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Cresce a demanda por profissionais formados em relações
internacionais
A abertura da
economia, na década de 90, fez com que a profissionalização
na área de Relações Internacionais no Brasil
avançasse de forma significativa. Se antes havia apenas a
perspectiva voltada à formação do diplomata,
hoje o campo de atuação para esse profissional pode
se extender a câmaras de comércio, sindicatos patronais,
organizações não-governamentais, organismos
internacionais, Banco Mundial e multinacionais.
Leia
mais:
- Cresce a demanda por relações internacionais
- Cursos recém-criados na área estão
entre os mais procurados
Cresce
a demanda por relações internacionais
Com apenas 29
anos, o atual diretor de Treinamento e Desenvolvimento do Citibank
no Brasil, Juliano Marcilio, já trabalhou em Nova York, Cidade
do México e Milão. Toda essa experiência se
deu em um período de três anos. Graduado em Administração
de Empresas pela PUC (SP), Marcilio foi um dos 40 profissionais
da instituição selecionados para realizar um programa
globalizado. O Citibank vem investindo há anos em um plano
de formação internacional diferenciada para seus funcionários
com potencial de liderança.
O executivo
teve um aprendizado e tanto. "Nos Estados Unidos, percebi que
não conseguiria levar minha proposta de solução
adiante se, além de fundamentá-la em estatísticas,
não recorresse a citações de PhDs, mestres
e doutores no assunto. Como consegui a aprovação do
projeto desta forma, tentei usar a mesma teoria no México,
mas foi em vão, até que argumentei que nos EUA a tínhamos
aplicado com êxito."
Já em
Milão, não bastaram essas duas fórmulas. "Mais
uma vez, tive de me adaptar à cultura de outro país
e convencer um executivo do banco da eficácia do meu projeto.
Ele se tornou meu 'padrinho', comprou a idéia e envolveu
outros italianos. Quando reapresentei o trabalho, todos assentiram
como se tivessem ouvido a sugestão pela primeira vez."
A história
de Marcilio é um capítulo de uma movimentação
que vem enriquecendo carreiras de executivos. No Brasil, a profissionalização
no campo de Relações Internacionais avançou
de forma significativa desde a década de 90, com a abertura
da economia. Se antes havia apenas a perspectiva voltada à
formação do diplomata, hoje há um leque enorme
de atividades nas quais o "internacionalista" vem atuando:
câmaras de comércio, sindicatos patronais, organizações
não-governamentais, organismos internacionais, Banco Mundial
e multinacionais.
Na última
semana, um levantamento divulgado pelo International Survey Research,
um dos principais institutos mundiais de pesquisa, mostrou que os
funcionários das multinacionais do Brasil são os mais
dedicados, seguidos por espanhóis, alemães, canadenses,
italianos, norte-americanos e franceses.
James T. C.
Wright, diretor da Fundação Instituto de Administração
(FIA), da Universidade de São Paulo (USP), diz que o Brasil
ainda apresenta forte tendência de absorção
econômica no mercado interno mas, nos últimos anos,
muitas empresas têm se destacado também no exterior.
O executivo cita a Odebrecht, Embraer, Votorantim, Unibanco e Sadia
como modelos de gestão exportadora.
Uma pesquisa
salarial do Grupo Catho que ouviu 9.174 executivos também
dá pistas. Um total de 10,42% dos brasileiros entrevistados
viajou para o exterior para cursar mestrado; 13,49% já trabalharam
fora do País, sendo que o mais alto cargo ocupado pela maioria
(30,67%) foi de especialista, com formação universitária.
Já 66,36% dos que moraram no exterior residiram apenas em
um país.
Para Marcilio,
do Citibank, em cada cultura o planejamento das ações
é específico e exige uma interação com
seus valores. "A teoria ajuda, mas nada como vivenciar o dia-a-dia
em outros países para assimilar a sua cultura. Basta pensar
na opinião de analistas do mercado estrangeiro sobre o Brasil,
que nem sempre corresponde à nossa realidade. Quanto mais
referencial, maior a empatia."
Para o CEO (principal
executivo) de Relações com o Mercado Europeu (Managing
Director - Primary Products Europe) da inglesa Pilkington, o brasileiro
Oscar Boronat, o adjetivo "global" reflete mais um modismo
do que uma mudança de atitude de executivos que sempre foram
bem-sucedidos. Há um ano na Inglaterra, Boronat, que fala
mais de cinco línguas, considera que o perfil do executivo
brasileiro é muito apreciado no exterior por seu raciocínio
rápido, análise aguçada, mobilidade e autonomia
acima da média.
(O Estado
de S. Paulo - 09/09/02)
Cursos recém-criados na área estão entre os
mais procurados
Para responder
à crescente procura por profissionais especializados em relações
internacionais, as escolas brasileiras têm desenvolvido cursos
voltados para esta área. A Pontíficia Universidade
Católica de São Paulo (PUC/SP) criou um curso em 1995.
Hoje, é o quarto mais procurado da universidade em número
absoluto de candidatos inscritos no vestibular, superado apenas
pelos tradicionais medicina, direito e administração.
O bacharelado
em relações internacionais da Faculdade de Economia
e Administração da Universidade de São Paulo
(FEA/USP) teve início este ano e seu reconhecimento deverá
ser solicitado ao Conselho Estadual de Educação, dois
anos antes da formatura da primeira turma, ou seja, até o
fim de 2003.
O número
de pontos dos convocados para a 2.ª fase do vestibular de 2002
foi 103, com relação de candidato vaga de 52,05. Com
duração de quatro anos, o curso é desenvolvido
em uma das três áreas que formam o tronco básico:
direito, ciência política e economia. A diretora da
entidade, Maria Tereza Leme Fleury, analisa que uma boa formação
em relações internacionais é necessariamente
multidisciplinar, exige sólidos conhecimentos de ciência
política, direito, economia e história, e também
requer bom domínio de geografia e de línguas estrangeiras.
Ela destaca que "para ser cidadão do mundo, antes é
necessário ser cidadão do próprio país".
A maioria desses
centros de estudos, inclusive a Fundação Getúlio
Vargas (FGV-EASP), além de criar oportunidades no exterior
para seus alunos e professores, busca atrair o interesse de estrangeiros
pelo Brasil. Desde 1991, através do programa OneMBA da FGV-EASP,
mais de 300 alunos e 30 professores da entidade participaram do
intercâmbio cultural entre quatro institutos internacionais.
Segundo a responsável
pelo Departamento de Relações Internacionais da FGV-EASP,
a norte-americana Vicki Jones, em Washington, D.C., os alunos do
OneMBA iniciam os contatos de governança globalizada, pela
presença maciça de multinacionais nos EUA; na Chinese
University de Hong Kong (China), captam a tecnologia de um mercado
financeiro de última geração; na Erasmus University
Rotterdam School of Management, em Roterdã (Holanda), os
participantes assimilam logística e administração
da cadeia de suprimentos no maior porto comercial do mundo; na Monterrey
Tech Graduate of Bussiness Administration and Leadership, no México,
e na instituição brasileira aprendem a sobreviver
em ambientes de incerteza. "Em meio a turbulências, o
México associou-se ao Nafta e o Brasil lidera o Mercosul",
analisa Vicki.
(O Estado
de S. Paulo - 09/09/02)
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