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Novo
teto fixado pelo STF elevará salários de 42 mil servidores
Ao invés
de reduzir despesas, a aplicação do novo teto salarial
definido pelo Supremo Tribunal Federal em R$ 19.115,19 provocará
um aumento nos gastos do governo com a folha de pagamento dos servidores
civis ativos e inativos do Executivo federal.
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Novo teto fixado pelo STF elevará salários de 42 mil
servidores
Em vez de reduzir
despesas, a aplicação do novo teto salarial definido
pelo Supremo Tribunal Federal em R$ 19.115,19 provocará um
aumento nos gastos do governo com a folha de pagamento dos servidores
civis ativos e inativos do Executivo federal. O impacto será
de R$ 107,1 milhões por ano.
A folha do Executivo
federal, contabilizando só civis, foi de R$ 43,7 bilhões
no ano passado. São cerca de 1,1 milhão entre servidores
ativos, inativos e aposentados.
Segundo dados
da Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento,
41.956 servidores ativos, aposentados e pensionistas do Executivo
terão aumento com o novo teto. Até agora, a maior
parte deles tinha os ganhos limitados a R$ 8.362,80, valor do antigo
teto e que equivale a 90% do salário de ministro de Estado.
A reforma da
Previdência, porém, criou uma nova regra para o teto
salarial. A emenda constitucional, que entrou em vigor em 31 de
dezembro último, fixa como teto o salário de ministro
do STF.
O governo tinha
dúvidas sobre o valor. A previsão era que o teto fosse
de R$ 17.344. Mas, como três ministros do Supremo recebem
jeton por atuar no Tribunal Superior Eleitoral, o STF decidiu estabelecer
como teto R$ 19.115,19. Esse limite será adotado até
que o Supremo envie projeto de lei ao Congresso definindo outro
valor.
Segundo a secretaria,
o novo teto terá efeito redutor nos salários de só
223 servidores ativos, inativos e pensionistas do Executivo, que
ganham acima de R$ 19.115,19 e deverão ter os salários
cortados. Isso gerará uma economia de cerca de R$ 23 milhões
ao ano. O valor já está descontado do aumento de despesas
com a elevação de salários, que teria isoladamente
um impacto de R$ 130 milhões.
O diretor de
programas da secretaria, Wladimir Nepomuceno, diz que tanto o corte
nos salários quanto o aumento nas quase 42 mil remunerações
serão retroativos a janeiro. Acrescenta que, embora os servidores
ativos e inativos com ganhos acima do antigo teto fossem sujeitos
ao limite, muitos obtiveram liminar na Justiça e já
vinham recebendo a mais.
O governo gasta
por ano R$ 83,7 bilhões com os servidores, entre Executivo,
Judiciário e Legislativo. Cada Poder faz seu cálculo
do impacto do novo teto. O Judiciário e o Legislativo ainda
avaliam.
O governo deverá
ter dificuldades para aplicar o novo teto, pois a decisão
do STF abre várias brechas jurídicas. O presidente
do Supremo, Maurício Corrêa, disse que o teto poderá
ainda incluir o salário dos ministros que dão aulas
em universidades públicas.
O STF também
tende a assegurar o direito adquirido dos que ganham acima do novo
valor. O governo tentou se prevenir contra isso e incluiu na reforma
da Previdência artigo dizendo que não há direito
adquirido sobre o teto.
(Folha de
S. Paulo – 10/02/04)
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