Empresas investem em certificação profissional para funcionários

Algumas empresas estão investindo na certificação profissional dos trabalhadores. A novidade do mercado de trabalho brasileiro é uma espécie de “selo de qualidade”, em que os trabalhadores passam por provas escrita e prática para comprovar habilidades e obter o certificado de uma atividade que aprendeu sozinho mesmo sem ter diploma.

leia mais:
- Selo de qualidade para gente também
- Empresas fazem parceria com certificadoras
- Como obter o título por conta própria


   
Migração de setor e novas atividades revigoram carreira
Para empresas, "santo de casa faz milagre"
Mais pessoas ganham menos que o mínimo
Cargos e funções ganham novos nomes
Política de RH promove troca de funções por curto período
Sem valorização funcionários abandonam os empregos
Página pessoal do Orkut vira ferramenta de seleção de candidatos
Perguntas indiscretas podem constranger o candidato
SP tem menor taxa de desemprego em cinco anos
 

 

 

 

Selo de qualidade para gente também

Uma demanda das empresas de ponta, acompanhada pelo governo federal, está virando moda no mercado de trabalho brasileiro: a certificação profissional. O requisito exige que o trabalhador faça provas escrita e prática para comprovar habilidades e obter o certificado, uma espécie de selo de qualidade. Com isso, ele aumenta suas chances de conseguir uma vaga, principalmente quando exerce uma atividade que aprendeu sozinho e da qual, portanto, não tem diploma.

Petrobras, Embraer, Vale do Rio Doce e Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST) estão entre as empresas pioneiras no ramo. Fazem seus funcionários passarem pela certificação, assim como CSN, Aracruz, Braskem e Samarco. O que, aliás, está gerando uma massificação do processo: as empresas terceirizadas que prestam serviços a essas companhias são obrigadas a fazer o mesmo. O governo federal entrou no filão e já tem projeto-piloto de treinamento em São Paulo, em parceria com serviços nacionais de aprendizagem.

Os convênios federais integram a nova política pública desenhada para o segmento, que será implementada por decreto presidencial nos próximos meses: será criado o Sistema Nacional de Certificação Profissional, que fixará as novas regras, normas e requisitos de cada uma das atividades profissionais existentes no país (elas serão recatalogadas). Além disso, será feito um cadastramento das entidades certificadoras e criada uma comissão nacional de certificação de caráter tripartite (governo, empresários e trabalhadores).

O coordenador-geral de Certificação do Senai, Paulo Rech, explica que a certificação faz parte das regras da União Européia e está ganhando força no Brasil. Ou seja, para as empresas exportadoras, o selo de qualidade é fundamental. Este ano, as prestadoras de serviços para grandes estatais investirão R$ 2 milhões em laboratórios para testar e oferecer diploma a cinco mil trabalhadores. O ganho para as empresas com aumento de produtividade e redução de custos também é grande, diz Rech.

(O Globo – 07/02/06)

   
 
 

 

 

 

Empresas fazem parceria com certificadoras

Gigantes como Petrobras, Vale do Rio Doce, CST e Embraer já vêm desenvolvendo programas em parceria com o Senai e a Associação Brasileira de Manutenção (Abramam), entidade certificadora. A Petrobras conta hoje com quatro escolas-móveis, com examinadores, oficinas e laboratórios. A estrutura percorre as unidades da empresa em todo o país, tendo como alvo eletricistas, caldereiros, mecânicos, encanadores e instrumentistas, além de hotelaria marítima (cozinheiros, taifeiros e recepcionistas). O certificado vale por dois anos, e os reprovados podem ser reavaliados a cada seis meses.

Segundo Carlos Artur Arêas, coordenador de Qualificação Profissional do Cefet de Campos/ Macaé, entidade conveniada a Petrobras, a média mensal de certificados subiu de dez, em junho de 2004, para 90. Em menos de dois anos, o centro conferiu o diploma a 900 técnicos, com investimentos de R$ 500 mil das empresas que prestam serviço à estatal. A receita do Cefet com o processo chega a R$ 50 mil por mês.

Já a CST investiu R$ 300 mil para construir, em parceria com o Senai e a Abramam, o Centro de Exames de Qualificação de Inspetores de Manutenção Elétrica, que ficou pronto em agosto de 2005. A siderúrgica inaugura nos próximos meses duas outras unidades para mecânico lubrificador e inspeção de manutenção mecânica. Desta vez, numa ação conjunta entre Petrobras, Aracruz, Companhia Vale do Rio Doce e Samarco.

