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Selo de qualidade para gente também
Uma demanda das empresas
de ponta, acompanhada pelo governo federal, está virando
moda no mercado de trabalho brasileiro: a certificação
profissional. O requisito exige que o trabalhador faça provas
escrita e prática para comprovar habilidades e obter o certificado,
uma espécie de selo de qualidade. Com isso, ele aumenta suas
chances de conseguir uma vaga, principalmente quando exerce uma
atividade que aprendeu sozinho e da qual, portanto, não tem
diploma.
Petrobras, Embraer, Vale
do Rio Doce e Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST)
estão entre as empresas pioneiras no ramo. Fazem seus funcionários
passarem pela certificação, assim como CSN, Aracruz,
Braskem e Samarco. O que, aliás, está gerando uma
massificação do processo: as empresas terceirizadas
que prestam serviços a essas companhias são obrigadas
a fazer o mesmo. O governo federal entrou no filão e já
tem projeto-piloto de treinamento em São Paulo, em parceria
com serviços nacionais de aprendizagem.
Os convênios federais
integram a nova política pública desenhada para o
segmento, que será implementada por decreto presidencial
nos próximos meses: será criado o Sistema Nacional
de Certificação Profissional, que fixará as
novas regras, normas e requisitos de cada uma das atividades profissionais
existentes no país (elas serão recatalogadas). Além
disso, será feito um cadastramento das entidades certificadoras
e criada uma comissão nacional de certificação
de caráter tripartite (governo, empresários e trabalhadores).
O coordenador-geral de
Certificação do Senai, Paulo Rech, explica que a certificação
faz parte das regras da União Européia e está
ganhando força no Brasil. Ou seja, para as empresas exportadoras,
o selo de qualidade é fundamental. Este ano, as prestadoras
de serviços para grandes estatais investirão R$ 2
milhões em laboratórios para testar e oferecer diploma
a cinco mil trabalhadores. O ganho para as empresas com aumento
de produtividade e redução de custos também
é grande, diz Rech.
(O Globo
– 07/02/06)
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Empresas fazem parceria com certificadoras
Gigantes como
Petrobras, Vale do Rio Doce, CST e Embraer já vêm desenvolvendo
programas em parceria com o Senai e a Associação Brasileira
de Manutenção (Abramam), entidade certificadora. A
Petrobras conta hoje com quatro escolas-móveis, com examinadores,
oficinas e laboratórios. A estrutura percorre as unidades
da empresa em todo o país, tendo como alvo eletricistas,
caldereiros, mecânicos, encanadores e instrumentistas, além
de hotelaria marítima (cozinheiros, taifeiros e recepcionistas).
O certificado vale por dois anos, e os reprovados podem ser reavaliados
a cada seis meses.
Segundo Carlos
Artur Arêas, coordenador de Qualificação Profissional
do Cefet de Campos/ Macaé, entidade conveniada a Petrobras,
a média mensal de certificados subiu de dez, em junho de
2004, para 90. Em menos de dois anos, o centro conferiu o diploma
a 900 técnicos, com investimentos de R$ 500 mil das empresas
que prestam serviço à estatal. A receita do Cefet
com o processo chega a R$ 50 mil por mês.
Já a
CST investiu R$ 300 mil para construir, em parceria com o Senai
e a Abramam, o Centro de Exames de Qualificação de
Inspetores de Manutenção Elétrica, que ficou
pronto em agosto de 2005. A siderúrgica inaugura nos próximos
meses duas outras unidades para mecânico lubrificador e inspeção
de manutenção mecânica. Desta vez, numa ação
conjunta entre Petrobras, Aracruz, Companhia Vale do Rio Doce e
Samarco.
Na Vale, um
projeto pretende certificar este ano 600 trabalhadores, entre mecânicos
de manutenção, eletricistas e operadores de pelotização.
A iniciativa prevê a participação do Senai,
que está negociando também uma proposta da Telemar
de certificar seus funcionários.
