneamento em 2004.
O tamanho do
possível novo limite a ser aberto pelo CMN vai depender de
muitos fatores. Um deles é a demanda de companhias privadas.
Outro é o comportamento da economia e das finanças
do setor público, uma vez que os investimentos em saneamento
representam gastos primários e afetam as metas fiscais.
Tanto o ministro
quanto o secretário manifestaram convicção
de que os obstáculos à aplicação integral
dos recursos em 2004 serão superados, até porque essa
é a orientação do presidente Lula.
(Valor Econômico
– 09/01/04)
Wagner crê em 2 milhões de postos
O ministro do
Trabalho, Jaques Wagner, estima que, este ano, serão criados
dois milhões de empregos formais se confirmada a expectativa
de crescimento de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB). "Essa
é minha estimativa, não é um compromisso",
afirmou o ministro, um dia depois da reunião da Câmara
de Política Econômica que discutiu planos para impulsionar
a geração de novas vagas no mercado de trabalho.
Depois do encontro
da Câmara, que reuniu o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva e onze ministros, o governo preferiu não divulgar
uma meta global para criação de empregos para este
ano, mas os ministérios tem metas setoriais. Só a
Agricultura, por exemplo, espera 1,3 milhão de vagas no agronegócio.
O ministério das Cidades calcula 1,4 milhão para saneamento
e habitação.
"É
óbvio que cada ministério faz estimativas para seu
setor, mas eu vou manter minha posição de dois milhões.
Acho ruim ficar quantificando e criando expectativas. Essas coisas
não são tão lineares", observou. "Primeiro,
precisamos ver se vai crescer o que se espera e depois se a relação
causa-efeito é aquela. Por isso, não digo que vamos
fazer X."
Durante a campanha
presidencial, Lula prometeu a criação de 10 mil vagas
em seu mandato. No ano passado, um milhão de vagas formais
foram abertas. O ministro calcula que se a economia crescer 3,5%
em 2005 e 2006, devem ser criados mais quatro milhões de
vagas, o que representará 70% da meta prometida por Lula.
"Se a economia pipocar mais que isso, ótimo. Se o cenário
internacional impedir o crescimento, ficaremos abaixo disso."
(Valor Econômico
– 09/01/04)
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