Na Vale, um projeto pretende certificar este ano 600 trabalhadores, entre mecânicos de manutenção, eletricistas e operadores de pelotização. A iniciativa prevê a participação do Senai, que está negociando também uma proposta da Telemar de certificar seus funcionários.

Diante do crescimento da demanda por parte das empresas e trabalhadores, o Senai criou um sistema próprio de certificação, que deve entrar em funcionamento em dois meses. Ainda neste semestre, a entidade vai inaugurar no Rio o Centro de Tecnologia de Solda (voltado para trabalhadores do setor de gás natural).

Com a criação do Sistema Nacional de Certificação Profissional e o cadastramento das entidades certificadoras, o governo pretende aumentar o padrão de cursos de formação e a responsabilidade das empresas com a qualificação de seus funcionários. Pretende ainda promover a inclusão de trabalhadores de baixa renda e que estão na informalidade, garantindo cursos e provas de certificação gratuitos.

Para isso, o novo marco prevê recursos público, do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Em 2006, o governo dispõe de R$ 1 milhão para aplicar nos convênios, com possibilidade de elevar o orçamento durante o ano. Os diplomas serão oferecidos por entidades de reconhecimento nacional como Senai, Cefet, Sesi, entre outros, com o nome do órgão federal.

O primeiro programa está sendo desenvolvido em Diadema (SP) pelos ministérios do Trabalho e da Educação, em parceria com a Fundação Florestan Fernandes, para certificar 200 trabalhadores das áreas de construção civil (servente, pedreiro e mestre de obras) e metal-mecânica. A idéia é expandir a experiência a todo o país e beneficiar este ano 50 mil trabalhadores de outras áreas, como turismo (garçom, arrumadeira), autopeças (ferramenteiros) e telefonia (operadores). O universo potencial de beneficiados chega a 30 milhões de trabalhadores.

O diretor-técnico da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), órgão responsável por definir as normas para cada profissão, Eugênio Tolstoy De Simone, diz que a certificação é uma tendência mundial, o que evidencia a importância de políticas públicas específicas, sobretudo para os trabalhadores mais pobres.

Segundo o coordenador-geral de Certificação Profissional do Ministério do Trabalho, Marcelo de Sousa, a principal vantagem para o trabalhador é aumentar sua competitividade.

O pedreiro Antonio Ferreira da Costa está entre os beneficiados pelo piloto de Diadema. Com dois filhos, ele só estudou até a quarta série. Há sete anos na construtora MZM, contou que aprendeu o ofício no dia-a-dia. Aprovado no teste em dezembro, aguarda o diploma: “Ele vai comprovar o que eu sei fazer. E isso é bom.”

(O Globo – 07/02/06)

   
 
 

 

 

 

Como obter o título por conta própria

Os profissionais que querem obter um certificado por conta própria encontram algumas dificuldades porque ainda não existe legislação específica sobre o assunto. Além do custo para passar pelo processo de avaliação (na média de R$ 500 a R$ 600, nas áreas da indústria e da construção civil), é preciso procurar escolas e entidades certificadoras com reconhecimento nacional e, se possível, credenciadas pelo Inmetro. Centros como Senai, Sesi e Fundação Florestan Fernandes são algumas opções.

No caso do Senai (www.senai.br), há oferta para manutenção mecânica, eletrificação, instrumentação, calderaria, petróleo, mineração e metalurgia. Neste semestre, a entidade fará processo de certificação em gás natural, no Rio e no Nordeste. A oferta vale para empresas e autônomos.

Ainda na área de petróleo, o Cefet de Campos/Macaé (www.cefetcampos.br) faz a avaliação. Para inspetores de soldagem, há a Fundação Brasileira de Tecnologia de Soldagem (www.fbts.com.br). O Centro para Inovação e Competitividade (www.cic.org.br) avalia a área de sistemas de qualidade e gestão. E a Associação Brasileira de Ensaios Não-destrutivos e Inspeção (www.abende.org.br) atende a inspetores de ultra-som, radiografia e termografia. Os certificados costumam ter prazo de validade nos setores em que a tecnologia avança rapidamente.

(O Globo – 07/02/06)