Diante do crescimento
da demanda por parte das empresas e trabalhadores, o Senai criou
um sistema próprio de certificação, que deve
entrar em funcionamento em dois meses. Ainda neste semestre, a entidade
vai inaugurar no Rio o Centro de Tecnologia de Solda (voltado para
trabalhadores do setor de gás natural).
Com a criação
do Sistema Nacional de Certificação Profissional e
o cadastramento das entidades certificadoras, o governo pretende
aumentar o padrão de cursos de formação e a
responsabilidade das empresas com a qualificação de
seus funcionários. Pretende ainda promover a inclusão
de trabalhadores de baixa renda e que estão na informalidade,
garantindo cursos e provas de certificação gratuitos.
Para isso, o
novo marco prevê recursos público, do Fundo de Amparo
ao Trabalhador (FAT). Em 2006, o governo dispõe de R$ 1 milhão
para aplicar nos convênios, com possibilidade de elevar o
orçamento durante o ano. Os diplomas serão oferecidos
por entidades de reconhecimento nacional como Senai, Cefet, Sesi,
entre outros, com o nome do órgão federal.
O primeiro programa
está sendo desenvolvido em Diadema (SP) pelos ministérios
do Trabalho e da Educação, em parceria com a Fundação
Florestan Fernandes, para certificar 200 trabalhadores das áreas
de construção civil (servente, pedreiro e mestre de
obras) e metal-mecânica. A idéia é expandir
a experiência a todo o país e beneficiar este ano 50
mil trabalhadores de outras áreas, como turismo (garçom,
arrumadeira), autopeças (ferramenteiros) e telefonia (operadores).
O universo potencial de beneficiados chega a 30 milhões de
trabalhadores.
O diretor-técnico
da Associação Brasileira de Normas Técnicas
(ABNT), órgão responsável por definir as normas
para cada profissão, Eugênio Tolstoy De Simone, diz
que a certificação é uma tendência mundial,
o que evidencia a importância de políticas públicas
específicas, sobretudo para os trabalhadores mais pobres.
Segundo o coordenador-geral
de Certificação Profissional do Ministério
do Trabalho, Marcelo de Sousa, a principal vantagem para o trabalhador
é aumentar sua competitividade.
O pedreiro Antonio
Ferreira da Costa está entre os beneficiados pelo piloto
de Diadema. Com dois filhos, ele só estudou até a
quarta série. Há sete anos na construtora MZM, contou
que aprendeu o ofício no dia-a-dia. Aprovado no teste em
dezembro, aguarda o diploma: “Ele vai comprovar o que eu sei
fazer. E isso é bom.”
(O Globo
– 07/02/06)
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Como obter o título por conta própria
Os profissionais
que querem obter um certificado por conta própria encontram
algumas dificuldades porque ainda não existe legislação
específica sobre o assunto. Além do custo para passar
pelo processo de avaliação (na média de R$
500 a R$ 600, nas áreas da indústria e da construção
civil), é preciso procurar escolas e entidades certificadoras
com reconhecimento nacional e, se possível, credenciadas
pelo Inmetro. Centros como Senai, Sesi e Fundação
Florestan Fernandes são algumas opções.
No caso do Senai
(www.senai.br),
há oferta para manutenção mecânica, eletrificação,
instrumentação, calderaria, petróleo, mineração
e metalurgia. Neste semestre, a entidade fará processo de
certificação em gás natural, no Rio e no Nordeste.
A oferta vale para empresas e autônomos.
Ainda na área
de petróleo, o Cefet de Campos/Macaé (www.cefetcampos.br)
faz a avaliação. Para inspetores de soldagem, há
a Fundação Brasileira de Tecnologia de Soldagem (www.fbts.com.br).
O Centro para Inovação e Competitividade (www.cic.org.br)
avalia a área de sistemas de qualidade e gestão. E
a Associação Brasileira de Ensaios Não-destrutivos
e Inspeção (www.abende.org.br)
atende a inspetores de ultra-som, radiografia e termografia. Os
certificados costumam ter prazo de validade nos setores em que a
tecnologia avança rapidamente.
(O Globo
– 07/02/06)
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