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Bolsa tenta minimizar desemprego
Dos 150 mil engenheiros registrados
no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea)
no estado de São Paulo, cerca de 30% estão desempregados
ou subempregados, segundo avaliação do engenheiro
Esdras Magalhães dos Santos, diretor do sindicato da categoria
no estado (Seesp) e responsável pelo programa "Engenheiro
Empreendedor".
O mercado de trabalho para esse profissional
teve mudanças significativas nos últimos anos, conforme
constatação do Seesp, que mantém, desde 1998,
a Bolsa de Empregos, em parceria com a Secretaria do Emprego e Relações
de Trabalho do Estado (Sert). "Cresceu a demanda por engenheiros
eletroeletrônicos em nosso programa. Antes, predominava a
procura por engenheiros civis e mecânicos", diz Débora
Rodrigues Lopes, psicóloga e coordenadora do programa de
empregos.
Para Débora, a virada pode ser
atribuída ao crescimento das empresas de telecomunicações
no País ou mesmo à atitude mais pró-ativa do
sindicato de buscar as vagas. "No início, as empresas
vinham até nós pela Sert. Hoje, contabilizamos 1.700
candidatos atendidos e 713 empresas cadastradas que nos procuram
em períodos distintos, algumas mais ativamente." O próximo
passo, segundo Débora, será uma ação
maior junto às empresas.
"A Bolsa de Empregos é
um serviço prestado ao engenheiro gratuitamente, desde 1998,
seja ele associado ou não", diz o presidente do Seesp,
Murilo Celso de Campos Pinheiro. A Bolsa de Empregos disponibiliza
as vagas pela Internet, no site
do sindicato.
Ao analisar as ofertas de vagas, foram constatadas certas limitações,
como sexo e idade, que deverão ser alvo de negociação
por parte do sindicato junto às empresas. "Queremos
trabalhar grupos específicos, como a profissional mulher,
o engenheiro com mais de 45 anos, que tem dificuldade na busca pelo
emprego, e o recém-formado", relata Débora.
A solução proposta pelo
sindicato, de acordo com a coordenadora, é conversar com
a empresa sobre a função e o perfil do profissional
mais adequado. "Muitas vezes as vagas são definidas
nos departamentos de recursos humanos com muitos limites. Nem sempre
haverá o engenheiro com aquela qualificação
disponível, mas haverá outro, com especialidade diferente
e mais habilitado para a função."
Das 21 empresas que disponibilizaram
35 vagas nesta semana, só três aceitam profissionais
com idade até 50 anos. A maioria coloca como limite 45 anos.
Quanto ao sexo, seis exigem homens para funções como
engenheiro eletricista. Em outra vaga, para a mesma especialidade,
não há determinação de sexo. "Não
dá para entender porque a primeira exige sexo masculino",
diz Débora.
A idade é outra limitação.
"As empresas querem profissionais preferencialmente jovens,
ou que não ultrapassem 45 anos, com experiência. E
também relutam em contratar recém-formados",
diz ela. Esse é também nosso desafio, colocar no mercado
os mais jovens".
Algumas ofertas, no entanto, valorizam
a experiência. A vaga 1307 procura professor, com idade entre
30 e 70 anos, formação em engenharia química
ou ambiental, e experiência gestão ambiental, norma
ISO 14000, como coordenador ou auditor certificado, além
de "desejável experiência em docência".
A função: acompanhar alunos em curso a distância,
corrigir tarefas, moderar fóruns de Internet.
As vagas disponíveis na Bolsa
de Empregos não identificam a empresa nem o salário,
que não pode ser abaixo do piso profissional.
(Gazeta Mercantil - 09/08/02)
Cursos ajudam a começar de novo
O contingente de engenheiros desempregados
levou o Sindicato dos Engenheiros a desenvolver o programa "Engenheiro
Empreendedor", destinado a dar formação gerencial
aos profissionais dispostos a abrir o próprio negócio.
O programa procura atender também à grande parcela
de engenheiros que contam com emprego precário - o subemprego
-, segundo o engenheiro Esdras Magalhães dos Santos.
O programa foi criado há um
ano e meio pelo Seesp, mas a idéia surgiu a partir da experiência
desenvolvida pelo sindicato depois da privatização
da Embraer, no início dos anos 90, que antecedeu a desestatização
dos setores de energia e telecomunicações, fortes
empregadores de engenheiros, afirma Esdras. "Antes ainda, acompanhamos
a extinção da Companhia Brasileira de Projetos Industriais
(Cobrapi), empresa do setor siderúrgico, no governo Collor",
lembra.
"Já nesta época,
assistimos a dispensa de engenheiros especializados, com 30 anos
de experiência e sem nenhum conhecimento de outras áreas
e de gestão", diz. No caso da Embraer, o sindicato constatou
que praticamente 80% dos engenheiros demitidos pegaram as indenizações
e montaram negócios. "Depois de um ano, a maioria estava
quebrada ou em dificuldades. Constatamos que os engenheiros eram
preparados para dar soluções mas não para gerir
o seu próprio negócio", afirma Santos, na época
presidente do sindicato.
"A alternativa foi o cooperativismo,
que viscejou, em 1994, com a criação da cooperativa
de engenheiros da Embraer, para prestar serviços de tecnologia
espacial. Estimulamos a criação de outras cinco cooperativas,
das quais três estão em funcionamento".
A partir das dificuldades apresentadas pelos profissionais, o Seesp
percebeu que precisava criar um programa voltado ao indivíduo
que quer montar o seu negócio, visando, segundo o diretor,
"não só os oriundos da privatização,
mas os egressos das mudanças estruturais de produção,
que ajudaram a aumentar o desemprego."
A grande maioria dos engenheiros que
procura o Seesp manifesta o desejo de montar o negócio próprio,
daí a idéia de abrir espaço ao empreendedorismo.
Um convênio com o Sebrae ajudou a formatar cursos e palestras,
com o objetivo de preparar os engenheiros para a gestão de
seus negócios. "Pelo programa Engenheiro Empreendedor
já passaram 6 mil engenheiros", diz Santos. Os cursos
são de curta duração - 16 e 32 horas - e focados
em temas como criatividade, negociação, montagem de
planos de negócio, administração, formação
de preços e marketing.
Além do Sebrae, o Seesp mantém
parceria com o Centro de Tecnologia da Universidade de São
Paulo (USP) que oferece cursos principalmente na área de
gestão e negociação. "Nossa opção
por cursos rápidos é para atender a própria
ansiedade de quem está desempregado ou querendo mudar de
vida", explica. Segundo ele, o indivíduo nessa situação
está com a auto-estima muito baixa e precisa encontrar outras
pessoas em situação similar. É a sensação
de compensação", conclui.
(Gazeta Mercantil - 09/08/02)
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