Firmas criam planos de carreira para área técnica
Há empresas
que romperam a barreira entre a ascensão profissional e os
cargos gerenciais. Nelas, é possível desenvolver uma
carreira em Y, em que podem ser galgados degraus em área
técnica ou administrativa.
"É
uma estratégia de retenção de especialistas,
que permite que um técnico possa ganhar mais que um diretor",
descreve Willian Bull, consultor de recursos humanos da Mercer.
Bull explica
que, em geral, trata-se de firmas cujos profissionais são
difíceis de ser encontrados no mercado de trabalho. "Eles
crescem na carreira e recebem salário maiores sem partir
para o gerencial."
Foi essa a estratégia
adotada pelo Grupo Telemar (telefonia) em outubro do ano passado.
Consultores e equipe de RH mapearam áreas estratégicas
para a empresa e desenvolveram um plano de carreira em Y.Foram criados
três níveis para o cargo de analista, além dos
postos de especialista e de consultor -o ápice da carreira.
Hoje, segundo
o gerente de planejamento de RH Marcos Aurélio Mendes, 1%
dos 7.500 funcionários são consultores.Mendes informa
que não há uma cota pré-definida para os cargos.
"O que vai definir a ascensão do profissional é
a necessidade da organização."
"Muitas
empresas não pensam em carreira em Y e "matam"
os profissionais porque eles só podem crescer em status e
em remuneração ao aceitar o cargo administrativo",
assinala o professor de recursos humanos da FGV (Fundação
Getulio Vargas) Sérgio Amad.
Apesar de já
fazer parte das políticas de RH de algumas empresas, a carreira
em Y ainda está concentrada em setores. "É mais
comum em empresas de tecnologia, software e telecomunicações",
explica Amad.
A Orbitall (processamento
de meios de pagamento) é uma das que adotaram essa estratégia
para a retenção de técnicos. "É
o colaborador que define com o gestor seu plano de carreira",
salienta a diretora- adjunta para a área de desenvolvimento
da empresa, Eliana Frade, acrescentando que a remuneração
é feita conforme a expertise do profissional.
Na empresa há
32 anos, o gerente de sistemas Carmo Luiz, 54, conhece os dois braços
da carreira em Y. Começou como encarregado e subiu para supervisor,
mas, em 1986, foi convidado a migrar para a área de desenvolvimento
de sistemas.
"Quando
estou na área técnica, tenho satisfação
em relação à parte pela qual fui responsável.
Quando vou para a gerencial, a satisfação é
pelo todo."
Há oito
anos, decidiu voltar ao cargo de gerente. Fez cursos de negociação
e gerenciamento de projetos antes de assumir. Mas diz que há
um período de adaptação. "Agora tenho
outro desafio, já que não me envolvo diretamente nos
projetos", diz.
(Folha
de S.Paulo – 07/08/06)
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