Trabalho informal resiste à retomada da economia

A retomada da economia brasileira não alterou a informalidade estruturada no país, que hoje atinge de 35% a 40% da renda nacional.

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Com 1/3 da renda do País, setor informal resiste à retomada

A retomada da economia brasileira não alterou a informalidade estruturada no país, que hoje atinge de 35% a 40% da renda nacional, como estimam o Banco Mundial e o governo federal. Emprego, arrecadação de impostos e contribuição à Previdência subiram em 2004 - sinal de que a informalidade perdeu força no mercado de trabalho.

Mas o contrabando, a pirataria e a sonegação fiscal, que também compõem a economia informal, não param de crescer, segundo empresários e especialistas. Eles consideram que essa é uma tendência mundial até para enfrentar a forte concorrência com a China.

"Quando a economia cresce, melhora o mercado de trabalho formal, como vimos no ano passado, com o aumento da contratação com carteira assinada. Mas a informalidade é uma tendência mundial que faz parte da lógica de produção. Além do mais, a concorrência com a China não é nada fácil", diz Gilberto Dupas, coordenador-geral do Grupo de Conjuntura Internacional da USP.

Pesquisa do Banco Mundial com 133 países mostra o Brasil no 9º lugar do ranking da informalidade -a economia não-declarada no país representa 39,8% da renda nacional bruta. Está acima da média dos países -32,5%.

O fenômeno se manifesta de várias formas em diferentes setores, segundo estudo da McKinsey & Company: contratação irregular de trabalhadores, compra e venda de produtos sem nota, falsificação de mercadorias, violação de direitos autorais, adulteração de produtos e sonegação fiscal.

A indústria têxtil brasileira é uma das mais atingidas pela informalidade. O setor fatura cerca de US$ 13 bilhões por ano. Outros US$ 5,2 bilhões são movimentados anualmente na economia paralela, segundo a Abravest, associação que reúne as confecções.

As fábricas de roupas chegaram a faturar US$ 20 bilhões nos anos 80. "A informalidade tomou conta do setor", afirma Roberto Chadad, presidente da associação.

Empresários do Brás, zona leste de São Paulo, onde estão cerca de 6.000 confecções, admitiram à Folha que não pagam integralmente os impostos nem contratam com registro. Se obedecem a lei, fecham as portas, afirmam.

(Folha de S. Paulo – 10/01/05)

   
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